Diálogo com árbitros brasileiros são cada vez mais restritos

Existe uma expressão que afirma que ‘é conversando que se entende’. A frase é verdadeira e, certamente, ajuda para entendimentos e bom-senso em diversas esferas da vida. No entanto, no futebol, essa regra tem se mostrado ausente, principalmente na relação entre jogadores e árbitros.

Não são poucas as vezes onde a tensão pode ser vista e sentida de longe. Basta uma marcação duvidosa para que vários jogadores cerquem o comandante da partida. Neste momento, o juiz precisa ter auto-controle e pulso firme para manter a situação dentro da normalidade. 

Em algumas situações, o árbitro prefere se afastar, enquanto outros respondem os jogadores com palavras de ordem ou até mesmo com cartões, afim de acalmar os ânimos.

Na súmula, dependendo da situação, o árbitro chega a relatar as palavras de baixo calão proferidas pelos jogadores, talvez com o intuito de que estes sejam punidos por sua atitude. No entanto, o mesmo ‘nível’ de argumentação também pode ser usado pelos árbitros e nenhum sanção sobre isso costuma acontecer. 

No ano passado, o árbitro Alício Pena Júnior foi acusado, pelo zagueiro Chicão, do Flamengo, de se comportar de maneira indevida durante o jogo contra o São Paulo.

Desde o início do jogo ele me xingou. É complicado pegar um árbitro que chama o time do Flamengo de fraco, que manda a gente ‘chupar’ porque o São Paulo está ganhando”, afirmou o jogador.

O zagueiro Réver, do Atlético-MG, condena a postura adotada por alguns árbitros, mas também aponta para a conversa mais tranquila que existe com alguns. “A abertura costuma existir. Como capitão, tenho a função de conversar com os árbitros. Alguns não gostam de papo, mas a maioria faz bem este papel”, destaca. 

A maneira como se dá a conversa, tanto verbal como gestual, pode interferir diretamente no andamento da situação. “O jogador não pode perder a noção e gesticular, reclamando de forma acintosa. O diálogo é sempre importante”, indica.

A agressividade costuma ser frequente e impede que um mínimo de entendimento aconteça durante uma partida de futebol. “Normalmente, eles pedem para que a gente não fale nada, não deixem que nem argumentemos algo. Apenas alguns árbitros dão abertura”, lamenta o volante Marcelo Rosa, do América-MG.

Uma realidade bastante distinta acontece no rugby, esporte de mais contato, mas com uma educação exemplar quando o assunto é a relação entre árbitros e jogadores. Os juízes, assim como no vôlei, se comunicam única e exclusivamente com os capitães, de forma sucinta e objetivo, justificando o motivo de determinada marcação. Em quase a totalidade das vezes, os capitães mostram entender a situação e respeitar a decisão tomada, tendo liberdade para argumentar e tentar compreender a escolha.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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