Teliana Pereira é a nova referência do tênis feminino brasileiro

cbt

Com 25 anos, Teliana encontra, atualmente, seu melhor momento na carreira (crédito: CBT – Divulgação)

Poucos tenistas brasileiros têm a história de vida de Teliana Pereira, atleta que está na 92ª posição do ranking da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP). Ao contrário de muitos, que possuem uma origem em situações de boa condição sócio-econômica, Teliana chegou ao tênis de forma inesperada, na carona da tentativa do pai em buscar uma melhor condição de vida. A família, há 18 anos, deixou o distante povoado de Barra de Tapera, em Pernambuco, rumo à Curitiba. “Alguns tios moravam na capital paranaense. Assim que chegamos, meu pai conseguiu um emprego em uma academia de tênis, onde fazia a manutenção das quadras. Eu o acompanhava na parte da tarde, pegava bolinha nas quadras para ajudar na renda. Foi ali que tudo começou”, recorda a jogadora, que, mesmo nordestina, mostra um sotaque sulista, fruto de quase duas décadas na região.

Aproveitando que o irmão mostrava evolução no tênis, Teliana começou a bater sua bola, despretensiosamente. “Eu nem pensava em ser atleta, era só de brincadeira. Aos 14 anos, que vi que poderia viver do esporte, depois de conseguir bons resultados em torneios”, mostra.

O responsável pelo crescimento de Teliana e pelo acolhimento que a família teve na capital paranaense foi Didier Rayon, técnico e dono da academia. “Ele foi um segundo pai para mim. Eu passava mais tempo com ele do que com meu pai, em um período onde aprendi muito. Tudo que ele fez, foi de coração, sem esperar nada em troca. Devemos muito ao Rayon”, agradece Teliana, esbanjando simpatia nas palavras.

Assim como Guga foi uma referência para o crescimento do tênis masculino no Brasil, Teliana acredita que seus bons resultados e sua evolução no esporte podem fazer dela um espelho para outras atletas. Em outubro, ela chegou a ocupar a posição de número 88 do ranking, depois de ganhar títulos em Mont-de-Marsan, St. Malo e Sevilha. Desde 1990, o Brasil não colocava uma tenista entre as 100 melhores do mundo. “Existe uma pressão nisso, mas tento levar da melhor forma. O tênis feminino carece de uma referência, alguém para puxar os mais novos. Isso ajuda demais. Mas, grande parte disso, se deve aos treinamentos. É preciso dar tudo de si todos os dias”, coloca a alagoana. Como em seu povoado não existia maternidade, Teliana acabou nascendo no Estado que faz divisa com Pernambuco.

Mesmo humilde, Teliana almeja melhores dias. “Este ano foi melhor do que eu esperava. A meta era ficar entre as 110 e entrei no top 100. Para o ano que vem, quero jogar todos os Grand Slams e espero que isso aconteça”, projeta.

A história e a perseverança de Teliana podem fazer dela a mais nova referência do tênis brasileiro. As dificuldades da infância servem de motivação e os resultados conquistados até hoje mostram que degraus ainda mais altos podem ser alcançados.

 

Anúncios

Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s