Treinador dinamarquês é um dos responsáveis pela evolução do handebol feminino do Brasil

cinara picollo-photo e grafia

Morten Soubak teve, na seleção feminina, a primeira experiência em um time adulto (crédito: Cinara Picollo – Photo & Grafia)

Um dos responsáveis pela importante evolução do handebol feminino brasileiro nos últimos anos mostra-se orgulhoso dos resultados e da contribuição realizada. O técnico dinamarquês Morten Soubak, comandante da seleção brasileira desde 2009, tem direta contribuição no novo patamar alcançado pelo time, que chegou à sexta posição nas Olimpíadas de Londres no ano passado, melhor colocação do país na história da competição. Na primeira fase, o Brasil fez a melhor campanha entre todas as seleções participantes. Mas, as quartas-de-final reservaram um encontro com a tradicional Noruega, que terminou com a medalha de ouro.

O melhor resultado, até então, havia sido uma sétima posição em Atenas, no ano de 2004. No Mundial de 2011, no Brasil, outro ótimo resultado com uma quinta colocação.

“É uma honra para mim fazer esse intercâmbio cultural e esportivo. Está sendo um sonho para mim. Ter a chance de trabalhar no top do handebol é gratificante. Fico feliz por levar o handebol brasileiro adiante”, comenta Soubak, que, antes de aceitar o desafio, tinha adquirido maior experiência com equipes de base masculinas.

No último mês de agosto, a Federação Internacional de Handebol (IHF, na sigla em inglês) anunciou o resultado da eleição relativa à temporada 2012/2013. Morten Soubak foi eleito o segundo melhor técnico que trabalha com times femininos. Soubak divide as atenções da seleção com o Hypö, time austríaco com o qual a Confederação Brasileira de Handebol mantém parceria e onde joga a base da seleção.

Antes das Olimpíadas, o time irá concentrar suas atenções no Mundial deste ano, que acontecerá entre 6 e 22 de dezembro, na Sérvia.

“Temos que pensar em chegar o mais longe possível. Temos a Olimpíada como ambição, nossa grande meta. Nos últimos anos demos chances para novas meninas e o amadurecimento demora. Mas, mesmo assim, temos uma equipe competitiva para esse Mundial. Se chegaremos entre as melhores, é difícil dizer. Mas estamos trabalhando para isso”, garante o treinador.

A meta já foi estipulada e o trabalho já acontece para que seja alcançada. “O handebol feminino está indefinido quanto aos favoritos. Estão surgindo muitas novidades. A Holanda tirou a tricampeã Rússia do próximo Mundial, a Polônia tirou a Suécia. Montenegro é vice-campeã olímpica e campeã europeia, a Sérvia segue forte. Estamos contando com mais seleções de nível e aumentando o número de países com chances. Espero que possamos ficar entre os oito, ao menos”, projeta.

 Brasil tem qualidade e profissionais para elevar nível do esporte

Apesar da sua presença melhorar o nível do handebol feminino brasileiro, Soubak elogia os profissionais que trabalham no país há mais tempo.

“Temos bons técnicos dentro do Brasil, que podem fazer grandes trabalhos no futuro. Meu acordo vai até 2016. Não conversamos sobre o futuro, mas poderia ficar mais tempo”, mostra o comandante, deixando claro que existe sim o interesse de extender seu vínculo com a Confederação.

A história de Soubak no Brasil é antiga. Ele teve duas experiência em times paulistas antes de assumir o comando da seleção feminina. “Meu primeiro encontro com o país foi em 1995, quando treinei o time do Osasco. Foi uma experiência maravilhosa, pude conhecer e viver a cultura daqui, além do próprio handebol. Naquela época, porém, o nível era outro e os próprios atletas não eram profissionais”, lembra, mostrando uma realidade bem diferente da atual.

“Voltei em 2005. Fui para o Pinheiros e já foi bem diferente. Era um clube profissional, com estrutura fantástica, onde minha permanência durou três anos. Foi fantástico. A terceira parte foi logo na sequência, quando mudei do masculino para o feminino e fui trabalhar em uma seleção adulta pela primeira vez na minha carreira”, recorda.

Acostumado com um trabalho de base em seu país, onde as crianças aprendem o handebol desde os primeiros anos de vida, ele aponta esta como uma das diferenças principais para a disparidade entre o Brasil e outros países no aspecto técnico e tático.

“O handebol da Europa é diferente. Nos países nórdicos, o esporte é algo das escolas e não dos clubes, como no Brasil. Lá, o primeiro encontro da criança com o handebol é aos quatro anos, enquanto aqui é na adolescência, muito tarde. É uma diferença cultural muito grande e nós estamos começando o handebol muito tarde em relação a outros países”, mostra. “A organização da Dinamarca, por exemplo, já dura 20 ou 30 anos, com uma estrutura muito forte desde os pequenos. Isso ajuda no desenvolvimento do esporte, basta ver tudo o que eles ganharam nos últimos 25 anos”, completa.

Os anos no país fizeram Soubak ter que se acostumar com brincadeiras. “Estou totalmente adaptado ao país. As pessoas brincam que eu virei um pouco baiano, porque gosto muito de ir para a Bahia. A verdade é que antes mesmo de vir trabalhar aqui, já apreciava o Brasil. Já tinha passado férias, conhecia vários lugares. Hoje, sou casado com uma brasileira de família paulista e tenho filhos brasileiros também”, comemora.

Brasil já olha para 2016 e conta com presença da melhor do mundo no elenco

O foco principal do trabalho de Morten Soubak à frente da seleção brasileira feminina de handebol é as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. A expectativa é de um resultado ainda melhor do que o de 2012, até pela evolução que as jogadoras brasileiras devem apresentar até lá. A experiência das atletas fora do país é motivo de engrandecimento dos desempenhos dentro de quadra.

“Acho que muitos componentes ajudaram na evolução do Brasil. O principal é que muitas de nossas meninas passaram a atuar na Europa e chegaram em clubes fortes, ligas importantes. São atletas em crescimento, que amadureceram e adquiriram bagagem. Essa mistura de realidades está dando certo e espero que possamos melhorar mais, continuar nossa meta de alcançar uma medalha olímpica ou um pódio mundial”, relata o treinador.

Uma das peças mais importantes do elenco é Alessandra, considerada a melhor jogadora do mundo na modalidade, desbancando atletas de alto nível de países com mais tradição e títulos na modalidade.

“A Alê representa muita coisa para nós. É uma das mais experientes da seleção, totalmente esforçada no trabalho que faz. Está melhorando cada vez mais, mostrando para todo mundo que tem qualidade, que o Brasil também tem jogadoras que podem chegar longe. Nesse sentido, ela representa muito para nós, é um exemplo para meninas e meninos mais jovens, que sonham em ir longe na carreira”, elogia o treinador.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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