Fundistas do Fiat-Minas contam segredos para tricampeonato do José Finkel

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Com apenas 18 anos, Carolina Bilich fez parte do grupo campeão do Minas após participar do seu primeiro Mundial (crédito: Orlando Bento)

O inédito tricampeonato da equipe de natação do Fiat-Minas veio acompanhado por uma marca importante nas provas de fundo (400, 800m e 1.500m). O clube da Rua da Bahia não deu chances para os adversários quando o assunto era resistência. Nomes como Poliana Okimoto, Carolina Bilich, Juan Pereyra, Lucas Kanieski e Marcos Oliveira fizeram com que o Minas conquistasse importantes pontos e, mais do que isso, colocasse no pódio somente atletas do clube, como aconteceu nos 400m e 1.500m livre masculino. “Teve final onde seis dois oito atletas eram do Minas, revelados pelo técnico Dudu (Eduardo dos Santos). Isso não é comum e mostra a competência dele”, relata Juan Pereyra, que é só elogios para o treinador.

“Poucos conseguiram este feito. Ele tem um dos melhores programas do país
para nadadores de fundo, focando nas Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016. Lembro de ter chegado aqui e, mesmo com a presença do Fernando Vanzella – hoje treinador da seleção feminina do Brasil – ter feito questão de ser treinado por ele. Nesta época, eu já conhecia a sua capacidade”, comenta Pereyra. Os atletas tiveram que superar o frio, que ficou abaixo dos 10ºC. “Isso incomodou não somente a nossa equipe, mas as outras também. Acho que quem soube tirar isso da cabeça se deu melhor”, analisa a jovem Carolina Bilich, de apenas 18 anos, que foi para o José Finkel recém-chegada do seu primeiro Campeonato Mundial. “Cheguei mais aliviada, com menos pressão. O Mundial foi uma experiência muito bacana e não demorou para encontrar meu melhor ritmo. Me soltei aos poucos”, lembra.

A baixa temperatura impediu que melhores tempos fossem conquistados. “Tenho certeza de que eu conseguiria bater o recorde sul-americano, por exemplo. O frio impede até um melhor aquecimento. É complicado exigir um resultado de verão quando se compete no frio, em uma piscina descoberta, no meio de São Paulo, durante o mês de agosto”, brinca Pereyra. Para Dudu, o aquecimento que os atletas realizam antes das provas, dentro da piscina, ficou de lado. “Isso poderia deixá-los com mais frio ainda”, comenta.

Conhecimento dos adversários ajudou minastenistas

Eduardo dos Santos tem boa parcela de responsabilidade nos resultados das provas de fundo do Minas. Apesar de cada atleta ter uma estratégia durante a prova, ele soube dar dicas de concorrentes aos seus comandados. “Em uma das provas, alertei que o Léo de Deus começaria com tudo e não deu outra. A ideia era ficar na cola dele e quando ele cansasse, a gente partia para cima e fechava a prova. Deu certo”, analisa.

O mesmo aconteceu com Carolina Bilich, que tinha a companheira de clube Poliana Okimoto como principal adversária nos 400m livre. “Avisei que a Poliana ia começar forte. Ela abriu muito e ficou difícil da Carol chegar perto. Mas, mesmo assim, ela fez uma excelente prova”, afirma.

Para os atletas de fundo, a estratégia deve ser diferente, dentro e fora da piscina. “O trabalho físico é focado em mais resistência e menos explosão, ao contrário dos atletas de provas curtas, onde a velocidade predomina. O número de dobras – treinos pela manhã e à tarde – também é maior e costumam durar mais”, mostra, deixando claro que o esforço de quem escolhe por provas maiores é ainda maior.

No entanto, quando resultados positivos como os conquistados no José Finkel aparecem, tudo vale a pena. Frio, treinos dobrados, cansaço e concorrentes ficam para trás e fazem tudo ter valido a pena. Mas, por pouco tempo. “Comemoramos hoje e amanhã já temos que estar focados na próxima competição”, detalha o também técnico Marcelo Vacari.

Confira alguns resultados positivos do Fiat-Minas nas provas de fundo do Troféu José Finkel de natação

Ouro

– Poliana Okimoto – 1.500 m livre – 16min26seg90 – Recorde Brasileiro e Recorde de Campeonato

– Lucas Kanieski – 1.500 m livre – 15min29seg08

– Poliana Okimoto – 800 m livre – 8min44seg26

Juan Pereyra – 800 m livre – 8min07seg63

– Poliana Okimoto – 400 m livre – 4min14seg56

– Juan Pereyra – 400 m livre – 3min53seg73

Prata

– Juan Pereyra – 1.500 m livre – 15min34seg85

– Wendy van der Zanden – 400 m medley – 4min54seg11

– Carolina Bilich – 800 m livre – 8min53seg36

– Lucas Kanieski – 800 m livre – 8min08seg78

– Carolina Bilich – 400 m livre – 4min16seg78

– Miguel Valente – 400 m livre – 3min54seg15
Bronze

– Marcos Oliveira – 1.500 m livre – 15min34seg95

– Marcos Oliveira – 800 m livre – 8min09seg45

– Marcos Oliveira – 400 m livre – 3min54seg62

 

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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