Raulzinho próximo de terminar história começada pelo pai

Raulzinho ainda comemora a evolução graças ao alto nível do basquete espanhol (crédito: Léo Fontes)

A família Togni está em êxtase. A convocação de Raul Togni Neto para os treinos da seleção brasileira masculina de basquete, que se prepara para os Jogos Olímpicos de Londres, tem um sabor especial por uma situação inusitada. Em 1992, seu pai, Raul Togni Filho, também havia sido convocado para as Olimpíadas de Barcelona. No entanto, na oportunidade, o então armador preferiu pedir dispensa para acompanhar o nascimento de seu primeiro filho, que agora ocupa o lugar do seu pai na história do basquete nacional. “Isso me dá uma vontade muito maior de mostrar um bom trabalho e de me afirmar no grupo que irá para Londres. Meu pai pensou muito antes de tomar essa decisão maluca e o sonho dele, de ver um filho no maior campeonato de seleções do mundo, está próximo de se concretizar. A satifação é grande”, comemorou Raulzinho, de apenas 20 anos.

Para seu pai, a felicidade é ainda maior do que se ele próprio tivesse participado dos jogos na cidade espanhola. “Foi uma luta interna muito grande. Queria jogar, mas a vontade de ver meu filho nascer e estar ao lado da minha esposa era maior”, comentou Raul, hoje treinador do time profissional do Minas Tênis Clube. “Não estava plenamente feliz. Abri mão de algo que queria muito pela minha família, que sempre foi prioridade. Mas hoje estou muito feliz. O Raul mostra uma capacidade e qualidade maiores do que a minha na época de jogador. Me sinto mais realizado”, admitiu o orgulhoso pai.

A partir do dia 10, Raulzinho treinará ao lado de mais onze convocados. No período de preparação em São Paulo, ele terá a oportunidade de mostrar seu talento e se garantir como o mais novo jogador da seleção brasileira. “Acho que mereci pela boa temporada que tive. Não fiquei tão surpreso. Mas terei que dar meus 100% para ajudar e ser ajudado. Vou procurar evoluir a cada dia, a cada treino”, declarou Raulzinho, que chega à sua terceira convocação.

O momento vivido pelo armador é o melhor da carreira. Depois de crescer jogando pelo Minas, ele teve apenas dois anos como profissional da equipe mineira antes de receber proposta do Lagun Aro, da cidade de San Sebastián, no País Basco, que disputa a elite do basquete espanhol. “Já tinha recebido proposta dos EUA e uma outra da Espanha. Fiquei surpreso pelo fato de ser um time que disputa a primeira divisão, apesar de ser um clube médio. Foi bom porque a pressão não é muito grande e tive boas oportunidades para evoluir”, indicou.

E essa evolução veio com tudo. Seu pai esteve presente na Espanha por cerca de um mês acompanhando de perto o desenvolvimento do filho do meio. “O que vi foi um atleta amadurecido, que teve uma ascensão muito grande na parte física e técnica. Leitura de jogo e passe foram apenas duas coisas que nitidamente melhoraram muito”, elogiou Togni Filho. “Para quem fez seu primeiro ano na Europa, ele mostrou grande capacidade de adaptação. Ele jogou muitos momentos decisivos, passou por situações de pressão. Por lá, o jogo é mais cerebral, os técnicos gostam que a bola rode mais e ele soube se encaixar neste contexto”, avaliou. Raul não foi pé-quente como gostaria. Ele assistiu de perto a eliminação do time de Raulzinho para o Valencia nas quartas de final do campeonato, que assegurou um histórico quinto lugar e vaga garantida na próxima Copa do Rei da Espanha.

Raulzinho também admite a melhora na oportunidade espanhola. “Cresci em tudo, como jogador e pessoa. O tempo para tomar decisões era menor e isso faz a diferença. Até os treinos acontecem em alto nível. Fui uma experiência positiva em todos os aspectos”, destacou.

Mesmo com o pai por perto para dar aquela força, Raul garante que o seu ‘velho’ se restringia a algumas dicas. “Ele não se mete muito porque sabe que pode atrapalhar a ideia do meu treinador. Ele sempre comenta sobre alguns aspectos, mas no que pode mexer com o time ele prefere ficar de fora. O mais importante era a presença dele para passar felicidade e segurança ao mesmo tempo”, mostrou.

A inflamada torcida basca também chamou a atenção do jovem armador. “A boa campanha ajudou muito na média de cinco mil pessoas por jogo. Chegamos a jogar em casa para dez mil torcedores”, citou.

Aos 20 anos, era difícil de se esperar que Raulzinho soubesse cozinhar e lavar a própria roupa. “Minha mãe foi comigo nas duas primeiras semanas para me dar uns toques. Mas cozinhar depois dos treinos, quando já estava cansado, não me atraiu”, lembrou. As idas a restaurantes da região foi acompanhada de uma dupla presença para passar o tempo. “Dois bascos do time tem a idade próxima da minha. Acabamos ficando mais juntos, jogando video game, fazendo coisas da idade”, relatou Raulzinho.

Com uma bagagem estrangeira, Raulzinho atingiu um novo patamar e promete brigar forte pela presença em Londres, além de oportunidades para ganhar alguns minutos dentro de quadra. O momento é único, assim como a vontade do armador de fazer a diferença o quanto antes.

Anúncios

Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s