O profissionalismo acima de tudo

Rafael Miranda

O volante Rafael Miranda não esconde ser torcedor do Atlético, apesar do profissionalismo falar mais alto na sua profissão

 

Hoje ou em qualquer tempo, é impossível trabalhar com futebol sem ter um time do coração. Tal fato, para atletas e jornalistas, pode atrapalhar em algum momento, seja pelo receio de pessoas que preferem levar mais em conta o fato do cidadão ter a preferência por um clube do que analisar sua conduta profissional. 

Nunca conheci um jornalista que não tivesse um time do coração. Não conheço alguém que gosta tanto de futebol, a ponto de trabalhar com ele, e ainda assim não torça por um time. Todos nós lidamos com a necessidade de separar as coisas. Torcer, nunca distorcer. E na hora de exercer o ofício, nunca deixar o coração falar mais alto que a cabeça”, indica Leonardo Bertozzi, comentarista dos canais ESPN. Atleticano assumido, Léo mostra a mesma postura seja para falar sobre seu time, sobre o Cruzeiro ou qualquer outra equipe.

Por mais que a opinião de algumas pessoas possa levar em consideração o time do coração do profissional, a postura dentro do meio de comunicação deve ser o fator a ser analisado pelos torcedores, que precisam entender que esta é uma situação natural para quem se relaciona, direta e cotidianamente, com o futebol.

Se você torce para o time A e o elogia, é porque é torcedor. Se o crítica, é demagogo. Se elogia o rival, quer fazer média, se o critica é porque o persegue. As pessoas passam a se preocupar mais com isso do que com o conteúdo de uma informação. Já fui ‘acusado’ de atleticano e cruzeirense por uma mesma afirmação no twitter. A mesma frase levou os dois lados a questionarem a que clube torço. E o que eu quis dizer mesmo, passou batido”, lembra Marcelo Bechler, comentarista das Rádio Globo-CBN (SP), deixando claro como alguns torcedores ainda têm dificuldade de absorver tal realidade. 

A postura ideal é ser bom profissional. Revelando ou não o clube, é preciso ser um bom jornalista. Muitos dizem abertamente para que time torcem e são ótimos profissionais. Outros não revelam e também trabalham com muita qualidade”, destaca Bechler, que prefere não revelar sua preferência clubística, afirmando ser grande o risco de ser mal compreendido.

Decisão de revelar clube é pessoal

Enquanto alguns jornalistas não escondem seu clube, outros preferem ficar no anonimato. O momento ideal pode ser um para alguns e outro para os restantes.

Acho que, no início da carreira, o jornalista tem ainda mais a perder, quando revela seu time. Por outro lado, se mostra transparente e se despe de qualquer pudor para criticar e informar. O problema, muitas vezes, não é o jornalista. É o público e a falta de aceitação”, revela Bechler. 

Bertozzi concorda com a visão. “Naturalmente, se você já tem algum tempo de carreira e uma posição consolidada na mídia, é mais “fácil” lidar com o time do coração. Mas vejo diferença entre revelar e não esconder. Eu nunca escondi”, indica o comentarista.

As mídias sociais são algumas das ferramentas pode pode-se conhecer, com facilidade, o clube do coração de famosos jornalistas. Bertozzi as utiliza com frequência e moderação ao mesmo tempo. 

No facebook, espaço que reúne, em tese, apenas seus amigos e conhecidos, acho natural falar com mais liberdade sobre o time do coração. Em outras, como o twitter, aberto a todo tipo de seguidor, acho melhor uma postura mais profissional e comedida”, admite. 

Entre os jogadores de futebol, não são poucos os casos de atletas que revelaram seu time do coração, mas que mostram uma conduta condizente com sua profissão ao jogar por outras agremiações e até por times rivais. Ex-jogadores como Reinaldo e Toninho Cerezzo que o digam. Atleticanos de coração, defenderam o Cruzeiro e não levaram em conta o fato de terem no atual campeão da Libertadores sua referência clubística.

Atualmente, o volante Rafael Miranda, do Bahia, é outro, que foi formado no Atlético e já revelou ser torcedor do clube mineiro. Pelo Cruzeiro, Tostão também nunca escondeu que torce para o time celeste, mesmo tendo atuado, com o mesmo afinco por outros clubes, como o Vasco da Gama.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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