Conversas dentro de campo

 PH

 

Quando entra em campo, qualquer jogador tem apenas um objetivo: dar o seu melhor e ajudar o time a sair com a vitória.

Mas conversas dentro de campo são inevitáveis durante os mais de 90 minutos de confronto entre duas equipes. Além dos pedidos de cartão, xingamentos e reclamações por uma ou outra jogada mais ríspida, muitos jogadores aproveitam as partidas para colocar, de forma rápida, o papo em dia.

Muitas partidas reservam encontros de jogadores com antigos companheiros de time. O calendário de jogos e a correria de viagens, concentração e jogos não permitem que os velhos parceiros possam se ver como gostariam. O campo, então, acaba sendo uma das poucas chances para que estes atletas conversem entre si, antes mesmo antes do apito inicial. Durante as partidas, os diálogos até chegam a acontecer, mas com uma rapidez não desejada, já que o objetivo é estar concentrado e minimizar as chances de erros.

“É mais por uma questão de socialização. Quando é possível, conversamos com respeito para saber coisas como uma falta não marcada. Mas, nada que possa nos impedir de perder a concentração dentro da partida”, relata o zagueiro Leonardo Silva, do Atlético.

Ao mesmo tempo, jogadores que não têm uma relação próxima também acabam construindo breves diálogos dentro do gramado. Para minimizar um pouco das curiosidade dos torcedores sobre os assuntos das conversas, o Bola no Barbante tentou revelar o que acontece nas quatro linhas.

Quando o teor da conversa é possível de ser revelado, arquibancadas vazias, (ou cheias) atuação do árbitro ou até mesmo de algum jogador que esteja se destacando na partida.

“Os assuntos costumam ser estes mesmos, sempre algo relacionado ao jogo em si. Quando é um amigo fora do campo, um assunto diferente destes pode até acabar aparecendo. Afinal, o tempo sem encontrá-lo pode ser longo. Mas é sempre algo rápido, para que não percamos o foco do jogo”, comenta o atacante Paulo Henrique, ex-Atlético, e hoje defendendo o Trabzonspor-TUR.

Praticando o inglês

Como o turco ainda é aprendido pelo jogador, ele tem uma boa chance de praticar o inglês, uma vez que a maioria dos jogadores com os quais ele atua, tanto a favor, como contra, não são brasileiros. “O jogador não precisa ser conhecido para que uma conversa apareça. A gente acaba conhecendo os adversários e os assuntos do jogo são inevitáveis. Aqui na Turquia eu falo menos, pois só me comunico em inglês”, lamenta o jogador.

A tentativa de alguns jogadores em ter uma conversa com o brasileiro acabou caindo por terra em alguns momentos de sua carreira no Velho Continente. “Joguei três temporadas na Holanda, uma na Bélgica e estou na minha segunda temporada na Turquia. Já aconteceu de algum adversário tentar falar alguma coisa comigo, mas eu não entendi”, brinca o atacante.

No entanto, quando as discussões ficam mais ríspidas, o conteúdo das conversas é melhor nem ser divulgado, apesar dos torcedores já terem uma boa noção do que se passa durante estes constantes bate-bocas, sejam elas em português ou qualquer outro idioma.

Mudança de hábito

Mais recentemente, qualquer conversa entre jogadores, dentro de campo, são ‘censuradas’. Com receio da constante leitura labial, que vem acontecendo com muita frequência, a maior parte dos atletas prefere colocar a mão na boca durante conversas com árbitros, adversários e até companheiros de time.

Em jogo entre Cruzeiro e Vasco da Gama, no Brasileirão de 2013, o atacante Borges, em conversa com o zagueiro Cris, pediu, de forma inocente e até provocativa, que o zagueiro ‘fosse lá e fizesse um gol’, em sua equipe. A leitura labial foi nítida sobre as palavras proferidas pelo jogador cruzeirense, que acabou sendo crucificado.

Muitos afirmaram que tratava-se de uma armação de resultado, quando, na verdade, era apenas uma conversa despretensiosa dentro de campo, sem relação com algum tipo de manipulação. A perseguição sobre o que os jogadores falam a todo momento dentro de campo acabou por ‘obrigá-los’ a evitar que as conversas sejam conhecidas por parte do público.

 

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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