Um passo atrás para outros adiante

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Cielo terá na sua recuperação o próximo desafio da carreira (crédito: Osvaldo F. – Contrapé)

César Cielo está fora do Mundial de Kazan. Certamente uma decepção para muitos e, além disso, para ele mesmo que se despede da Rússia sem uma única medalha e com um sexto lugar na final dos 50m borboleta, prova em que ele tem dois títulos mundiais seguidos. Por pouco, não ficou de fora da semifinal. Fez apenas o 14º tempo entre os 16 classificados, resultado muito aquém da expectativa.

A lesão que o obrigou a deixar o torneio é comum e começou ainda no seu período de preparação, na Holanda. Cielo deixou clara sua insatisfação com a preparação e com seu rendimento. Ele sabe que poderia ter sido melhor. “Meu anjinho da guarda está de parabéns pelo dia de hoje, estou brincando com fogo”, chegou a brincar.

Mas não dava para forçar. Foi algo necessário. A ordem é dar um passo atrás, esperar um pouco para realizar o devido tratamento para se recuperar e volta com o que tem de melhor. Estrutura ele terá para isso.

Afinal, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro se aproximam. Falta apenas um ano até lá e muita coisa pode acontecer nestes meses que antecedem os Jogos.

Este período é mais do que suficiente para Cielo se recuperar de uma lesão que não é grave. É hora de ter a cabeça no lugar e não tirarmos conclusões precipitadas.

Querer encontrar motivos para sua lesão, agora, é forçar a barra. A preparação foi boa e feita em consenso com todos os profissionais da equipe particular do nadador do Minas. Podia acontecer com qualquer um, é algo corriqueiro, mas que veio na hora errada.

Cielo, certamente, deve estar pensando no que poderia ter feito de diferente para evitar o incidente. Agora é tarde demais para voltar no tempo e lamentar. É hora de olhar para frente.

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Skate corre na veia e debaixo dos pés de profissionais e amadores

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Obstáculo usado no evento foi mantido após resultado final para a alegria dos frequentadores da pista em Porto Alegre (crédito: Daniel Ottoni)

De todos os esportes que existem, talvez o skate seja o que eu tenho a menor afinidade. Pelo menos na prática. Nunca andei em um carrinho desses de forma decente e não sei dizer o nome de nenhuma manobra. Mas me familiarizo bastante com o meio, por meio do som, da personalidade e da atitude. Skate é meio de vida pra quem é amador ou profissional, pra quem ganha dinheiro ou o tem apenas como um passatempo. Isso é fácil de ser percebido.

Não foi difícil aceitar o convite para cobrir a final do Red Bull Skate Arcade, no último sábado, em Porto Alegre. Já tinha uma boa noção do que encontrar ali e minha falta de habilidade no esporte não afetaria em nada. Era preciso apenas um olhar mais apurado para que pautas começassem a surgir. A impressão que tive com a presença no IAPI Plaza foi da força que o skate tem na capital gaúcha. A pista é uma das referências do país e, horas antes do evento começar, centenas de skatistas davam seu rolê na pista próxima ao local da competição.

A presença de um campeonato internacional fez o lugar ficar muito mais cheio que o de costume. Os vários anos de prática de boa parte dos que ali estavam o fizeram ter uma qualidade para participar do Skate Arcade. A prova disso foi a participação de muitos frequentadores do IAPI na parte final do evento, quando o campeão já havia sido escolhido. Após o título do brasileiro João Pedro Oliveira, uma mesa que serviu como obstáculo do campeonato foi usada por muitos ‘anônimos’, que puderam mostrar seu talento.

Os locutores do evento mantiveram suas posições para selecionar as três melhores manobras, feitas por quem poderia ter participado, mas foi ali mais para ver de perto a turma de dentro e fora do país. Todos ali, entre locutores e skatistas, se conheciam. A cada tentativa, a turma que tentava acertar as manobras era chamada pelo apelido e recebia uma rápida dica do que faltou antes da próxima manobra. Os acertos eram muito comemorados e os tombos não desanimavam em nada.

Mais que a sensação de conseguir acertar uma manobra diferente, o que vale pra esses caras é estar ali no que pode ser considerado para eles um habitat natural. O mais importante é estar com os amigos, cada um com seu skate, divindo experiências e fazendo o tempo passar voando. O que vem, além disso, é consequência.

