Comissão de atletas da Superliga comemora primeira vitória

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A incerteza da continuidade de muitas equipes da Superliga masculina deixou torcida, jogadores e demais envolvidos apreensivos com o futuro da competição nacional, considerada uma das maiores do mundo. A presença de patrocinadores é mais do que necessária para a manutenção e fortalecimento das equipes e foi pensando em uma maior visibilidade das empresas investidoras que alguns jogadores da Superliga resolveram se unir para levar à Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) algumas ideias de melhorias.
“O que posso dizer é que estou preocupado. Temos algumas equipes que jogaram a última Superliga que não sabem se participarão da próxima temporada. Queremos dialogar com a entidade e levar nossas ideias e propostas. Temos que resolver essa situação o quanto antes”, comenta o central Gustavo, de Canoas, um dos representantes da comissão de atletas.

Um dos objetivos da comissão foi conquistado na última segunda, quando a CBV anunciou que as três próximas edições da Superliga terão um mês a mais de duração, começando em outubro e terminando em maio, dando mais espaço para os patrocinadores.

“Esse foi um primeiro passo de uma escada que tem vários degraus. Teremos muito trabalho, já que pensamos num planejamento longo, traçando o calendário até
2016”, destaca Renato D´Ávila, superintendente da CBV.

O resultado foi comemorado pelos jogadores, que estavam ansiosos pela mudança. “Foi ótimo. Reunimos grande parte dos representantes das equipes masculinas e femininas e demos um grande passo em prol do vôlei brasileiro. Com certeza vamos crescer com essa reunião. Espero que a gente consiga aprovar o calendário o quanto antes para, então depois, começar o debate sobe os outros assuntos que também são pertinentes a todos”, disse Gustavo.

A aprovação do calendário precisa passar pela definição do número de equipes que vão disputar a competição. A CBV aguarda a confirmação para divulgar a tabela completa, que poderia incluir novas competições como a Copa Brasil e a Copa Sul-Americana. Enquanto os jogos da Superliga aconteceriam nos finais de semana, as partidas dos outros campeonatos aconteceriam durante a semana.

“Aproveitaríamos o final do ano, quando o futebol está de férias, para que mais jogos fossem transmitidos neste período. Também gostaríamos de realizar a Copa Brasil neste espaço de tempo, assim como o Jogo das Estrelas, que já acontece no basquete e tem dado um bom resultado para a modalidade. É importante que o campeonato tenha uma duração atrativa para todos. Não podemos parar no tempo e achar que está tudo bom, porque não está”, destaca Gustavo.

O ponta Filipe, do Sada Cruzeiro, esteve na primeira reunião e justificou a importância de passar as ideias dos jogadores para a CBV. “Não tem lógica o campeonato começar só em dezembro. O ideal é ele ser antecipado, ter maior duração, como acontece na Itália. Muitos patrocinadores ficam pagando salários sem o campeonato acontecer, isso é complicado para todos”, afirma o jogador.

Sobre a iniciativa dos atletas, Ary Graça, que até ano passado era o comandante da CBV, acha positiva a iniciativa. “Eu penso de forma exageradamente democrática. Sozinho, ninguém pode tomar decisões. E, se tomar, vai errar. É importante que todos os envolvidos venham com suas ideias e que elas sejam debatidas por todos. Desta forma, a chance de erro vai diminuir bastante”, analisa Graça.

Ele se lembra de reunião parecida feita com os atletas há sete anos. “Na oportunidade, acabamos fazendo um documento de melhoria. Com muito orgulho, afirmo que 95% do conteúdo pedido foi realizado. Mas admito que a situação ainda não está boa, ela pode ser melhorada em muitos aspectos. Mas os interessados precisam vir com propostas efetivas, nunca em benefício próprio e sim pensando no futuro e na coletividade”, detalha o mandatário, que considera o campeonato brasileiro um dos melhores do mundo. “Eu me atreveria a dizer que o Brasil ter o melhor torneio do planeta, muito em função do alto número de campeões olímpicos e mundiais jogando por aqui. Os outros campeonatos não tem isso. A Itália passa por uma grande crise financeira. A liga feminina do Brasil pode ser
melhorada. Se não for a melhor, é a segunda melhor”, garante Graça.

Central prefere olhar para frente a criticar

Perguntado se a iniciativa dos jogadores é consequência de uma demora da CBV em melhorar vários aspectos, Gustavo preferiu pensar nas consequências das reuniões que são esperadas. “Claro que algumas coisas poderiam ter sido feitas, mas agora não adianta ficar pensando no que deixou de ser feito. Temos que aproveitar esta oportunidade para discutir tudo que for possível com os envolvidos. Precisamos buscar evoluções contínuas”, coloca o central.

Outras ideias já foram conversadas com a CBV, como explorar melhor os espaços disponíveis, como a quadra de jogo, onde adesivos com a marca das empresas
poderiam ser colados. A final em jogo único também seria discutida. “Sou a favor de fazer o que estiver ao nosso alcance. Temos que fazer o que é possível para aquele momento. Estamos demonstrando para as equipes que estamos crescendo. Se uma final em melhor de três jogos for o melhor, vamos trabalhar para isso”, argumenta Ary Graça.

Além disso, os jogadores solicitaram um rigor da confederação com os clubes inadimplentes, como acontece em temporadas anteriores com o Londrina e nesta última com o Volta Redonda-RJ. “È importante ter a ajuda da CBV para controlar melhor as equipes. Muitos jogadores atuam durante meses e acabam não recebendo. Uma proximidade maior da entidade com os clubes poderia evitar esse tipo de problema”, comenta Gustavo.

Novas ideias já são trabalhadas

Além do calendário, os jogadores gostariam de outras mudanças durante o campeonato. A presença de mais campeonatos e de um Jogo das Estrelas são duas sugestões dos atletas para enriquecer ainda mais o produto Superliga. “Tenho certeza de que os patrocinadores ficariam satisfeitos de ver, pelo menos, um jogador de cada time neste jogo, usando o uniforme do clube, dando destaque para sua marca. Isso os incentivaria a continuar investindo cada vez mais”, opinia o ponteiro Filipe, do Sada Cruzeiro.

Renato D´Ávila, superintendente da CBV vê a movimentação como positiva, mas afirma que um longo caminho é necessário até lá. “Existe uma boa diferença entre criar estes eventos e viabilizá-los. É preciso que o evento tenha uma razão de existir, que os clubes estejam motivados, que o evento tenha um começo, meio e fim. Mas o primeiro passo já aconteceu com o calendário. Para todas estas questões, é necessário viabilizar patrocínios e conversar com a emissora responsável. Nos próximos meses, devemos ter mais novidades”, destaca Renato.


At.

Daniel Ottoni – (31) 8458-3759
http://www.esportivamente.wordpress.com
http://www.ficaketo.blogspot.com

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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