Hóquei supera dificuldades e vislumbra mudança na realidade

Modalidade, ainda pouco praticada, é movida pela paixão dos envolvidos (FPHP – Divulgação)

O Ginásio do Califórnia, em Contagem, receberá entre sexta e domingo a segunda etapa do Campeonato Brasileiro de hóquei-inline, principal competição da modalidade. Depois da abertura em Curitiba, chega a vez de Minas Gerais sediar a competição, que será organizada pela Federação Mineira de Hóquei e que contará com grandes equipes do país.

Quem comparecer ao evento, que terá entrada gratuita, não deve imaginar nas dificuldades que são vividas diariamente por todos os envolvidos, desde jogadores, até organizadores e membros das comissões técnicas. Muitas vezes, inclusive, essas funções são desempenhadas pela mesma pessoa, como é o caso de Luiz Koenen, 32, atacante do América Mineiro, único representante do Estado nesta etapa do campeonato. Além de atleta, Luiz é, também, o treinador da equipe e ainda presidente da FMH (Federação Mineira de Hóquei). Como o esporte é amador, ele precisa buscar rendar por meio de uma profissão que lhe ajude nos custos de compra de equipamento e viagem. Formado em engenharia mecatrônica, Luiz é representante comercial em uma empresa de cargas.

“Não é nada fácil acumular estas funções. Apesar de ter o respeito de todos os jogadores, que sabem bem como funciona a hierarquia dentro do time, é complicado ter que me preocupar com várias coisas ao mesmo tempo, principalmente durante os jogos. O ideal seria que uma pessoa de fora ficasse por conta da orientação e definição do time, até porque este responsável teria uma visão externa, diferente de quem está dentro de quadra. No meu caso, a evolução como jogador fica bastante limitada”, admite Koenen, integrante da seleção brasileira que ficou em 10º lugar no Mundial da Colômbia, em julho. Além dele, o América também conta com outra selecionável, o goleiro Wellington.

A liderança de Koenen é reconhecida, mas as diversas tarefas impedem que um único foco seja estabelecido. “Quem participa ativamente são jogadores ou pais de jogadores. Isso gera um grande stress. É difícil aparecer alguém para ajudar, organizar e promever. Fica tudo por conta de nós mesmos”, lamenta.

À frente da FMH desde 2010, depois de se ambientar na entidade como vice entre 2008 e 2010, Koenen lamenta a não participação de todo o elenco americano em algumas situações. “Nem todos do time possuem condições de pagar de R$ 500 a R$ 600 para participar de um campeonato de três dias fora do Estado. Em muitas oportunidades, fomos com o time incompleto, o que acabou afetando no resultado final da competição. Quando apenas um dos grandes jogadores não comparece, a diferença dentro de quadra é enorme”, comenta.

Como forma de superação, muitos jogadores abrem mão do convívio com as famílias para estar presente nos treinos e campeonatos. “Em algumas situações, alguns integrantes levam mulher e filhos para a viagem. Assim eles evitam a distância e conseguem participar dos torneios”, mostra o goleiro Wellington, 26, que até o ano passado integrava o Contagem Flammings. “O que mais me motivou para mudar de time foi a carona que o Luiz me dá para os treinos. Antes eu treinava uma vez por semana e agora, com esse suporte, treino de três a quatro vezes”, exemplifica, mostrando apenas uma das dificuldades do apaixonados praticantes. Wellingon participa dos treinos após trabalho como técnico administrativo e das aulas à noite.

Palco

Os treinos acontecem no Ginásio do Califórnia, graças a um importante apoio da prefeitura. O poliesportivo é considerado o melhor do Brasil para a prática do hockey-inline e é o único local onde os treinos acontecem. “Fico feliz de ver que, todos os dias, existe por lá a prática do hockey. No entanto, para treinarmos, precisamos dividir o espaço com a comunidade e outras modalidades”, destaca. Na semana que antecede o campeonato, os treinos acontecem no horário alternativo das 22h.

Várias tentativas de treinos em outros lugares foram frustradas, tanto pela estrutura como pelo preconceito de outros praticantes. “É preciso realizar algum tipo de alteração nestas quadras de outros esportes e isso nem sempre é possível. Em algumas situações, o pessoal não nos deixa jogar, dizendo que vamos estragar a quadra. Isso não procede, é desculpa para não ter um concorrente no lugar”

Bem representados

A parceria com o América acontece desde 2009 e rende uma boa carta na manga no momento de buscar patrocínios. “É diferente quando você chega em uma empresa mostrando o escudo de um clube tradicional. A visibilidade e a aceitação são diferentes e isso contribui. Já conseguimos dois patrocínios para este ano, que nos ajudaram na produção de banners e uniformes. Para o próximo ano, queremos estender os investimentos, tendo algum tipo de ajuda em hospedagem, alimentação ou transporte”, projeta. Para isso, bons resultados são fundamentais.

Para trazer para Contagem uma etapa do Campeonato Nacional, não foi nada fácil. “Isso tudo só se deu devido ao grau de envolvimento e organização que demonstramos à frente da FMH nos últimos anos. Não temos condições de ajudar nos custos das equipes adversárias. Tivemos que usar do dinheiro de inscrição de cada equipe participante aliado ao reduzido caixa que tínhamos. Depois do campeonato, tentamos realizar outros eventos para conseguir preencher essa lacuna financeira que aparece”, relata.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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