Enquanto for possível, eles vão continuar tendo o skate como um hobby e um estilo de vida, algo que faz a rotina ter um sentido. O jeito de vestir, de falar, de agir, tudo tem o skate como referência. Para quem não vive disso (mas para isso), é algo não muito comum, que mostra que resultados e dinheiro são meros detalhes para quem já tem a felicidade bem debaixo dos pés.

Boas manobras mostraram que muitos que foram ao IAPI somente para ver o Red Bull Skate Arcade poderiam ter participado da competição internacional (crédito: Daniel Ottoni)sk81

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Mais um Mundial com dever cumprido, aproveitando tudo que ele oferece fora das quadras

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Alekno confirmou a fama de pouca simpatia e respostas curtas (crédito: Uarlen Valério)

Passou rápido, mas quando se está no ‘olho do furacão’ a percepção é outra. Foram seis dias de Mundial de Clubes de vôlei masculino, o quarto da minha carreira.

Cobrir os jogos e ver de perto alguns dos melhores atletas do mundo é uma oportunidade rara, para poucos. Não é toda hora que se tem reunidos na mesma competição nomes como Leon, Anderson, Simón, Leal, William, Serginho, Volvich, Gianelli, Stokr e por aí vai. O mesmo acontece com os renomados treinadores.

Mas admito que o mais legal em um Mundial é encontrar anônimos e histórias diferentes. Como do líbero reserva do Bolívar de apenas 15 anos que parecia não acreditar que estava disputando o maior torneio de clubes do planeta. Estuda de manhã e vai treinar à tarde. E do levantador egípcio, com passagem pelo vôlei turco e italiano, que fez questão de jogar pelo time do seu país para agradecer por terem estado ao seu lado no período de recuperação após cirurgia no joelho. Da prima de Simón, que foi convidada para o torneio e deu sorte para o melhor central do mundo conquistar o tricampeonato mundial pelo Sada Cruzeiro.

Os bastidores também são muito legais e vão ficar na memória por muito tempo, contribuindo até na formação e crescimento profissional. As coletivas com apenas um repórter deviam deixar treinadores e capitães bem incomodados. Eu fazia questão de pedir a coletiva, já que o que não faltava era material para fazer. E nem sempre conseguíamos ter a dupla dos times disponível cara a cara como nesta coletiva (ou seria exclusiva?).

Algumas ‘patadas’ já se tornaram normais como de Vladimir Alekno, técnico russo e do levantador italiano Vermiglio, que no ano anterior não havia mostrado tanta marra quando defendia um time iraniano. Talvez pelo fato de estar jogando em uma equipe melhor (UPCN) resolveu agir diferente. Teve que se contentar em ficar fora do pódio.

O pior (para eles) é que eu acho que todos esses caras marrentos acabam pagando um preço pela sua postura pouco cordial. Os russos que o digam. Fazem questão de ignorar pedidos de entrevistas (é só falar ‘não!) e de responder as perguntas da coletiva com poucas palavras. Eles também só marcam presença porque são obrigados.

Se não fizesse questão da coletiva, dificilmente conseguiria falar com eles. Como em todo evento que acontece apenas uma vez por ano, tento aproveitar ao máximo mesmo com todos os empecilhos que aparecem no caminho. O calor deste ano foi de matar.  Mesmo assim, torço para que ano que vem tenhamos um novo Mundial, com mais caras novas e personagens diferentes. Sempre saio achando que fiz muito, mas que poderia ter feito mais.

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Superliga com poucas novidades e a mesma promessa de equilíbrio

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 MOC surpreendeu favorito Taubaté na estreia e mostra que pode incomodar times de maior investimento (crédito: Rafinha – Funvic Taubaté)

A Superliga 2015-2016 já começou e a promessa, como acontece em todos os anos, é de equilíbrio. Trata-se de um dos torneios mais competitivos do mundo e não é por menos. Enquanto alguns clubes entram com maior poder aquisitivo e elencos cheio de estrelas, outros lutam para apenas participar e brigar por algo como um playoff. Esta diferença dificilmente será diminuída em um futuro breve.

