Líbero Arlene mostra gratidão e muita felicidade no retorno ao Minas

mariela

Jogadora terá função de passar experiência para as mais novas (crédito: Mariela Guimarães)

A alegria e a satisfação de Arlene podem ser notados no seu olhar e no tom de voz. Com 43 anos, ela retorna ao Minas Tênis Clube, que abriu as portas para seu início de carreira profissional aos 20 anos. “É algo inexplicável retornar e ver vários funcionários ainda presentes lá, mesmo em outras funções. A estrutura do clube é outra, mas o amor que nutro pelo clube é o mesmo, desde então. Estou muito feliz com esta volta. O grupo está muito comprometido e está sendo uma honra fazer parte deste elenco. Há muito tempo não me sentia desta forma”, comenta Arlene, mostrando espírito de novata.

“Farei parte de um projeto que, certamente, dará muitas alegrias no futuro”, projeta a líbero, que terá uma função especial dentro de quadra. Sob o comando de Marco Queiroga, o Minas participará da Superliga com uma equipe nova, recheada de jogadoras com idade juvenil. A mais experiente do time será Arlene, que terá a responsabilidade de ser uma treinadora, mãe, defensora e psicóloga dentro de quadra.

“O set de 21 pontos vai diminuir a participação do treinador. Então, terei mais chances de puxar as meninas, chamar a atenção e tentar ajudar. Mas tudo dentro de um planejamento, sabendo que cada uma tem sua responsabilidade. Está sendo muito bom fazer parte de um grupo novo, mas com muitas meninas que sabem bem o que querem”, elogia. Antes do Minas, Arlene teve função parecida no Mackenzie há duas temporadas.

Apesar de admirar o treinador com quem trabalhará, Arlene ainda não teve a oportunidade de ser comandada por Queiroga. “Será a primeira vez que estaremos juntos. Mas sempre tive muita vontade de ser atleta dele, já que os elogios foram muitos. Antes, a gente só se cumprimentava. No ano passado, quando joguei no Praia Clube com a Herrera, ela também falou muito bem dele e esse interesse só aumentou. Acredito que essa parceria vai dar muito certo”, projeta a jogadora, que trocou de time com a também líbero Tássia, que estava no Minas e agora vai integrar o time de Uberlândia. “Fiquei sabendo do interesse do Praia de mudar de líbero no meio da Superliga. Claro que a gente fica chateada, mas sempre fui muito profissional e soube encarar isso bem. O mais importante foi ter feito meu melhor durante todo o período que joguei lá”, garante.

A jogadora pede paciência e compreensão da torcida nesta nova fase do Minas. “Entraremos com um time muito novo e vitórias e derrotas vão acontecer. Os torcedores do Minas são técnicos e cobram muito. Sei dessa pressão. O que pode incomodar é a forma como vamos ganhar ou perder. Mas entraremos para jogar de igual para igual e fazermos o nosso melhor”, mostra.

Apesar da idade superior à das colegas, Arlene treina da mesma forma, tanto na quadra como na musculação. No entanto, o fato de ser líbero ajuda na sua extensa continuidade nas quatro linhas. “Claro que a posição ajuda, já que não salto. Mas a movimentação no fundo de quadra é constante, é preciso se abaixar o tempo todo e isso desgasta muito. A explosão na parte defensiva exige demais, mas o amor que tenho pelo vôlei me faz continuar ativa e com boas condições físicas”, indica, dando importante crédito para todos os preparadores físicos que a ajudaram durante sua trajetória. Antes da posição de líbero ser criada, Arlene jogou em todas as funções, com exceção da posição de levantadora.

Família foi motivo para recusar propostas de fora

A qualidade e a técnica de Arlene lhe renderam convocações e muitos convites para jogar fora do país. No entanto, a vontade de estar perto da família fez com que ela recusasse todas as propostas que chegaram do exterior. “Em todas as temporadas, tive a chance de atuar fora. Mas sou muito apegada à minha família, meus pais já estão em uma idade mais avançada e é muito bom estar ainda mais perto deles. Em outros times, eu estava próximo, mas agora estou de volta à casa onde nasci (no bairro Maria Gertrudes, em Contagem). Não troco minha família por nada”, crava a jogadora, que teve um dos episódios mais tristes de sua carreira enquanto estava fora do país.

“Eu fazia parte da seleção e disputávamos um torneio na Alemanha. Meu irmão teve um acidente de carro e entrou em coma, só fiquei sabendo que voltei ao Brasil. Foi uma situação complicada”, lembra a jogadora, que mostra uma postura distinta de tantas outras, que não pensaram duas vezes antes de aproveitar a chance de jogar no exterior e garantir sua independência financeira. O lado fraterno de Arlene falou mais alto durante toda sua carreira e os resultados aconteceram tanto dentro como fora de quadra, com o reconhecimento que recebeu e com a longevidade que parece não ter fim. “Quero fazer parte do futuro deste projeto do Minas, mesmo se eu não estiver mais jogando. Quero estar por perto e ajudar como for possível. O Minas abriu as portas para mim e ganhei o mundo.
Não tenho palavas para agradecer e demonstrar a felicidade que sinto hoje”, declara.

 

Anúncios

Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s