Brasil sem força máxima na ‘Copa do Mundo’ do Motocross

Maior nome do motocross nacional, Balbi está de fora do Motocross das Nações (crédito: Idário Araújo – Yes Sports)

“É como se o Brasil estivesse indo jogar uma Copa do Mundo sem seus principais jogadores”. Esta foi a frase do piloto mineiro Jorge Balbi para resumir a participação do Brasil no Motocross das Nações, principal competição entre países da modalidade, que acontece neste final de semana na cidade belga de Lommel.

Balbi é o maior piloto do motocross brasileiro, tendo representado o Brasil na competição nos últimos cinco anos, ajudando o país a conquistar seu melhor resultado na competição em 2009, na Itália, quando um 14º lugar foi alcançado. “Não tenho nada contra os pilotos que estão indo. Eles possuem capacidade e méritos e estarei torcendo por eles. Mas não estaremos com força total em uma competição tão difícil”, esclareceu Balbi.

O motivo dos ‘desfalques’ é comercial. Desacordo com patrocinadores nos últimos anos impediram que o Brasil fosse com força máxima. Enquanto o patrocinador da Confederação Brasileira de Motocross (CBM) era um, o de alguns pilotos era outro. Em 2010, por exemplo, o piloto Swian Zanoni (morto em 2011, aos 23 anos), não pôde participar, desfalcando a equipe. “Esse problema é recorrente, aconteceu mais de uma vez. Por sorte, sempre tive ao meu lado o mesmo patrocinador da CBM, o que facilitou minha participação nos últimos cinco anos”, lembra Balbi.

Para minimizar o problema, neste ano, a entidade resolveu que os convocados teriam que arcar com seus próprios custos. A colocação no ranking até a quinta etapa do Campeonato Brasileiro, em Sorriso-MT, foi o critério adotado, diferentemente dos últimos anos.

“Recebemos muitas críticas por causa destes conflitos dos últimos anos e, desta vez, resolvemos deixar a cargo dos pilotos sua viabilidade financeira para participar da competição. Assim, deixamos de fora toda e qualquer interferência política”, comenta Firmo Alves, presidente da CBM, se referindo ao critério diferente adotado neste ano, de acordo com o ranking dos pilotos ao final da quinta etapa do Nacional, realizada em 1º de julho em Sorriso-MT.

Antônio Balbi Junior, Hector Assunção e Leandro Silva foram os escolhidos, mas o patrocinador dos dois últimos preferiu declinar o convite. Os próximos da lista, como Jean Ramos e os irmãos Dudu Lima e Marcelo Ratinho também recuaram por motivos diversos. Jean, por exemplo, preferiu investir seus recursos no AMA, campeonato norte-americano da modalidade.

Balbi se viu sozinho neste caminho e com a demora por uma definição, preferiu abdicar de sua participação. Sendo assim, as vagas caíram nas mãos de Marçal Müller, Rafael Faria e Gabriel Gentil. “O ideal seria ir antes, com tudo definido, para conhecer o local da prova e fazer os treinos preparatórios. Ir em cima da hora, sem as condições ideais, é complicado”, lamentou. “Não concordo com o fato de termos que pagar para participar. Será que o Santos ou o Neymar pagam quando o jogador vai defender a seleção? Quando participei do Motocross das Nações, ajudei o Brasil a obter algum destaque. Essa questão de piloto ter que pagar não acontece com os outros países participantes”, relatou.

Esperança de um novo panorama para o futuro

A dificuldade financeira da CBM é um dos entraves. Alves afirma que gestões anteriores ‘sujaram’ o nome da instituição, impossibilitando que projetos fossem sugeridos na esfera pública. “É muito fácil jogar pedra no telhado dos outros. Não temos como fazer convênios com o governo antes de quitarmos todas as nossas dívidas. Depois que isso acontecer, apresentaremos projetos e aí, quem sabe, podemos ter um outro panorama. Esperamos que tudo fique regular até o final deste ano. Também dependeremos de um governo sensível, que compreenda nossa realidade, assim como acontece com os esportes olímpicos”, comentou o presidente.

Para Balbi, uma das ideias seria buscar empresas privadas, que pudessem ajudar a custear a participação brasileira. “A última administração da CBM realmente foi péssima e quem chegou, pegou tudo desorganizado. Mas não vimos muitas mudanças na postura e nas ações, desde então. O cenário permanece o mesmo. A CBM não se prontificou a fazer o mínimo, que seria custear a viagem ou formar um grupo de patrocínio para levar os melhores atletas”, opiniou o piloto.

Jorginho, como também é conhecido, ainda reclama da desorganização em relação aos pilotos convocados previamente. “Não recebi um comunicado oficial por escrito, nada. Essa falta de clareza nos deixa muito chateados. Tudo acontece de um jeito diferente daquele que eu e minha equipe gostaríamos que acontecesse”, concluiu Balbi.

Para o próximo ano, a indefinição permanece. Somente na temporada seguinte, é que saberemos quem serão os pilotos e os critérios adotados. Até lá, pode ser que a situação da CBM tenha alterações, com uma realidade financeira diferente, que possibilite que o Brasil vá com seus melhores pilotos, sem desacordos financeiros que desgatam a relação entre atletas e entidade.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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