Para este ano, principalmente no formato masculino, vejo a distância de nível técnico entre as equipes, menor. Os times médios se reforçaram bem e darão muito trabalho. Mais zebras podem aparecer e é difícil cravar um G-8. Da quinta a oitava posição, temos aí cinco times, como Canoas, Voleisul, Bento Vôlei, Maringá e Montes Claros) com condições bem parecidas.

Entre os favoritos, o Sada Cruzeiro se mantém na prateleira de cima. Para esta temporada, vejo o time celeste com menos candidatos a incomodá-lo, ao contrário dos últimos anos, quanto três ou quatro começavam a Superliga como adversários em potencial. Isso não quer dizer, nem de longe, que o elenco de Marcelo Mendez será campeão. Taubaté e Campinas são fortes e podem muito bem incomodar. Mas vejo o quadro menos complicado para o Cruzeiro nesta temporada, é só uma opinião neste primeiro momento. O Sesi não está forte como antes e o Taubaté parece ter maiores chances de brigar pelo topo. Campinas também chega forte, mas acredito que ainda está atrás dos mineiros.

No feminino, o quadro é praticamente idêntico ao da última temporada. Rexona e Vôlei Nestlé na frente das demais, com Praia, Minas e Sesi um patamar abaixo. As que restam, com o Pinheiros em uma condição mais favorável, brigarão pelo que for possível.

Acredito que não vai demorar para o calendário receber várias reclamações. As primeiras já apareceram, já que o Taubaté jogou sexta a final da Supercopa e neste domingo, já estreou na Superliga. Desnecessário, poderia ser evitado. Jogos em sequência acontecerão e vão gerar críticas pra cima da CBV, podem esperar.

Para este ano, a entidade teve a boa vontade de custear parte da logística dos clubes. Em troca, poderá explorar comercialmente, no masculino, espaços na quadra. Uma pequena evolução dentre as várias que já poderiam ser feitas pela CBV, que recebe milhões dos patrocinadores a cada temporada.

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Minas cai de pé após vice no Campeonato Mineiro masculino de vôlei

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O Minas Tênis Clube deu mais uma prova de que o sucesso não depende de estrelas. A coletividade fala mais alto, principalmente quando se tem um técnico capacitado para fazer o time rodar.

Assim como na última temporada, sob o comando de Nery Tambeiro, quando chegou à semifinal da Superliga, o Minas promete ir bem nesta temporada. A primeira mostra veio na final do Mineiro, contra o Sada Cruzeiro, no último sábado. Ao contrário dos últimos cinco anos, quando as finais entre os rivais terminavam com vitória sem grandes dificuldades do time celeste, em 2015 foi diferente. E como!

O hexacampeonato cruzeirense veio, mas no sufoco, depois de uma verdadeira batalha no ginásio do Riacho. Depois de vencer o primeiro set, atormentando a
defesa azul, o Minas tomou a virada, buscou o empate e chegou a ficar perto do título, deixando torcida e elenco celestes preocupados com o que estava por vir.

Por muito pouco o jejum sem vencer um Estadual, desde 2007, não foi quebrado. Mesmo no início de temporada, com algumas mudanças no elenco, o Minas mostra um time competitivo, de muito volume de jogo. O estudo de Nery sobre o adversário pode ser o segredo para o bom desempenho.

Boas marcações, obediência tática e muita luta podem levar o Minas para o top 4 da Superliga. Claro que um time da tradição do Minas almeja o título, mas diante de elencos com investimento tão superior, uma semifinal novamente no Nacional estaria de bom tamanho. E creio que isso é muito possível. Por mais que os jogadores tenham todos os seus méritos, Nery mostra ser diferenciado, conseguindo montar um elenco coeso e consistente sem grandes estrelas, sem salários altos, sem chamar muito atenção. O dedo do treinador está muito presente no que o Minas tem apresentado nas duas últimas temporadas.

O ponta cubano Raidel, que chegou agora, me parece ser mais eficiente que João Rafael e Samuel, que se foram. Everaldo mostra boa sintonia com o oposto cubano Escobar, um monstro nas viradas de bola. Pétrus e Flávio são jovens centrais, cheios de potencial, com boa capacidade de evolução. Na mão de Nery, podem crescer bastante.

