Skate corre na veia e debaixo dos pés de profissionais e amadores

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Obstáculo usado no evento foi mantido após resultado final para a alegria dos frequentadores da pista em Porto Alegre (crédito: Daniel Ottoni)

De todos os esportes que existem, talvez o skate seja o que eu tenho a menor afinidade. Pelo menos na prática. Nunca andei em um carrinho desses de forma decente e não sei dizer o nome de nenhuma manobra. Mas me familiarizo bastante com o meio, por meio do som, da personalidade e da atitude. Skate é meio de vida pra quem é amador ou profissional, pra quem ganha dinheiro ou o tem apenas como um passatempo. Isso é fácil de ser percebido.

Não foi difícil aceitar o convite para cobrir a final do Red Bull Skate Arcade, no último sábado, em Porto Alegre. Já tinha uma boa noção do que encontrar ali e minha falta de habilidade no esporte não afetaria em nada. Era preciso apenas um olhar mais apurado para que pautas começassem a surgir. A impressão que tive com a presença no IAPI Plaza foi da força que o skate tem na capital gaúcha. A pista é uma das referências do país e, horas antes do evento começar, centenas de skatistas davam seu rolê na pista próxima ao local da competição.

A presença de um campeonato internacional fez o lugar ficar muito mais cheio que o de costume. Os vários anos de prática de boa parte dos que ali estavam o fizeram ter uma qualidade para participar do Skate Arcade. A prova disso foi a participação de muitos frequentadores do IAPI na parte final do evento, quando o campeão já havia sido escolhido. Após o título do brasileiro João Pedro Oliveira, uma mesa que serviu como obstáculo do campeonato foi usada por muitos ‘anônimos’, que puderam mostrar seu talento.

Os locutores do evento mantiveram suas posições para selecionar as três melhores manobras, feitas por quem poderia ter participado, mas foi ali mais para ver de perto a turma de dentro e fora do país. Todos ali, entre locutores e skatistas, se conheciam. A cada tentativa, a turma que tentava acertar as manobras era chamada pelo apelido e recebia uma rápida dica do que faltou antes da próxima manobra. Os acertos eram muito comemorados e os tombos não desanimavam em nada.

Mais que a sensação de conseguir acertar uma manobra diferente, o que vale pra esses caras é estar ali no que pode ser considerado para eles um habitat natural. O mais importante é estar com os amigos, cada um com seu skate, divindo experiências e fazendo o tempo passar voando. O que vem, além disso, é consequência.

Enquanto for possível, eles vão continuar tendo o skate como um hobby e um estilo de vida, algo que faz a rotina ter um sentido. O jeito de vestir, de falar, de agir, tudo tem o skate como referência. Para quem não vive disso (mas para isso), é algo não muito comum, que mostra que resultados e dinheiro são meros detalhes para quem já tem a felicidade bem debaixo dos pés.

Boas manobras mostraram que muitos que foram ao IAPI somente para ver o Red Bull Skate Arcade poderiam ter participado da competição internacional (crédito: Daniel Ottoni)sk81

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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