Jogadores de vôlei visam formação pensando na aposentadoria

Imagem

Filipe teve influência do pai para se formar em Educação Física (crédito: Renato Leandro)

Por mais que muitos esportistas brasileiros digam que a vida de atleta é curta e que é preciso pensar na aposentadoria, poucos são aqueles que buscam uma formação para ter uma opção assim que sua carreira se encerrar. Ao invés de depender somente das reservas do período ativo dentro do esporte, alguns atletas do vôlei brasileiro preferem fazer uma faculdade e tentar se garantir, mesmo que as dificuldades para conciliar os horários seja constante. “Tive que me virar para conseguir a graduação em Educação Física. Na época, eu já era jogador e tinha treino pela manhã e à tarde. As aulas iam das 13h15 até 16h55 e meu treino da tarde começava 17h. Tinha que pedir para o professor sair mais cedo e muitos não aliviavam. De manhã, o treino ia até meio-dia e era uma correria para almoçar e ir para a aula. Á noite, chegava em casa muito cansado, quase sem condições de estudar. Por isso, me dedicava bastante dentro da sala de aula”, lembra o ponta Filipe, do Sada Cruzeiro, que se formou no final de 2005 por uma universidade de Santo André (SP).

Filipe vê a formação como essencial em uma profissão com a carreira curta. No vôlei, muitos jogadores veem de uma formação mais bem amparada do que no futebol, por exemplo. No entanto, ainda são poucos os atletas que pensam em um futuro não muito distante. “Sabemos que é preciso dar 100% dentro da quadra, mas depois que o corpo não rende mais, fica difícil e é preciso pensar em uma opção. Não basta guardar as economias, a chance de ficar perdido é grande. Como muitos farão para arrumar emprego sem um diploma?”, questiona o ponteiro. “No futebol, é bem raro ver algum jogador formado, mesmo no segundo grau. Isso é preocupante. No vôlei, a situação é menos gritante, mas poderia ser melhor”, comenta Pedro Alzenha, o Pedrinho, ponta e oposto do São Bernardo.

Pedrinho, de 31 anos, teve que se empenhar bastante para conseguir uma gradução. No entanto, sua formação só foi se dar fora do país. “Comecei a estudar jornalismo na USP, mas era em período integral e não tinha como estudar e jogar vôlei. Em uma das competições pela seleção de base do Brasil, fiz contatos com jogadores dos Estados Unidos, que me falaram sobre a possibilidade de jogar e me formar por lá. Mandei vídeos e requerimentos para várias universidades norte-americanas e não demorei a receber retornos. Escolhi pela Universidade do Havaí. Foi uma das épocas mais interessantes da minha vida, aprendi muito e cresci ainda mais como pessoa e jogador”, admite Pedrinho, que disputou o campeonato de vôlei norte-americano entre universidades. “Não sabia ao certo o que queria da vida, não tinha definido se seria atleta ou se seguiria alguma outra profissão. Fui deixando as coisas acontecerem naturalmente, tentei conciliar enquanto pude. Meu pensamento sempre foi de estudar e fazer uma faculdade, isso era o mais importante. As oportunidades foram aparecendo e felizmente foi possível fazer as duas coisas”, comemora Pedrinho.

Uma das experiências mais marcantes de Pedrinho na terra do Tio Sam foi fazer estágio na ESPN, uma das maiores emissoras do mundo especializadas em esporte. “A vivência como jogador facilitou algumas coisas pra mim. Eu já conhecia bem muitos fatores ligados diretamente à vida de atleta”, detalha.

Depois que a carreira de jogador acabar, Pedrinho ainda não sabe o que será. “Quando posso, nas férias, procuro fazer cursos na área de jornalismo, buscando me aprimorar nesta área. Tenho vontade de seguir nessa carreira, apesar de não saber o que será do futuro. Quando parar, vou pensar melhor. Também tenho vontade de continuar no meio do vôlei”, relata Pedrinho.

