Investimento próprio em busca de melhores tacadas

Pai e filho acreditam em um futuro promissor por meio de patrocínios e melhores resultados (crédito: Samuel Aguiar)

O golfe é um esporte de extrema precisão, com alto grau de dificuldade e pouco apoio em território brasileiro. Mesmo diante de tal perspectiva, a demonstração de talento e força de vontade foi o principal fator para que o empresário Gilson Silva apostasse na carreira do filho Gilsinho, o Gilson Marques Filho, de apenas 16 anos. Há apenas quatro anos, o filho mal sabia pegar em um taco. “Eu pratico golfe há oito anos e, no começo, ele me acompanhava, fazendo a função de caddie (carregador de tacos e materiais). Aos poucos, ele foi insistindo para também fazer umas tentativas, até que deixei e ele foi tomando gosto pela coisa. Golfe é um verdadeiro vício, até pelo desafio que o esporte proporciona de você contra você mesmo”, comentou o pai. “Percebi que ele tinha jeito e o coloquei para fazer aulas, onde a evolução foi nítida e rápida. Com o tempo, ele começou a apresentar melhores resultados e a ganhar torneios. Em 2009, ele já disputava campeonatos entre os adultos, com apenas 14 anos”, detalha.

O fato do esporte ter sido confirmado como modalidade olímpica em 2016 é uma das motivações do jovem Gilsinho. “Quero muito participar da estreia do golfe em Olimpíada. Seria um sonho realizado. Até lá, terei boas possibilidades de aperfeiçoar meu jogo”, afirmou o adolescente, que ainda conta com uma outra vontade para ganhar destaque no esporte. “Quero muito estudar nos Estados Unidos. Lá, terei uma boa possibilidade de melhorar meu jogo e, quem sabe, chamar atenção de pessoas do ramo. Acho que isso pode sim acontecer, acredito nessa possibilidade e creio que estou no caminho certo”, analisou o jovem.

Depois dos bons resultados já nos primeiros anos de prática, Gilsinho conseguiu um importante patrocínio, que lhe abriu boas chances de desenvolvimento. Um amigo do pai arcava com todos os custos de torneios, como compra de materiais, passagens, hospedagem e alimentação, em troca da divulgação de sua empresa no uniforme usado pelo jovem. “Foi um ano de um apoio muito importante, onde ele participou de etapas do Campeonato Brasileiro Juvenil. Mas infelizmente, essa parceria não durou muito”, lamenta o pai, que teve que recorrer aos amigos do tênis para conseguir arcar com as despesas do material. “Com muito custo, conseguimos juntar o valor de R$ 13 mil para pagar os tacos e equipamentos completos, tudo vindo dos Estados Unidos. Antes disso, o Gilsinho jogava com tacos que não eram os ideais”, lembra o pai.

No golfe, para cada tipo de tacada e distância, é necessária a utilização de um taco específico. Ao todo, são 14 tacos. “Depois dessa aquisição, ele começou a usar o mesmo equipamento dos seus adversários. Isso ajudou muito para que a diferença técnica diminuísse”, comemorou o pai, que há dois anos, vem arcando com todas as despesas do filho em competições. No entanto, a participação de Gilsinho nos campeonatos não acontece como eles gostariam. A dificuldade para pagar as despesas e permitir que Gilsinho participe de todos os campeonatos dificulta uma melhor colocação do filho no ranking nacional. “Desembolso, por mês, cerca de R$ 4 mil. Em algumas situações, não tenho a possibilidade que eu gostaria de pagar hotel, passagem e tudo que envolve sua participação em uma etapa de campeonato. Mas os resultados mostrados me deixam feliz e disposto a fazer um sacrifício”, analisa o pai.

Adversários com melhor estrutura

Ao mesmo tempo em que participa dos campeonatos no Morro do Chapéu, Gilsinho, de acordo com a disponibilidade financeira do genitor, participa de etapas do Brasileiro Adulto e Juvenil, competições que realmente fazem a diferença para a sonhada evolução. Ele ainda pode atuar em competições juvenis por mais dois anos, mas a presença em competições adultas gera um retorno de rendimento de grande valia. “Não tenho preferência por um ou outro, mas no juvenil é clara a menor dificuldade para conseguir um bom resultado”, avalia Gilsinho.

Em quatro torneios adultos disputados neste ano no Morro do Chapéu, Gilsinho venceu três e no outro ficou com o vice, deixando para trás cerca de 200 adversários. “O pessoal reconhece, valoriza, apoia e elogia. Fico feliz com esse retorno. Mas quero mais”, esclarece o jovem.

Além dos títulos, Gilsinho ainda foi considerado, em algumas participações no campo mineiro, o melhor jogador do campeonato, o melhor long drive (tacada de longa distância), o melhor jogador do ano e o melhor near pin (tacada curta). Para completar a façanha, só faltou mesmo o tradicional hole in one, quando o golfista acerta o buraco na sua primeira tacada.

“O mais importante é que ele vem melhorando o seu jogo e com isto adquirindo experiência, sempre focado na liderança do ranking. Precisamos de mais treinamento e recursos para que ele possa fazer como seu concorrentes e participar de torneios semanais. Desta forma, tenho certeza que ele será um dos melhores golfistas do Brasil”, salientou o pai de Gilsinho.

A dupla continua ansiosa por bons resultados, que podem gerar o reconhecimento e o apoio para manter a já destacada evolução. Com o devido suporte, Gilsinho e seu pai acreditam que podem chegar em um lugar satisfatório. “Os principais adversários contam com apoio de federações, coisa que Minas Gerais ainda nem tem, em função da ausência de um campo oficial. Se ele receber este reconhecimento e tiver um patrocinador que acredite e invista, não tenho dúvidas dos resultados surpreendentes que aparecerão em pouco tempo”, garante o ‘pai-trocinador’, técnico, psicológo e acompanhante nesta jornada que está apenas começando.

Talento e apoio da família

No golfe, quanto menor o número de tacadas para completar os 18 buracos, melhor o resultado. O par (número de tacadas) de um campo profissional é, normalmente, 72. Em junho deste ano, Gilsinho conseguiu completar todo o percurso com 69 tacadas, três abaixo do par, uma façanha para alguém da sua faixa etária.

“Esse resultado, para um garoto de 16 anos, foi extraordinário. Foi o melhor desempenho de um golfista amador no campo do Morro do Chapéu. Isso merece se destacado”, orgulha-se o pai, que prevê evolução no jogo do filho. “Se ele tiver oportunidade de participar de mais torneios, não tendo dúvida de que seu jogo vai melhorar bastante. A cabeça e o físico tendem a apresentar uma melhoria muito grande, mas para isso, é preciso participar das etapas, que acontecem em várias cidades”, relata o empresário, que também é marido e pai de mais três filhas.

“Minha família me apoia bastante e me dá uma força muito grande para que eu continue em busca desse sonho de virar um profissional, de me dar bem neste esporte que tanto gosto e admiro”, sentenciou o garoto, que conseguiu, no ano passado, sua melhor posição no ranking juvenil, ficando em 11º lugar na classificação geral. Atualmente, ele ocupa a 21ª posição.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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