Canuto é um exímio passador. Para fechar, Thiago Vanole mostra ser um oitavo jogador importante. O ponta entrou muito bem contra Sada Cruzeiro, na final e no último jogo da fase de classificação e contra Montes Claros, na semifinal. Com ele, Nery ganha mais uma boa opção para a entrada de rede. Vanole deve ganhar mais tempo de quadra e já mostrou que pode crescer bastante. “O Nery coloca para jogar quem está melhor. O importante é estar preparado”, comenta o jogador.

São José, Taubaté e Campinas (e por que não o Sada Cruzeiro) que se cuidem. O Minas chega para brigar forte nesta temporada, sem alarde e comendo pelas beiradas, como a tradição mineira bem manda.

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Arbitragem ficou em xeque no clássico entre MOC e Sada Cruzeiro

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 Apesar de acreditar que não houve interferência no resultado final, delegado da partida acha que árbitro poderia ter sido mais enérgico na parte disciplinar  (crédito: Alexander Sezko)

Montes Claros Vôlei e Sada Cruzeiro se enfrentaram no último sábado, pelo Campeonato Mineiro de vôlei masculino, em jogo importante para a tabela de classificação. O MOC, que jogava em casa, tinha apenas dois pontos a menos que o Cruzeiro, em segundo.

O equilíbrio e a tensão foram dignos de um grande confronto, mas parte da emoção veio pela atuação da arbitragem de Ademir Nogueira, que deixou muita gente incomodada. Principalmente, pelo lado do time do Norte de Minas.

No tie-break, o técnico Marcelinho Ramos, do MOC, reclamou muito e recebeu um cartão vermelho quando seu time ia para o saque e o placar apontava 4 a 4. A vitória azul deixou o Pequi Atômico enfurecido, principalmente por considerar que houve erros de interpretação.

“Aconteceram algumas falhas, mas nada que desse margem para reclamações exacerbadas, como se viu. Foi um jogo de uma dificuldade de condução muito grande, com algumas dúvidas de bolas tocadas no bloqueio e marcações dentro e fora”, detalha Alair Rodrigues, delegado do jogo.

Inconformada, a diretoria do MOC irá enviar à Federação Mineira de Vôlei (FMV) um protesto oficial contra a atuação da arbitragem, além de um vídeo com reprise do jogo, focando nas falhas que o clube acha que foram cometidas pela arbitragem. Até o momento, nada foi recebido pela federação. “Na parte disciplinar, acho que o Ademir poderia ter sido mais enérgico, mas foi uma opção dele, que foi até seu limite. Os dois times se descontrolaram e acho que não teríamos garantias de uma condução melhor se fosse um árbitro internacional. O Ademir apita jogos há mais de 20 anos e faz parte do quadro da Superliga”, afirma Alair.

Apesar da vitória, Marcelo Mendez, técnico do Sada Cruzeiro, reconheceu que o árbitro não foi bem.

“Não é comum ver um árbitro abaixar muito a cabeça. Isto não dá segurança aos atletas, gera reclamação. Foi fácil perceber que ele não tinha experiência”, relata.

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Sem complô: arbitragem brasileira erra por falta de estrutura, profissionalização e capacidade

Renato Pizzuto

Escalação de Luiz Flávio de Oliveira (SP) para apitar Corinthians e Sport foi apenas um dos erros da Comissão de Arbitragem (crédito: Renato Pizzuto)

Quando os erros de arbitragem se destacam mais do que deveriam, é porque há algo errado. E esta rotina insiste em aparecer no cenário do futebol brasileiro, ano após ano. É sabido que o nível técnico de quem comanda as partidas, é sofrível. E não falta time que se sente prejudicado.

A falta de profissionalização contribui, em grande parte para isso, uma vez que não existe remuneração adequada, estrutura, investimento e preparação para quem entra em campo com uma importância similar à dos jogadores. Qualquer deslize pode ser fatal. E eles estão aparecendo além da conta e gerando controvérsias de vários lados. O pior de tudo é a desconfiança que aparece, fazendo muitos acreditarem em esquemas de manipulação. Deixo esse discurso para os torcedores e mais do que palavras são necessárias para se provar qualquer tipo de roubalheira.

