Líder da seleção feminina de vôlei comemora momento e ainda não se preocupa com o futuro

Fabiana não perde oportunidade de estar com a família, mesmo em períodos de treino (crédito: Erwin Oliveira)

A humildade e dedicação de Fabiana Claudino a fizeram sair da pequena Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, para o mundo. A central da seleção brasileira de vôlei surgiu no Minas Tênis Clube com apenas 14 anos e 13 temporadas depois ela vive um dos melhores momentos da carreira, comemorando a realização do sonho de jogar fora do país. “Graças a Deus deu tudo certo na Turquia. A experiência foi espetacular, tanto dentro como fora de quadra. Aproveitei muito cada momento e não tenho nada a reclamar, pelo contrário. Só aconteceram coisas boas e agradeço por tudo que passei”, revelou a mineira, que esteve ao lado de José Roberto Guimarães no Fenerbahce. Por lá, a dupla saiu satisfeita depois de vencer, pela primeira vez na história do clube, a Champions League, principal competição de clubes do Velho Mundo.

Depois de atuar pelo Vôlei Futuro (SP) na temporada anterior a que acaba de terminar, Fabiana decidiu que era a hora de atuar em um clube estrangeiro. “Eu precisava desse tempo fora. Consegui colocar minha cabeça no lugar, ter um tempo mais para mim. Saí daqui um pouco abaixo fisicamente, mas consegui recuperar minha forma, mesmo ficando fora de alguns jogos”, comentou. A central foi mais utilizada na competição europeia, uma vez que o campeonato nacional poderia ter apenas duas jogadoras estrangeiras. No elenco, o time turco contava ainda com nomes de destaque internacional como o norte-americana Logan Tom, a russa Sokolova e a sul-coreana Kim. Um revezamento acabou sendo obrigatório durante a competição local, que conta com quatro equipes de força, enquanto o restante atua como meros coadjuvantes.

A adaptação em um país de língua, clima e cultura diferente não foi fácil, mas ajudas inesperadas foram mais que benéficas. “A Logan Tom fala português e sempre que precisei ela me ajudou, tendo um papel muito importante. O José Roberto também virou mais que um treinador. Só o conhecia dentro da seleção e no clube, tivemos oportunidade de sair juntos e aproximar a relação. A esposa dele conhecia bem Istambul e me levou para vários passeios que ajudaram o tempo a passar mais rápido”, lembrou.

Quando olha para trás, Fabiana mal acredita na evolução de sua carreira e na vida pessoal. “Imaginar que saí daqui de Santa Luzia e que hoje conheço vários lugares do mundo e pessoas de grande importância me faz muito feliz. O que mais vale disso tudo são as amizades criadas. Títulos muita gente tem, mas relações verdadeiras, que resistem ao tempo, são raras. Quando minha carreira acabar, terei lembranças de todos, que guardo no coração com muito carinho”, disse.

O apoio da família foi fundamental para que sua decisão fosse entendida e respeitada. “Meus pais sempre me apoiaram desde o começo. Sei que a distância foi difícil para eles, assim como foi para mim. Amo meu trabalho e eles compreendem isso. Apenas tento retribuir o carinho deles da melhor forma possível”, garantiu. Prova disso é o bate-volta que Fabiana faz sempre que pode. Atualmente ela treina com a seleção brasileira em Saquarema (RJ) e em qualquer tempo livre, Santa Luzia é o destino certo. “Faço questão de estar com eles nestas horas de folga”, comentou.

Já são duas semanas de treinamento, se preparando para o Sul-Americano, que acontece entre os dias 9 e 13 de maio, em São Carlos (SP). Nos finais de semana de folga, Fabiana não pensa duas vezes antes de vir correndo para a cidade onde foi criada. “Lembro bem das dificuldades de quando ela começou, indo e voltando para os treinos no Minas de ônibus. Sempre confiamos muito no potencial dela, mesmo sem a garantia de que um dia ela se tornasse uma profissional de sucesso”, comentou o pai, seu Vital.