Uma opção para muitos que não conseguiram se formar é continuar no meio do esporte, aproveitando os contatos que fizeram a carreira e tentar passar um pouco da experiência que adquiriram dentro das quadras. Uma carreira de técnico costuma ser vislumbrada, normalmente começando como assistente de categorias de base para, aos poucos, ir crescendo. Apesar desta possibilidade, buscar uma garantia é sempre vantajoso e diminui as dúvidas e inseguranças quando as quadras forem abandonadas.

Filipe teve inspiração dentro de casa para escolha do curso

A inspiração para Filipe fazer Educação Física veio do pai, figura bastante conhecida em Joaíma, sua cidade natal, no nordeste de Minas. “Ele dava aula de caratê e chegou a ser secretário de esportes do município. Ele fez por muito Joaíma, organizava as competições e as divulgava. Ele também deu aula de várias modalidades em algumas escolas e acompanhei isso de muito perto, sendo até aluno dele. A paixão pela profissão acabou sendo despertada”, comenta Filipe, que também conseguiu uma licenciatura com a gradução em Educação Física, tendo permissão para dar aula quando os passes, ataques e bloqueios ficarem para trás.

Influenciado pelo pai, Filipe passeou por vários esportes, sempre mostrando habilidade em diferentes modalidades, como basquete e tênis. “São todos esportes que adoro. Graças ao meu pai, essa veia esportiva apareceu em mim desde muito cedo”, alegra-se.

Mesmo com boa opção em mãos, ele quer mais. “Penso em fazer um outro curso, talvez de administração. Gosto muito da área de empreendedorismo e seria muito legal abrir meu próprio negócio. Sempre gostei de estudar e para me dedicar a uma empresa minha, é importante ter uma formação. Sou um cara sonhador e algumas áreas me atraem muito. Além do esporte, me interesso pelo ramo alimentício e de fazendas”, detalha o dedicado ponteiro, mostrando fora de quadra a mesma ambição que esbanja dentro das quatro linhas. Apaixonado por esportes, ele não nega a vontade de se manter no vôlei. “Pode ser que eu me torne treinador ou preparador física, duas funções que admiro muito. Quem sabe eu não começo sendo treinador da base para, aos poucos, ir conquistando um espaço maior?”, conclui.

Confira alguns atletas da Superliga que fizeram faculdade. Alguns pararam pelo caminho. Outros, conseguiram a tão desejada conclusão.

Sada Cruzeiro

Daniel – Trancou Educação Física e faz técnico em contabilidade
Maurício – Trancou Educação Física
Serginho – Trancou Administração
Leal – Trancou Cultura Física
Túlio – Trancou Educação Física
Sanchez – Trancou Cultura Física
Douglas Cordeiro – Trancou Educação Física
Kachel – Trancou Educação Física
Acácio – Trancou Arquitetura
William – Trancou Educação Física
Rogério – Formou em Gestão Empresarial

Usiminas/Minas

Lenisse – Faz Educação Física – 4° período
Marcella – Faz Engenharia Civil – 2° período

São Bernardo

Pedro, ponta – Jornalismo
Joel, oposto – Administração
Kátia, levantadora – Arquitetura
Ana Paula Gomes, líbero – Educação Física
Renata Guerreiro, central – Farmácia

Canoas

Dentinho – Educação Física
Rafinha – Educação Física
Pallotti – Relações Internacionais
Bozko – Direito

Vivo-Minas

Victor – Cursa Educação Física
Thiago – Passou em Gestão e Marketing e pretende cursar
Maicon – Trancou Administração
Lucas Lóh – Trancou Administração
Gustavo – Trancou Engenharia Química
Henrique – Trancou Arquitetura
Lukinha – Fez dois períodos de Administração à distância
Marcelinho – Trancou Engenharia
Evandro – Trancou Educação Física

Rio do Sul

Paula Barros – meio de rede – estudando Psicologia
Ananda Marinho – Levantadora – estudando Educação Física
Claudia Souza – meio de rede – estudando técnico em Administração
Elyara Silva – líbero – formada em  Educação Física
Jaqueline Rodrigues de Souza – levantadora – formada em Educação Física

Praia Clube

Sara Caixeta: Formada em Educação Física
Nicole Oliveira: Cursando o 4° período de Educação Física
Camila Adão: Cursando 8° período de Jornalismo

Anúncios

Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s