Líbero do Sada deixa para trás dúvida sobre sua capacidade e afirma interesse em renovação

alex jesus

Serginho, que saiu do Mundial como melhor em sua posição, é uma das referências do atual campeão brasileiro (crédito: Alex de Jesus)

O que não faltam nos elencos de Sada Cruzeiro e Sesi-SP são jogadores de qualidade. As duas equipes fazem uma das semifinais da Superliga masculina de vôlei. Apesar do bom nível dos atletas, dois em especial têm uma função importante, mesmo com boas chances de não serem decisivos no resultado final. Com o mesmo nome, talento e capacidade, os Serginhos, líberos de Sada e Sesi, são destaques de suas equipes e prometem dar a vida para que o menor número possível de bolas caia em sua quadra. “Para um líbero, o que não pode faltar é coragem e confiança. Normalmente, não existe líbero na reserva e a regra não permite substituição, a não ser que você se machuque e a contusão seja comprovada pelo médico de plantão. É uma responsabilidade muito grande. Se você estiver mal na partida, não tem outro jeito a não ser fazer de tudo para mudar o desempenho”, comenta o líbero do Sada.

Serginho, por pouco, teve que se distanciar das quadras de forma definitiva. Depois que subiu de categoria, do juvenil para o adulto, ele foi dispensado pelo Minas Tênis Clube. Testes no Rio de Janeiro e até no vôlei de praia foram tentados, sem sucesso. De volta à BH, o destino o colocou no caminho do técnico Cebola. “Eu estava comprando ingresso pra uma festa e ele apareceu do nada. Falou que o Minas tinha ficado sem patrocínio e que estava montando uma nova equipe, jovem e de baixo orçamento. O time procurava por um líbero e, na hora, falei que topava”, lembra Serginho, que até então jogava como levantador.

“Eu era rápido e habilidoso e isso me ajudou muito no aspecto defensivo. Com os treinos fui me aperfeiçoando o passe. Muitos técnicos me ajudaram muito, desde quando comecei. Entre eles, um russo de nome Mikayl, que foi meu treinador no infanto-juvenil do Minas. A escola russa preza muito pela excelência em fundamentos e ele me ajudou bastante, assim como o já falecido Carlos Eduardo Feitosa”, destaca Serginho.

O estilo de comemorar a todo momento ajuda a levantar a torcida e vem de longa data. “Isso aí aparece desde os tempos em que eu jogava futebol de salão. Sempre fui esse cara guerreiro, raçudo e brigador. Acho que alguns adversários não gostam, acho que sou antipático, mas é o que faço em busca da vitória”, comenta.

Dentro de quadra, Serginho tem suas funções limitadas. Além de passe e recepção, o único fundamento em que ele consegue mostrar habilidade é no levantamento, quando William é o primeiro a tocar na bola ou quando o time está sem alguém da posição em quadra. O fato de ter sido levantador contribuiu.

Os ataques, que nunca foram vistos pela torcida, não dão nenhum um pouco de saudade. Para quem imagina que, nos treinos, ele aproveita para sacar e atacar, a teoria passa em branco. “Faço questão de não fazer nada disso. Nos treinos, foco em tudo que tenho que fazer em quadra, que é defender. Nas minhas folgas, passo longe de quadra de vôlei. Um futebol ou tênis até que vai, mas vôlei pra mim é trabalho e lazer não tem nada disso. Até um ping-pong eu encaro, mas vôlei não, por favor”, brinca.

Aprovado em teste pessoal

Depois de ser eleito o melhor do mundo no Mundial Interclubes, quando o Sada foi vice-campeão, Serginho garante que tirou um pouco do peso que tinha dentro de si com relação à seleção. “Minha dúvida era se eu seria capaz de chegar na seleção e dar conta do recado. Fui convocado apenas uma vez, em 2001, mas nesse Mundial ficou claro pra mim a minha capacidade. Essa era a minha maior dúvida que, finalmente, foi tirada. Joguei contra grandes líberos, campeões olímpicos e considerados os tops na posição e fiquei na frente deles em todos os fundamentos defensivos no Mundia. Pra mim, isso basta para mostrar a minha capacidade”, comemora. “Vivo o dia a dia do clube e me atento mais a isso. Se eu for convocado, vai ser ótimo. Mas, se não for, paciência, acho que já provei o que posso fazer”, garante.

No Mundial, ele saiu com o troféu de melhor líbero e melhor na recepção. O troféu de defensor não lhe foi entregue, por motivo até hoje desconhecido. “Apesar disso, tenho aqui em casa um documento da FIVB mostrando que fui o melhor na defesa. Guardo com muito carinho”, destaca.

Nem tão tranquilo

O nevosismo de Serginho ainda se contrasta com aos 34 anos de idade. 21 deles dedicado ao vôlei. Com nove finais de Superliga, ele pode chegar à sua décima decisão. Até aqui, foram três títulos pelo Minas e um pelo Sada. “O frio na barriga agora aparece ainda mais. Meu sono não é o ideal fico tenso. Penso muito na minha esposa e filha, que dependem muito de mim”, argumenta.

A identificação com o Sada é um fator extra para dar o sangue em cada jogo. Serginho ainda garante que pode entrar para a lista de jogadores que assinam por mais de um ano com seus clubes. “Sou feliz demais e me sinto em casa. Sei que é pouco comum, mas assinaria com o Sada hoje mesmo por cinco anos. Claro que seria bom ter ao lado essas pessoas que são responsáveis pelo sucesso do time, como os jogadores e a comissão técnica. O Marcelo é excepcional, faz um trabalho diferenciado. Quem sabe o vôlei não adota essa característica do futebol de fazer contratos a longo prazo?”, descontrai.

 

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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