Mesmo passando por uma fase de glórias, sendo requisitada por vários clubes e se firmando como titular e capitã da seleção brasileira, Fabiana acredita que o auge ainda não chegou. “Vivo um bom momento, mas não me considero no topo do que posso alcançar e fazer. Quero crescer ainda mais, isso é o que eu mais busco”, destacou.

Foco na seleção

Feliz da vida com o nível de destaque que sua carreira atingiu, Fabiana garante não estar muito preocupada com o futuro. “Quero focar na seleção. Sabemos da importância do Sul-Americano e estamos pensando também nas Olimpíadas, competição onde não se pode vacilar, mesmo com algumas equipes indo somente para participar. Não podemos entrar relaxadas, a concentração tem que ser total, cada jogo temos que entrar para definir”, indica a central, próxima de sua terceira participação no principal torneio da modalidade. Na última edição, medalha de ouro e nome na história do vôlei nacional.

Fabiana afirma que a intensidade dos treinos estão sendo úteis para todos. “As meninas estão dando seu máximo, já que são apenas 12 vagas. Uma exige bastante da outra e quem ganha com isso é o grupo, que fica cada vez mais forte”, relata.

Inevitavelmente, propostas não param de aparecer. Sesi-SP, Campinas e Unilever já formalizaram o interesse na jogadora, que tem ainda nas mãos a possibilidade de continuar jogando fora do país, dando continuidade ao processo de amadurecimento e evolução que a Turquia lhe proporcionou. “Se for para falar com o coração de mãe, quero que ela fique. Mas sei da importância de atuar fora do país e nas coisas boas que isso traz. A decisão é dela e estaremos sempre apoiando o que ela achar melhor”, afirmou a mãe Maria do Carmo.

“Ainda não me decidi. Tenho tempo para pensar e fazer a melhor escolha, não tenho pressa. O projeto do Sesi é bacana e me interessa. Mas prefiro pensar somente na seleção por agora”, admitiu.

Amiga e empresária

Além da família, Fabiana teve um importante apoio fora de quadra. A empresária Ana Flávia, ex-jogadora do Minas Tênis Clube e também da seleção brasileira, também faz o papel de amiga. “Converso com ela todos os dias. Mais que minha agente, ela é minha amiga, conselheira, tudo. Quando viajei para a Turquia, ela foi comigo para dar uma força. Sempre que preciso, conta com ela, que me ajuda bastante, em tudo que preciso”, revela Fabiana.

A presença de Ana Flávia na vida de Fabiana apareceu logo cedo nas categorias de base do Minas. “Não tinha ninguém, além dos meus pais, que pudesse dar um auxílio diferenciado na carreira. A Ana apareceu e tem sido peça importante na minha carreira. Tenho muito gratidão por ela”, elogia a jogadora.

Líder nata 

Fabiana é capitã da seleção desde 2010. A escolha se deu depois de uma decisão do técnico José Roberto Guimarães. O treinador optou por uma eleição entre as jogadoras. Das 14 atletas do elenco, 13 votaram em Fabiana, que garante gostar da função. “Não sou daquelas de ficar gritando, mas sei que tenho uma liderança. Quando paro para conversar e chamar atenção, sei que elas escutam. Sempre fui muito comunicativa, isso ajudou bastante”, aponta.

Família de gigantes

Fabiana foi privilegiada também no DNA. Filha de pais com estatura privilegiada, ela também acabou se destacando pela altura. “Quando cheguei no Minas, nem precisei fazer o teste. Fui direto para a equipe. Tinha 14 anos e 1,85m”, lembra Fabiana. O irmão, ex-jogador profissional de basquete, atualmente mora nos EUA, onde trabalha como professor. Os 2,04m confirmam a fama de gigantes do quarteto.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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