Perfil de treinadores de vôlei varia, mas o que vale mesmo é o resultado

Perfeccionista, Bernardinho admite dificuldade para se controlar em alguns momentos (crédito: João Pires - Vipcomm)

Em qualquer modalidade esportiva, a presença de um treinador capacitado é fundamental. Ter ao lado uma pessoa experiente, com boa vivência na modalidade, que saiba os atalhos para se chegar aos desejados caminhos das vitórias é sempre benéfico e bem-vindo. O perfil desse comandante também pode influenciar diretamente nos resultados. Enquanto alguns são mais calmos, outros já se mostram mais enérgicos, tudo fruto de uma personalidade própria. “Independentemente de como seja esse treinador, o que vai valer, de verdade, são os resultados conquistados”, resume Bernardinho, técnico com uma carreira pra lá de vitoriosa no vôlei nacional, a frente da seleção masculina e feminina e atualmente do Unilever, equipe que fez as últimas sete finais de Superliga.

Conhecido por ser explosivo na beira de quadra, Bernardinho acredita que, assim como os comandados, os treinadores também tem um perfil próprio, difícil de ser definido ou moldado. “Cada um tem sua própria personalidade. Eu realmente sou mais agitado, isso vem desde os tempos de jogador. Outros treinadores de grande competência são mais serenos, cada um do seu jeito. O mais importante é ser transparente e conseguir passar confiança para quem está sob seu comando”, comenta.

Para as jogadoras que tiveram ou tem a oportunidade de trabalhar com um treinador como Bernardinho, uma adaptção ao seu estilo é fundamental. No começo, principalmente, muitas se assustam, mas com o tempo fica claro que todas as broncas acontecem em prol da equipe e que a atitude é a mesma com todas as comandadas. “Realmente tem muita jogadora que no começo sente bastante essa pressão. Quem não está acostumada demora a se adaptar, mas depois fica claro que esse é o jeito dele. Os gritos são a forma dele motivar e orientar a equipe”, comenta a ponta Suelle, comandada por Bernardinho na temporada passada no clube do Rio de Janeiro. Hoje ela defende o Banana-Boat-Praia Clube, de Uberlândia, que tem como treinador o calmo Spencer Lee. “Ele é totalmente o oposto. Depois de me acostumar com o Bernardo, demorei também para entender o estilo do Spencer. Ele nunca grita e isso passa muita tranquilidade para as jogadores, principalmente em momentos ruins da partida. Mesmo estando mal no jogo, sabemos que ele vai tentar nos ajudar de uma maneira mais serena”, declara o jogadora.

Suelle lembra que no começo do trabalho com Spencer Lee, ela mesmo o deixava livre para aumentar o tom de voz com o elenco, como forma de motivação. “No fim, percebi que isso não tem como mudar. Nem se ele quisesse gritar, ele conseguiria”, brinca a atleta.

Os vários títulos na carreira de Bernardinho tem grande influência pelo alto nível exigido de suas atletas durante todos os momentos de uma partida. No currículo do treinador, estão o ouro olímpico com a seleção masculina nas Olimpíadas de Atenas (2004), bronze com a feminina em Sidney (2000), além de oito títulos da Liga Mundial. “Não sei se essa minha característica tem grande peso nos resultados. Acredito que isso pode até ter atrapalhado em alguns momentos. Mas os resultados são o que mais contam. Se eu não tivesse tido tantas vitórias, com certeza falariam que sou desequilibrado e que meu jeito atrapalha, assim como se fosse um treinador mais calmo, falariam que sua tranquilidade excessiva não passa motivação suficiente”, detalha. O silêncio e o ar sem graça de muitas jogadores já se tornaram constantes durante os pedidos de tempo e a constante insatisfação mostrada pelo também marido de Fernanda Venturini.

Com experiência a frente de equipes masculinas e femininas, Bernardinho admite que a postura deve ser distinta, apesar da dificuldade de manter tal atitude com homens e mulheres. “Devem sim haver distinções, mas muitas vezes não consigo diferenciar esse tratamento. Mas, com certeza, no feminino, o cuidado deve ser maior”, analisa. O técnico ainda sabe que muitas jogadoras precisam se adaptar ao seu estilo, bastante incomum se comparado com os outros treinadores da elite nacional. “Cada pessoa é de um jeito, algumas se adaptam com mais facilidade, outras com menos. Mas sempre tento identificar as características de cada uma para saber a forma exata de lidar e evitar, ao máximo, que isso atrapalhe o desempenho”, justifica.

Perfeccionista ao extremo, ele garante que esse perfil é mantido em todas as esferas de sua vida, tanto como treinador quanto como pai e marido. No entanto, na parte social, Bernardinho afirma que o estilo é outro, bem diferente daquele ao qual o público brasileiro se acostumou a vê-lo. A motivação do treinador está mantida e não tem prazo para acabar. Enquanto houver voz e energia para puxar a orelha de suas comandadas e conquistar mais um sem-número de títulos, Bernardinho estará presente na beira da quadra, para alegria e desespero de muitas jogadores, inclusive para aquelas que estão do mesmo lado da quadra.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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