Central Jardel aproveita boa fase como oposto

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Jardel não esconde motivação a mais por jogar em nova posição (crédito: reprodução – Facebook)

Enquanto alguns clubes da Superliga masculina de vôlei precisaram improvisar pelo fato do elenco ter número reduzido de jogadores, a UFJF também recorreu a esta alternativa, mas por outro motivo. A má fase dos opostos do time fez o técnico Chiquita ‘tirar um coelho da cartola’ ao escalar o experiente central Jardel, de 32 anos, na saída de rede.

A ideia veio do técnico Chiquita após derrota para o Montes Claros Vôlei, resultado que trouxe o oitavo revés seguido do time, em uma sequência nada favorável.

O treinador percebeu que era necessário sacudir o time com uma novidade que trouxesse um outro ritmo ao elenco. Antes de colocar Jardel como oposto, o treinador já havia feito uma outra tentativa, colocando três pontas ao mesmo tempo, sem oposto em quadra.

A eficiência de Jardel na posição mostrou a qualidade de uma das principais peças que Chiquita tem nas mãos. Os dois jogadores da posição no atual elenco são Daniel e De Paula, que não estavam rendendo o esperado.

“Após a derrota para Montes Claros, me pediram para que eu fizesse um teste. Foram apenas quatro treinos na nova posição. São bolas diferentes, mais complicadas. É preciso observar o bloqueio adversário, o ataque acontece com o oposto vindo de trás, é outra situação. A nossa parte defensiva sempre foi boa, mas faltava um melhor aproveitamento nos ataques”, comenta o jogador, com passagem pelo vôlei do Minas. Na última temporada, Jardel atuou no vôlei francês, para onde foi após sua primeira passagem pelo mesmo Juiz de Fora.

A opção de Chiquita poderia ser com qualquer jogador. Mas Jardel foi o escolhido. “A gente se conhece desde que fomos campeões brasileiros na Ulbra, em 2002.  Temos uma relação de longa data. Ele sabe do que eu sou capaz e acho que isso pesou. Não nego que sempre tive vontade de jogar em uma outra posição. Está sendo uma motivação a mais para mim. Estou tendo um bom aproveitamento e espera que isso seja mantido”, destaca.

Uma das mudanças que Jardel precisa se adaptar é com o físico, uma vez que está em quadra por mais tempo. “Os centrais saem, no meio do jogo, para fazer o revezamento com o líbero. Com o oposto, não tem isso. Estou focando bem nesta parte para suportar bem todo o período de jogo, sem estes descansos”, lembra.

Começo arrasador superou expectativas

Nas duas primeiras partidas do jogador na nova posição, uma surpresa mais do que positiva. Ele terminou o jogo contra o Vivo-Minas, fora de casa, na última terça, como o segundo maior pontuador da UFJF. O encontro marcou, ainda, um triunfo do time da Zona da Mata após oito derrotas seguidas.

Na partida seguinte, em casa, contra o Funvic-Taubaté-SP, Jardel terminou o jogo como maior pontuador do time, que terminou com a segunda vitória seguida dos mineiros. Apesar de estar indo bem, a média de pontos do atleta não mudou muito, até por ele ser um jogador que sempre foi muito acionado pelos levantadores.

“Não imaginava que seria um começo assim. Eu sempre fui um central que ataca bastante, mas como oposto é diferente. Na hora que o ‘bicho pega’, é preciso definir. Nessa hora, conta a técnica, a coragem e o mais importante: o coração”, salienta, deixando claro uma mudança de responsabilidade de sua função dentro de quadra.

Enquanto os centrais costumam ser acionados, em grande parte, quando o passe chega perfeito na mão do levantador, com o oposto, a situação é diferente. É dele a responsabilidade de colocar no chão as bolas difíceis, em momentos complicados da partida. Sua missão é de virar as jogadas, que comecem com passes bons ou ruins. “Muitas vezes você tem, pela frente, um bloqueio duplo o triplo. Se falar que não estou gostando, estou mentindo. Com o oposto, você precisa ter mais equilíbrio, não dá pra encarar o bloqueio a todo momento. É bom até para abrir mais portas na carreira”, indica Jardel.

Na carreira de jogador, ele havia atuado como oposto somente em um campeonato brasileiro de seleções, quando defendeu o Rio de Janeiro. Como o time tinha
três centrais de bom nível, o treinador na época preferiu deslocar Jardel para a saída de rede, para ter uma maior qualidade dentro de quadra. “Tirando essa situação, joguei de oposto somente na praia, brincando. Nada além disso”, garante.

Resultados trazem importante motivação

Mesmo com o duplo triunfo nas últimas rodadas, a UFJF segue na lanterna do campeonato, mas, agora, com melhores condições de sair da ingrata posição na tabela de classificação.

Como já dizia o ditado, ‘em time que está ganhando não se mexe’. Por isso, a tendência é que Jardel continue jogando como oposto. A presença do jogador em nova posição também abriu espaço para Ninão, central que, antes da novidade, lutava por uma vaga no time. Muito mais do que o companheiro, todo o time agradece pelo novo ânimo que Jardel trouxe.

“Vejo uma dedicação muito grande do grupo nos treinamentos. Infelizmente, não estávamos conseguindo transferir isso para o jogo. Agora vejo uma equipe mais confiante e corajosa. Espero que possamos continuar assim. Precisamos de muito trabalho e também de humildade para entender que, se não dermos continuidade nas vitórias, de nada adiantará para sairmos desta situação delicada”, esclarece.

 

 

 

 

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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