Prestando continência

Geoff Robins AFP

Charles Chibana foi um dos que fez questão de agir de acordo com as regras militares (crédito: Geoff Robins/AFP)

Há quanto tempo não escrevo por aqui…

Com Olimpíada chegando, está mais do que na hora de reativar de vez.

Nesta ‘reabertura’, gostaria de falar sobre uma das polêmicas neste Pan. Muitos atletas brasileiros comemoram sua subida ao pódio batendo continência. Todos os que fizeram questão de agir de tal forma são militares e tem a ajuda das Forças Armadas na sua formação como atletas.

Em relação à minha opinião, não gosto e acho desnecessário. Acho que seria a situação ideal para ser feita em Jogos Militares, o que não é o caso. O que acho estranho é que nada disso havia acontecido em edições anteriores de Pan ou outras competições internacionais. Por que somente agora?

Mas cada um faz o que quer e não me vejo no direito de dizer se a atitude está certa ou errada. Posso não concordar, mas é preciso respeitar.

Até porque sei das dificuldades que passam a maior parte dos atletas de esportes especializados. Toda ajuda é bem-vinda, ainda mais um suporte de bom nível como é o militar, fornecendo bons centros de treinamento e dando a eles uma disciplina que acaba tendo seu valor.  Além disso, eles recebem salário, 13º, plano de saúde, atendimento médico, odontológico, fisioterápico, alimentação e alojamento. Não é pouca coisa.

Dos 590 atletas que representam o Brasil no Pan, 123 são militares, um número considerável.

A judoca Mayra Aguiar admitiu que ela e muitos outros foram orientados para tal, outra coisa que não concordo. Ali cada um deve agir como quiser, espontaneamente. Se eles não tivessem recebido esta orientação, acho pouco provável que o ato aconteceria.

Querendo ou não, trata-se de um ato legítimo em sinal de respeito à pátria. A organização do Pan já afirmou que nada irá fazer, pois não há indícios políticos ou religiosos no gesto. No entanto, muitos afirmam que trata-se sim de um ato político, a favor das organizações militares, que não representam todas as pessoas de uma nação.

Na Olimpíada, é provável que haja uma proibição sobre tal gesto, para evitar qualquer tipo de polêmica ou interferência.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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Uma resposta para Prestando continência

  1. Lari Reis disse:

    Que bom que você está de volta!

    Olha, eu ainda não sei o que pensar sobre tudo isso. O momento que o país vive faz pensar que é sim um ato político, mas talvez seja apenas uma coincidência infeliz. Fato é que eu fico feliz que as FA apoiem o esporte brasileiro porque alguém (de peso) realmente precisa fazer isso.

    Curtir

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