Minas Gerais no roteiro do tênis mundial

Os mineiros Bruno Soares e Marcelo Melo estão entre os vinte melhores tenistas de duplas do mundo. Apesar da parceria ter sido rompida, a admiração e o respeito foram mantidos. (crédito: Vipcomm – Divulgação)

Depois de Gustavo Kuerten, sobrou para a os maiores tenistas brasileiros da atualidade a tarefa de fazer o país continuar fazendo bonito nos torneios internacionais. A dificuldade é grande, quando se compara com um ícone da modalidade, um dos grandes nomes de todos os tempos. No entanto, uma dupla mineira é a responsável pelas conquistas tupiniquins ao redor do mundo, lutando sempre para fazer seu melhor pelo Brasil.

Bruno Soares e Marcelo Melo se conhecem de longa data. Foram criados e formados nas quadras do Minas Tênis Clube, uma das referências do tênis em Minas Gerais. A afinidade entre os dois rendeu uma parceria de sucesso nos anos de 2010 e 2011, que foi rompida para ser retomada nas Olimpíadas de Londres e na Copa Davis, na última semana, quando a Rússia foi derrota por 5 jogos a 0, deixando livre o caminho do Brasil para a elite da maior competição por equipes do mundo.

Juntos, eles venceram em Nice (2010), Costa do Sauípe e Santiago (2011). A segunda posição foi alcançada nas participações em Metz, Gstaad, Auckland (2010), Estocolmo e Acapulco (2011)

“Jogar com o Marcelo é sempre especial. Ele é um grande amigo e uma pessoa que eu tenho um respeito e uma adimiração enorme. Somos da mesma cidade , temos os mesmos amigos e crescemos juntos. A ideia da separação foi minha. Queria ter novas experiências, jogar com pessoas e estilos diferentes e ver no que ia dar”, comenta Bruno, sem arrependimento.

Os triunfos nas duplas foram fundamentais para que os mineiros escolhessem não investir nos torneios de simples. “Faz seis anos que eu jogo somente duplas. Comecei a jogar muito bem com o André Sá, isso acabou me levando a escolher as duplas. Passei a jogar torneios do nível ATP, enquanto nas simples eu teria que jogar Challengers”, detalha Marcelo Melo.

Para obter o almejado destaque internacional, ter um parceria fixo é o caminho mais curto. Um dos principais objetivos do duplista é jogar o Finals no fim do ano. A única chance de ir é jogando praticamente com o mesmo parceiro. Para isso, ele tem que ser duplista, pois os jogadores de simples as vezes fazem um calendário diferente”, comenta Melo.

No entanto, a rotina pode ser uma vilã neste trajeto. “Jogar com o mesmo parceiro o ano todo envolve muita coisa. O tempo que você passa com essa pessoa é muito grande e nem sempre é facil administrar tudo isso. Muitas vezes as coisas não vão tão bem fora da quadra ou os resultados nao são os esperados por algum dos dois e separações acontecem. É natural do tenis”, resume Bruno.

Mesmo sem a garantia de continuarem jogando juntos, Bruno e Marcelo mantém o respeito e a admiração pelo outro. No fim das contas, o que vale mesmo é fazer o nome do Brasil brilhar no difícil cenário do tênis mundial. E isso eles têm conseguido com méritos e muito esforço.

Título de destaque e mais desafios pela frente

Antes de ajudar o Brasil na classificação na Copa Davis, Bruno ganhou, no início deste mês, nada menos do que o US Open, nas duplas mistas, ao lado da russa Ekaterina Makarova. Apesar de já terem jogados juntos, a ideia inicial era que Bruno fizesse parceria com a australiana Jarmila Gadjosova, que não apareceu para a inscrição. O registro da nova dupla foi feito de última hora e acabou dando certo. “Já havia jogado com as duas e as conheço muito bem. Foi apenas uma historia inusitada que resultou nesse grande momento”, lembra Soares.

Garantido na elite do tênis mundial, o Brasil tem agora, pela frente, os Estados Unidos, que jogarão em casa, entre os dias 1º e 3 de setembro. A convocação do capitão Zwetsch acontece com 15 dias de antecedência, mas Bruno Soares e Marcelo Melo têm boas chances de jogarem juntos e tentarem desbancar os favoritos irmãos Bryan (Mike e Bob), atuais líderes do ranking e considerados os melhores do mundo em duplas, com 83 títulos conquistados até então. “Será um confronto muito duro. Eles estão entre as melhores nações e têm uma equipe muito forte, principalmente jogando em casa”, admitiu Bruno.

Marcelo conta com o retrospecto para motivar ainda mais o próximo encontro. “Temos uma tática praticamente formada, já vencemos eles duas vezes. Mas sempre é um jogo muito duro, temos que estar executando muito bem nosso jogo.

Mesmo vivendo um dos melhores momentos da carreira, Bruno teve neste ano uma notícia que poderia culminar na sua queda de rendimento. Apesar do falecimento do pai, o mineiro mostrou dedicação e comprometimento para seguir dando o seu melhor dentro de quadra. “No tênis não mudou muita coisa. Sempre trabalhei duro pra alcançar meus objetivos e melhorar a cada dia. A morte do meu pai foi um momento muito difícil, mas a vida continua e temos que ser fortes”, ensinou.

 

 

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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