Chega de cai-cai

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Casos de simulações são constantes durante a temporada do futebol brasileiro (crédito: Washington Alves – VIPCOMM)

Ao invés de aceitar a perda da bola, muitos preferem tentar ‘cavar’ uma falta, postura criticada por ir contra as regras do ‘fair play’. Em outros casos, os atletas preferem cair e tentar enganar a arbitragem, mesmo quando o lance poderia receber continuidade.

Enquanto no Brasil a conduta ainda é combatida, fora dele não existe espaço para tal atitude. Neymar, antes de confirmar sua transferência do Santos para o Barcelona, teve especulada sua presença na Inglaterra. Parte da mídia local não tardou a se mostrar contra a ideia da presença de um ‘mergulhador’ pelos campos britânicos.

O brasileiro tem fama de jogador que se jogar e simular faltas. Isso faz parte da mentalidade do futebol brasileiro. Na Europa os juízes punem isso com rigor e acho certo”, comenta o zagueiro Leandro Almeida, que atuou entre 2009 e 2012 pelo Dínamo de Kiev.

Enquanto fora do Brasil, tal situação é rara, por aqui não faltam episódios para ilustrar a fama. E se engana quem pensa que os episódios são exclusivos de atacantes. Durante o jogo entre Botafogo e Grêmio, pela atual edição do Campeonato Brasileiro, no Rio de Janeiro, o zagueiro Dória, do time da casa, dividiu bola com o atacante Kléber.

Dória levou a pior e ficou estendido no gramado, se contorcendo por vários segundos. Parecia algo sério. Parecia, até o momento em que o árbitro da partida deu, ao jogador gremista, o segundo cartão amarelo, expulsando-o. Sem pudor algum, Dória, assim que o cartão vermelho foi dado, levantou-se e voltou para a defesa.

No intervalo de um dos jogos do Atlético no Brasileirão, o goleiro Victor também protestou sobre a recorrente atitude. “Jogador brasileiro não se cansa de fazer isso. Enquanto não existirem punições, ele vão continuar fazendo isso. É preciso dar um basta”, protestou um dos herois do título da Libertadores. A orientação dada aos árbitros é de mostrar cartão amarelo nas tentativas de simulações. No entanto, em algumas delas, os juízes ainda caem nesta perversa prova de malandragem.

Outros tempos

A tentativa dos jogadores brasileiros de tentar ludibriar a arbitragem ganha, hoje, maior exposição, pela força da mídia. No entanto, a mania vem de outros tempos. “Para mim, isso é invenção da imprensa. A maiores dos jogadores que cai, é atacante e velocista. Qualquer esbarrão faz a diferença para a queda”, mostra Palhinha, ex-meia de Atlético e Cruzeiro, dando o exemplo de Neymar como maior prova.

O jogador do Barcelona, inclusive, parece ter aprendido, na Espanha, importante lição. Seus lances de simulação diminuíram consideravelmente e as faltas recebidas têm sido mais aceitas pelo jogador, que parece ter compreendido a diferença entre jogar dentro e fora do Brasil, incluindo aí a condenação da torcida com suas atitudes.

Palhinha garante que tal fato acontecia também em sua época de jogador. “Quando o Pelé fazia isso, era chamado de gênio. Hoje, o jogador é criticado e punido. Isso vai muito da malícia do jogador. Em alguns lances, eles tentam aproveitar para cavar uma falta e ganhar vantagem”, analisa.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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