Bolas diferentes atrapalham preparação do Sada Cruzeiro para o Mundial

Especialista em recepção, o ponta Filipe prefere a bola Mikasa, que não sofre muitas mudanças durante sua trajetória (crédito: Charles Silva Duarte)

Quantas vezes já escutamos que quem sabe jogar de verdade, joga com qualquer bola, sem direito a reclamação? No entanto, quando o assunto é esporte profissional, essa ‘velha máxima’ cai por terra, ainda mais quando a diferença entre uma bola e outra é grande.

Desde o início da temporada, o Sada Cruzeiro vem enfrentando dificuldades com a alternância de bolas em suas partidas. Enquanto no Estadual, a marca Penalty era a usada, nos outros torneios, como o Sul-Americano, a Mikasa foi a opção. “A diferença é enorme e fácil de ser percebida para quem vive disso. Os torcedores podem até não entender, querem mais é saber do resultado, mas uma adaptação é mais do que necessária”, comentou o ponta Filipe.

Para ele, jogadores de todas as posições sofreram com as mudanças. O time começou treinando com Mikasa e logo teve que voltar a usar a Penalty. Nos dois jogos-treino contra o Vivo-Minas, no início da temporada, cada jogo teve uma bola. Depois de jogar todas as partidas do Estadual com um tipo de bola, o time partiu para o Sul-Americano sabendo que o ‘objeto de trabalho’ seria outro, o mesmo utilizado nas Olimpídas e competições internacionais. “A Mikasa parece que flutua menos e não muda tanto de direção. Ela chega com mais pressão e se você não colocar força no saque, por exemplo, ela pode nem passar de lado”, detalha o exímio passador cruzeirense. “No caso da Penalty, a velocidade parece ser maior e essas variações não ajudam em nada. Para nós, foi horrível ter que treinar com duas bolas”, comentou.

Um acordo de 20 anos entre Federação Mineira de Vôlei (FMV) e Penalty impediu que outra marca fosse utilizada no Campeonato Mineiro. O contrato entre as duas empresas vai até 2014. No entanto, para o próximo ano, a FMV já fez um pedido para que no Campeonato Adulto, seja aberta uma exceção. “Até tentamos fazer esta mudança para este ano, mas já estava acordado e não foi possível. No entanto, para os anos seguintes. A categoria adulta é o espelho da modalidade e gostaríamos que uma flexibilidade existisse. No entanto, para as competições estaduais de categoria de base, nenhuma mudança aconteceria”, comentou Carlos Rios, o Carlão, presidente da FMV.

No Mundial Interclubes, que acontece entre 13 e 19 de outubro, em Doha, no Catar, o Sada vai enfrentar adversários que já estão mais habituados com a nova bola, que também será usada a partir da Superliga deste ano, além dos torneios de vôlei de praia brasileiros. “Os times italianos e russos, por exemplo, já conhecem bem essa bola e usam todo o seu potencial, principalmente no saque, forçando muito o tempo todo. Se eles fosse jogar com a Penalty, passariam por grandes dificuldades”, brinca o jogador, reforçando a diferença entre as duas bolas. “Agora, creio que essas mudanças chegaram ao fim. Nosso grupo ainda não está 100% adaptato á Mikasa, até porque jogamos a final do Mineiro há poucos dias. Mas acredito que em breve já teremos o domínio dessa nova companheira de trabalho”, destacou o jogador, que não esconde sua preferência pela nova opção.

Feita de material sintético, a Mikasa tem o mesmo tamanho e peso (230g) da concorrente. No entanto, um dos diferenciais da bola internacional é ser revestida por micro furos, que a deixam mais leve e estável no ar.

Parceria pode sofrer alteração em benefícios dos times adultos

Um acordo de 20 anos entre Federação Mineira de Vôlei (FMV) e Penalty impediu que outra marca fosse utilizada no Campeonato Mineiro. O contrato entre as duas empresas vai até 2014. No entanto, para o próximo ano, a FMV já fez um pedido para que no Campeonato Adulto, seja aberta uma exceção. “Até tentamos fazer esta mudança para este ano, mas já estava acordado e não foi possível. No entanto, para os anos seguintes. A categoria adulta é o espelho da modalidade e gostaríamos que uma flexibilidade existisse. No entanto, para as competições estaduais de categoria de base, nenhuma mudança aconteceria”, comentou Carlos Rios, o Carlão, presidente da FMV.

A FMV, inclusive, já recebeu bolas Mikasa, que serão utilizadas, a partir do próximo ano, pelas seleções mineiras em competições interestaduais de categoria de base. No entanto, a distância para os clubes ainda é grande. “A Mikasa terá que se esforlar para se aproximar das federações, principalmente pelo preço que é praticado atualmente. Quem mais consome bolas, no Brasil, são as categorias de base, até pelo grande número de praticantes. No entanto, para os clubes terem à sua disposição a nova bola, ficaria fora de mão, pelo alto custo do material. A Penalty, atualmente, atende melhor, economicamente falando”, salienta Carlão, indicando as dificuldades financeiras que boa parte dos clubes brasileiros atravessam. “Pelo preço que está a Mikasa não dá, fica inviável. Muitas vezes, estes clubes têm que tirar do próprio bolso para comprar o material de treino”, justifica o mandatário.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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