Mundial de Wakeboard confirmou presença de Nova Lima no mapa do esporte

A hegemonia estrangeira no wakeboard é nítida, mas o Brasil está em franca ascensão (crédito: Carlos Hauck)

O Clube Serra da Moeda, em Nova Lima, que abriga a Lagoa dos Ingleses, já se acostumou a ver alguns malucos levantando voo nos primeiros dias de todo mês de maio. No último final de semana, o local recebeu pela quarta vez, uma etapa do Mundial de Wakeboard, competição que reuniu grandes nomes da modalidade. “O estado de São Paulo possui maior número de praticantes e tem os melhores atletas. Mas em termos de estrutura, Nova Lima é incomparável. Desde 1999 realizamos aqui etapas do circuito brasileiro e neste ano, a primeira etapa do Mundial volta a ser realizada aqui, com méritos”, destacou Mário Manzoli, o Marito, competidor e presidente da Associação Brasileira de Wakeboard (ABW).

Brasileiros e gringos não se cansam de elogiar o local, principalmente pelas condições, com a água sempre lisa, do jeito que os praticantes gostam. Comparado ao futebol, a Lagoa do Ingleses seria um verdadeiro tapete. “Há algum tempo escuto meus amigos falarem muito bem daqui. Não podia perder essa oportunidade. O clima também ajuda muito. Vou em busca de um bom resultado, mesmo sabendo do alto nível técnico da competição”, comentou o canadense Aaron Rathy, uma das atrações que já estão em Nova Lima. Ao lado dele, outros nomes de grande nível internacional estiveram presentes, a exemplo do compatriota Dean Smith, do norte-americano Phil Soven e do atual campeão mundial Harley Clifford, da Austrália. Soven acabou se sagrando o campeão da etapa inicial. Estados Unidos e Canadá receberão as etapas seguintes.

Os maiores nomes do wakeboard mundial são estrangeiros. Estados Unidos, Canadá e Austrália são as grandes potências e os motivos que justificam tal posição são vários. “Eles possuem uma cultura diferenciada quando o assunto são esportes aquáticos. Por lá, acontecem mais campeonatos e os incentivos aparecem desde muito cedo, facilitando a formação de jovens talentos. O poderio econômico também contribui. Fica mais fácil comprar todos os materiais e equipamentos, que não são baratos”, relatou Marito. Ele ainda comenta que, fora do país, qualquer pessoa de classe média, consegue iniciar e se desenvolver no esporte, enquanto no Brasil, uma pequena parte da população reuniria tais condições.

Mesmo com a hegemonia gringa, o Brasil dá as caras por meio de um nome já conhecido dos amantes do wake. Trata-se de Marcelo Giardi ´Marreco´, seis vezes campeão brasileiro e ouro no Pan-Americano do Rio em 2007. Há duas semanas, pelo circuito paulista, ele bateu na final Andrew Adkison, referência do esporte. “Vivo meu melhor momento na carreira. Minha cabeça agora está somente na minha evolução, ao contrário dos anos anteriores. Estou mais experiente e fazendo voltas bastante consistentes”, comemorou Marreco.

Convidado para as duas últimas edições da Copa do Mundo, ele paga o preço pelos intensos treinamentos que acontecem desde 20 de dezembro. “Nunca estive tão focado como agora. As chances de uma vaga na semifinal são reais, mas penso em evoluir de bateria para bateria. Estou muito motivado e se eu acertar todas as manobras, como vem acontecendo nos treinos, vou colocar muita pressão sobre os estrangeiros”, revelou. Nas etapas anteriores, o Brasil parou nas quartas de final e a maior aposta para uma melhor colocação está nos voos de Marreco. “Consegui fazer um BS 720 no Circuito Paulista, uma manobra inédita aqui no Brasil. Vou deixar para usá-la mais para o final, se precisar”, admitiu Marreco.

Marreco tem boas chances de competir nas outras etapas. “Ainda não está certo. Graças a Deus, tenho um patrocinador e é bem provável que eu esteja presente nas próximas oportunidades dentro do Mundial”, relatou.

Tarefa dupla

Até o ano passado, a Lagoa dos Ingleses recebia tanto o Mundial como uma etapa do Brasileiro. As atenções de público, imprensa e competidores, acabava ficando divida. Na edição deste ano, uma importante mudança, tendo somente o Mundial como atração principal. “Eu, particularmente, me sentia incomodado. Tinha que organizar a competição nacional e pensar em ir bem no Mundial. A concentração era outra. Agora, será bem melhor. Terei mais tempo para me preparar e descansar, tendo a possibilidade de um maior rendimento”, comentou Marito, que divide as funções de atleta e presidente da ABW.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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