Decepção no masculino e ouro no feminino; mas ainda estamos no topo do mundo

Para comemorar o ouro olímpico, cambalhotas de alegria das comandadas de recordista José Roberto Guimarães (crédito: Reuters)

O vôlei brasileiro encheu a torcida de esperança em conquistar dois ouros nas quadras, mas um deles por pouco não foi alcançado. E foi justamente o que tinha uma maior dose de confiança, o masculino, que acabou escapando.

O time de Bernardinho já tinha vencido a Rússia na fase de classificação das Olimpíadas, fazendo uma apresentação muito boa e não dando chances aos europeus. Mas na final, foi diferente.

A chegada à decisão não apresentou grandes emoções, com Argentina e Itália ficando para trás. Na final, depois de abrir dois a zero, era esperado uma vitória no terceiro set somente para decretar o 3 a 0.

Mas uma alteração do técnico russo Vladimir Alenko mudou completamente o rumo da partida. O central Muserskiy virou oposto e o oposto Mikhaylov foi jogar na ponta. Uma mudança que culminou em uma reação extraordinária do time russo. Muserskiy fez 31 pontos, acabou com a partida. Mikhaylov esteve mais solto na ponta, sofreu menos pressão e contribuiu bastante para a virada.

O Brasil encontrou dificuldades para parar o poderio do adversário, que cresceu muito na partida depois das mudanças. Tanto na parte técnica como na tática, Bernardinho, comissão e atletas não conseguiram diminuir o poderio que vinha do outro lado da quadra.

Dante sentiu uma lesão no quarto set, o que também prejudicou bastante. Giba foi o encarregado de substituí-lo e, sem ritmo, atuou longe do que pode apresentar. Thiago Alves também entrou, sem sucesso. Sem muitas opções para mudar o panorama, Dante foi para o sacrifício. No tie-break, a Rússia foi superior e mereceu o ouro.

A prata ficou com um sabor amargo, mas não podemos tirar os méritos do Brasil durante a campanha. Encontramos um oponente de alto nível e que mereceu o título pelo poder de superação apresentado. Isso é inegável. Final olímpica conta com duas grandes forças e é preciso jogar tudo do começo ao fim. A partir do terceiro set, o Brasil não encontrou um jeito de amenizar a queda de rendimento. Um pouco da parte emocional também acabou pesando. O ‘peixinho’ vai ficar para uma próxima.

Outra história

No feminino, um ouro diante das carrascas norte-americanas, que já haviam vencido as brasileiras na primeira fase. Depois de uma classificação suada, dependendo de outro resultado (derrota da Turquia) , uma vitória histórica contra a Rússia, que fez o time engatar de vez na competição.

Em um jogo menos complicado do que muitos esperavam, o time de José Roberto Guimarães, único brasileiro tri-campeão olímpico, orgulhou cada torcedor pela aplicação tática e determinação. Um ouro que ficará marcado pela força de vontade do grupo, que recebeu críticas pela irregularidade apresentada desde o Grand Prix.

Em Londres, o time cresceu e jogou como uma Olimpíada manda. Os EUA eram os grandes favoritos, mas estiveram abaixo na decisão. Para comemorar, cambalhotas múltiplas de alegria.

Apesar da decepção no masculino, nosso vôlei reafirma sua condição de um dos grandes do mundo. Mesmo em um momento de dificuldades, as duas equipes chegaram com méritos às finais e representaram bem nosso país. Ainda estamos no topo do mundo quando o assunto é vôlei. Isso ninguém nos tira.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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