Em momentos decisivos do Campeonato Brasileiro, não tarda para que os erros comecem a aparecer, beneficiando uns e prejudicando tantos outros. A bola da vez, coincidência ou não, é o Corinthians, que tem sido favorecido nas últimas rodadas.

O time paulista não teve um pênalti marcado contra sua meta diante do São Paulo e viu o Avaí ter um gol legal anulado no último domingo. Contra o Sport, achei pênalti do defensor pernambucano, para não falar que o time é beneficiado em todos os momentos.

Atlético, Flamengo e São Paulo são apenas alguns dos times que reclamam da arbitragem. O Atlético, que perdeu a liderança para o Corinthians na última rodada, não teve um pênalti marcado a seu favor contra o Grêmio e viu o gol da derrota contra a Chapecoense nascer de um lance irregular. Na minha visão, os erros acontecem contra praticamente todos os times do campeonato.

Não quero acreditar que exista um complô. O que vejo é a falta de capacidade dos árbitros, que são ruins e tem a preparação deficiente contribuindo para erros sequenciais. Em boa parte dos lances, eles estão mal posicionados e não mostram a confiança necessária para uma marcação que deveria ser mais efetiva.

Clubes que se sentem prejudicados devem protestar e protocolar reclamações na Comissão de Arbitragem, órgão responsável pelas escalas e preparação dos árbitros. Algo deve ser feito por eles, que acabam sendo lesados por terceiros, vendo resultados positivos ficarem pelo caminho por falhas clamorosas. A Comissão, para piorar, força a barra em algumas decisões, como ao escalar um árbitro paulista para apitar Corinthians e Sport. Desnecessário, imprudente e irresponsável.

Passou da hora. Não é segredo para ninguém que uma mudança drástica na arbitragem é necessária e este caminho passa pela profissionalização. Para isso, acredito que é preciso romper a estrutura no formato da Comissão de Arbitragem. E isso depende da CBF. Enquanto os atuais diretores por lá permanecerem, vamos continuar convivendo com escândalos dentro de campo. Lances que são considerados fáceis se transformam em uma bola de neve de erros.

Até uma realidade diferente aparecer, vamos continuar convivendo com erros, denúncias de favorecimento, perda contínua de credibilidade e o pior: resultados das partidas sendo definidos por quem deveria ter um papel que passa longe de ser o protagonista.

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Tiro no pé da Comissão de Arbitragem

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Luiz Flávio poderia ter sido poupado pelos responsáveis pelo apito brasileiro. 
Crédito: Porthus Júnior/Agência RBS

Queria somente entender o motivo que fez a Comissão de Arbitragem a escalar um árbitro de São Paulo para comandar o jogo entre Corinthians e Sport. O bom momento que vive os dois times, fazendo o jogo ganhar ainda mais importância, é apenas um detalhe.

Tal fato não poderia ter acontecido em nenhuma situação. Temos boas, mas não muitas, opções de árbitros com condições de atuar em duelo deste nível.

Antes mesma da bola rolar, as reclamações já apareceram. A exposição feita pela Comissão foi desnecessária, um tiro no pé, que dificilmente poderá ser justificado.

A pressão sobre Luiz Flávio de Oliveira foi inevitável. Erros para qualquer um dos lados gerariam afirmações que poderiam até não ter cabimento mas que não deixariam de passar pela cabeça de quem acompanha futebol. De novo, repito. Qual a necessidade?

O saldo do jogo foi um pênalti no final do jogo, que foi marcado a favor do Corinthians, que vê, novamente, seu nome ligado à ajuda da arbitragem para vencer partidas. A Comissão poderia ter poupado os dois times e o árbitro, que certamente não seria perdoado em caso de erros crassos. A ‘geladeira’, que poderia vir, seria culpa do árbitro, pelos erros cometidos?

Ou da Comissão que jogou uma bomba no colo de Luiz Flávio em momento inoportuno? Situação que poderia ser evitada e que foi forçada pelos responsáveis, por motivos que não entram na minha cabeça.

O pensamento de que a sujeira ‘come solta’ no futebol brasileiro tem, em decisões como esta, parte de seus fundamentos.

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