O mestre Divino

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Da Guia lembrou de sua época de jogador em rápida passagem por Belo Horizonte (crédito: Ana Renno)

Ademir da Guia foi um dos gigantes do futebol brasileiro. Armador, cansou de encantar a torcida do Palmeiras, clube que defendeu por longos e inesquecíveis 16 anos. Sua categoria era admirada até por torcedores rivais. Os mais velhos lembram das jogadas de Ademir com grande admiração, deixando clara uma nostalgia de um tempo bom que não volta mais. Não foi à toa que Ademir ganhou, na sua época de jogador, o apelido de ‘Divino’. Os cabelos louros o identificavam facilmente em campo. Mas, não mais do que seu futebol vistosoe imponente.

No final de 2013, Ademir esteve em Belo Horizonte a convite de torcedores palmeirenses que residem em Belo Horizonte. Juntos, eles acompanharam um dos jogos do time paulistano pela série B ao lado do maior ídolo do clube. “Mesmo na segunda divisão, sentimos o entusiasmo da torcida. Agora, é pensar no ano que vem, espero que o Palmeiras esteja bem. A torcida vai marcar presença, tenho certeza. É muito bom sentir esse carinho de perto, até de moças e jovens que não me viram jogar”, comemora o ex-jogador.

Ciente dos problemas financeiras do Palmeiras, Ademir mostra confiança em um 2014 com resultados positivos dentro da elite do futebol nacional. Para ele, será um ano de reestruturação. “Será preciso testar o time no Paulista e ver quais são as carências. O problema é que hoje as contratações são muito caras. O jogador brasileiro tem preferido ir para o exterior muitas vezes”, lamenta, mostrando a diferença que existe de hoje para sua época, quando todos os craques do futebol brasileiro atuavam por times do país. 

Uma das maiores dúvidas do Palmeiras para o próximo ano é sobre a permanência ou não do técnico Gílson Kleina. Nem a vitoriosa campanha na série B assegura o comandante. “Eu sempre acreditei que o técnico campeão tem que continuar. Mas precisamos saber o que se passa na cabeça do diretor (José Carlos) Brunoro.

Uma das maiores decepções na carreira de Da Guia foi ter atuado pouco pela seleção brasileira. Mesmo desfilando seu talento pelos campos do Brasil, as convocações para o escreve canarinho foram poucas, apenas 14. Sua contribuição pela seleção brasileira poderia ter sido muito maior além do único jogo na Copa do Mundo de 1974, quando atuou no último jogo, na disputa de 3º lugar contra a Polônia. “Eu não tive chance na seleção. Quando o Zagallo me tirou e colocou o Mirandinha, que era o centroavante, ele colocou pra ganhar o jogo, mas acabou perdendo a partida. Mas foi um presente de Deus eu ter participado e ter entrado no último jogo. Nunca critiquei o Zagallo, só acho que eu merecia jogar mais. Mas grandes jogadores ficam de fora da seleção, o Dirceu Lopes é apenas um deles”, recorda Ademir.

A qualidade e o talento parecem que estão no sangue. Ademir era filho de outro gênio do futebol brasileiro, o zagueiro Domingos da Guia. A responsabilidade de manter a tradição da família agora está com o filho de Ademir, conhecido como Ademirzinho. “Ele está bem, mas já está com 23 anos.

O problema dele é que ele jogou muito salão, falta um pouco de noção de posicionamento. Eu falo com ele, mas o pai, nestas horas, faz pouca diferença”, comenta.

Sobre a pressão que o filho pode sentir por carregar um sobrenome de tanto peso, Ademir desconversa. “Isso não acontece comigo. Para mim, foi muito mais difícil. Futebol é um jogo coletivo e você precisa ter um colega que dê um passe legal e jogue bem”, comenta.

 

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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