Um perigo nas alturas: choques de cabeça são cada vez mais comuns no futebol

 

bota

Jogadores consideram choques normais; toca de natação é a alternativa mais usada para estancar o sangue (crédito: Vitor Silva – SSPress)

Basta uma bola lançada ao alto para muito torcedor virar o rosto. O índice de lances onde jogadores se chocam de cabeça e criam uma cena não muito agradável tem aumentado a cada temporada, basta observar para ver e continuar se impressionando.

O maior preparo físico e o excesso de vontade, às vezes, atrapalham em lances que poderiam ser evitados.  Toda a força que seria colocada numa bola que iria para longe pode acertar em cheio um adversário e causar problemas graves, que recebem atenção dos profissionais da saúde.

“O risco do trauma na região da cabeça é de grande preocupação das entidades médicas ligadas ao esporte. O tema é sempre discutido em reuniões e congressos, pensando na proteção do atleta e em minimizar os riscos e consequências”, destaca Sérgio Freire Júnior, médico do Cruzeiro.

Dois dos lances que ficaram marcados aconteceram com zagueiros do Atlético. Rafael Marques, em jogo contra o Santos, pelo Brasileiro do ano passado, chocou-se contra o companheiro Leonardo Silva e caiu desacordado. A dificuldade que a ambulância teve para entrar no gramado da Vila Belmiro causou o atraso do atendimento do atleta, que teve que ser levado para um hospital de Santos, sendo liberado somente no dia seguinte.  ”Uma adequada condição de atendimento no estádio e no transporte podem ser úteis para que as consequências sejam minimizadas”, declara Sérgio Freire.

O outro lance com jogador atleticano foi com Réver, em jogo contra o Guarani de Divinópolis, no Campeonato Mineiro deste ano.  “Recebi uma pancada sem maldade e sofri um corte. Tentei voltar para o jogo, mas fiquei tonto e precisei ir para o hospital. Recebi 26 pontos, com um corte de 12 cm”, lembra o zagueiro.

(Muito) Além da vontade

A maldade também contribui para o agravamento de algumas lesões. Quantos não sobem para o salto com o braço levantado? “Esses lances acontecem, mas não são muitos. Meu pai sempre me alerta sobre o cuidado que deve ser tomado nestes lances”, declara o zagueiro Leandro Almeida, do Coritiba.

“Acho que alguns jogadores deixam o cotovelo ou levantam o braço demais. Mas em muitos lances é excesso de vontade mesmo”, comenta Réver, que já teve que recorrer a algumas alternativas para voltar ao campo após sangramento.

A mais comum é uma touca de natação, que substitui as conhecidas gazes, que costumam se soltar facilmente.

Sérgio Freire já se acostumou a atender caso de jogadores que se chocaram após jogadas aéreas. Para ele, o árbitro deve ser rigoroso afim de evitar uma frequência destes lances perigosos.  “A principal forma de prevenção em traumas como estes é através de punições severas em lances agressivos. A FIFA orienta a advertência com cartão amarelo quando um jogador disputa a bola com o cotovelo acima da cabeça”, lembra o profissional.

Outro caso marcante aconteceu com o meia brasileiro da Lazio, Hernanes, se contundiu pelo Campeonato Italiano, em janeiro, em jogo contra a Juventus.

Depois de choque pelo alto, ele desmaiou e teve que ser encaminhado a um hospital de Roma, recebendo alta apenas dois dias depois. Foi-lhe recomendado 20 dias de descanso e o meia desfalcou a seleção brasileira no jogo contra a Inglaterra, em Wembley.

Apesar do susto, Hernanes revelou que gostaria de jogar no final de semana seguinte, mas foi impedido pela equipe médica da Lazio. Mesmo quando os sinais são poucos, toda precaução é válida pela equipe médica. “O retorno do jogador depende da sua evolução clínica. É sempre bom acompanhar de perto o desenvolvimento do quadro do atleta”, concluiu Sérgio Freire.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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