Escutando a voz da experiência

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Rafa lembra de ajudar o ponta Maurício, hoje no Sada. Para ele, a presença de jogadores experientes no elenco é fundamental. (crédito: Charles Silva Duarte)

Em muitos planejamentos, já pensando em formação de elenco para um time de vôlei, nomes experientes são sempre considerados e tidos como peças importantes para a evolução da equipe.

Exemplos no Brasil não faltam para mostrar que apesar da idade avançada para um esporte de alto rendimento, jogadores mais rodados são sempre bem-vindos e podem sim ajudar muito no crescimento de um time da Superliga nacional. “Alguns jogadores vão além da função de atleta e viram amigos de muitos outros, principalmente pela experiência que adquiriram no decorrer dos anos. No dia-a-dia eles têm uma importância muito grande, principalmente na parte psicológica, ajudando os que ainda têm muito o que aprender”, comenta José Alexandre, técnico do time feminino do São Bernardo Vôlei, que conta com a levantadora Kátia, 37, em seu elenco.

Ela está no time do ABC paulista há três temporadas. No entanto, neste ano, ela está precisando dar um gás a mais para conquistar sua posição. Depois de ser titular nos dois últimos campeonatos, Kátia decidiu retomar a faculdade e retornou ao esporte somente em setembro, perdendo um precioso tempo dentro da equipe. “A bagagem dela é essencial. O vôlei tem se transformado e passado por importantes fases nos últimos anos. A Kátia esteve presente em todos estes momentos e consegue dar ao grupo uma carga de experiência muito importante, que ajuda dentro e fora da quadra. Quanto maior a gama de vivência em situações distintas, melhor para a jogadora e também para o grupo”, destaca José Alexandre.

Quem também joga em São Bernardo, mas no time masculino é o oposto Joel, 37, que participou de várias gerações de sucesso do vôlei brasieiro. Na época da geração de prata, ele estava subindo do juvenil para o adulto e teve a oportunidade de jogar com ícones como Montanaro e Amauri. “Esses caras me ajudaram demais. Boa parte da minha formação deve-se a estes jogadores. Na sequência, joguei com outros atletas, como o Janélson, que também contribuiu bastante”, lembra o jogador, que por pouco não foi para as Olimpíadas de Sidney. Depois de ser cortado nas vésperas dos Jogos, Joel voltou a se convocado em 2004, mas a ida para Atenas também acabou batendo na trave.

Ter atuado em países como Emirados Árabes, Itália, Grécia, Argentina e Japão deram ao jogador uma bagagem ainda maior. Um dos maiores crescimentos na carreira de Joel aconteceu na segunda divisão italiana. “A competição era muito difícil e fiz um primeiro turno muito bom assim que cheguei. No segundo já estava muito bem marcado e tive que estudar outras formas de ataque para sair dessa marcação. Cresci muito nesse período”, lembra Joel, que hoje tem o papel de dar um importante suporte para os mais novos. “Principalmente na equipe onde atuo, com grande número de jovens, tenho uma função importante, que se destaca mais no dia-a-dia do que nos jogos. Nos treinos, posso explicar e mostrar. Nos jogos, entro mais para tranquilizar os garotos. Muitos dos jogadores adversários se aproveitam da nossa baixa média de idade para tentar intimidá-los”, comenta Joel.

Com uma longa caminhada no vôlei nacional, o levantador Rafa, do Canoas, também é um dos mais experientes do campeonato. Aos 36 anos, ele fez sua primeira participação no torneio nacional na temporada 1994/1995, conquistado pelo extinto Frangosul-RS. De lá para cá, são quase 20 anos de muitos treinos e lembranças. “Quem me ajudou muito no começo de carreira foi o Urbaninho, que fez parte do lendário time do Minas que foi tricampeão brasileiro. Eu era gandula dos caras e de repente treinava ao lado deles. Não esqueço disso nunca”, conta Rafa, que vê os mais experientes de hoje em melhores condições. “Antigamente, há um tempo não muito distante, jogadores de 30 e poucos anos já eram tidos como em fim de carreira. Atualmente, temos vários exemplos de jogadores na casa dos 40 dando gás dentro e fora da quadra”, destaca.

Dentro ou fora da quadra, o valor da experiência é inestimável. Passando conselhos ou contando experiências de vida, a intenção é sempre encurtar o caminho dos que ainda têm um longo caminho dentro de quadra. Os próximos experientes são os jovens de hoje, que terão uma boa bagagem no futuro graças aos ensinamentos dos companheiros mais rodados, que fizeram questão de ajudá-los pensando no crescimento não somente do time como do esporte em sim.

 Mais velhos lembram de ajudar iniciantes

A importância de jogadores experientes pode se refletir dentro de quadra, mesmo que eles não estejam presente no sexteto. Qualquer ajuda costuma ser válida. Pode ser uma palavra, um incentivo ou até mesmo algumas aulas particulares, com o único intuito de melhorar o rendimento dos companheiros. Joel se recorda de uma importante ajuda que deu para os companheiros Isaac e Renan, em treino para as semifinais do paulista deste ano. “Ficamos treinando saques e passei algumas dicas, para que eles pudessem acelerar o movimento.A insistência deu resultado: os dois fizeram 12 pontos de saque, juntos. Acredito que tive uma parcela de contribuição”, relata, sem modéstia.

Rafa, hoje no Canoas, se recorda da época do time do Minas, que contava com o ponta Nalbert. “Vínhamos de um título brasileiro e o Nalbert era a principal contratação do ano. Mas ele teve um problema e precisou ser substituído. Quem assumiu a bronca, e muito bem, foi o Maurício, hoje no Sada. Na época, ele tinha 17 para 18 anos, um garoto. Mas ele foi bem demais e acredito que pelo menos uma unha de ajuda eu tive. Não posso garantir isso, mas acredito que ajudei sim”, lembra Rafa, que se mostra feliz ao ver Maurício voando com as próprias asas, atualmente. Na última Superliga, Maurício foi campeão e acabou sendo eleito o melhor jogador em quadra na final contra o Vôlei Futuro-SP.

Rafa garante que sempre tenta passar boas dicas para os mais jovens, sem nenhuma pretensão de ser lembrado. “Não sei até que ponto ajudo ou faço diferença para eles. É difícil falar se tive uma grande ou pequena colaboração. Isso é melhor escutar deles, mas sempre procuramos contribuir na evolução dos que estão começando”, indica.

 

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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