Dinastia toma conta de várias modalidades no Brasil

Coaracy Nunes justifica seu longo mandato devido aos bons resultados dos esportes aquáticos brasileiros (crédito: Alex de Jesus)

O pedido de afastamento de Ricardo Teixeira da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na última segunda-feira foi comemorada por muitos, que esperavam ansiosamente pela saída do presidente, que ficou a frente da entidade por longos 23 anos. O afastamento do sr. Teixeira foi justificado por problemas de saúde, mas a pressão que ele vinha sofrendo para deixar o comando da entidade era enorme, principalmente em virtude das denúncias de corrupção, lavagem de dinheiros e tantas outras falcatruas. Todas as conquistas e títulos da seleção brasileira de futebol nas mais de duas décadas não foram suficientes para a aclamação do dirigente, que foi bastante contestado em vários momentos por um comportamento distante do que é considerado o ideal.

Assim como no futebol, outros esportes também vivem um período de longa dinastia nas mãos de uma única figura. No entanto, as outras modalidades não costumam virar notícia por conta do comportamento duvidoso de seus comandantes e sim pelas conquistas ao redor do mundo. “Deixando toda a modéstia de lado, a natação no Brasil praticamente não existia quando assumi a conferação em 1988. Os resultados neste período justificam, plenamente, a minha permanência. Tenho total apoio de todas as 27 federações”, justificou Coaracy Nunes Filho, presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) há 24 anos.

Ter durante tanto tempo uma única figura comandando um esporte de grande importância no país pode ser questionado em virtude da concentração de poder e da rara possibilidade de um outro dirigente assumir o posto e dar um novo ânimo para a entidade. Tal situação é recorrente em várias modalidades, que veem o lugar mais alto da entidade ser ocupado pela mesma pessoa há mais de uma década. Lados bons e ruins fazem parte desta situação. “Os maiores benefícios decorrem da experiência que o dirigente adquire e de sua habilidade em utilizá-la em favor dos objetivos da instituição. Não se forma um bom gestor em pouco tempo. Basta verificar a longevidade de diversos Presidentes de Entidades esportivas internacionais. O maior mal é deixar-se levar pela acomodação, sem a percepção de que a administração tem de ser dinâmica e estar sempre atenta às constantes mudanças de rumo que vão se fazendo necessárias”, analisou Roberto Gesta de Melo, que ficou a frente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) por 24 anos. Neste ano, ele deu lugar a José Antônio Martins.

Levantamento feito no ano passado pelo jornal ‘O Estado de São Paulo’ apontou que dos 30 mandatários de confederações esportivas no Brasil, 27 estão no cargo há mais de 10 anos. “Em nenhum momento tive concorrente ao cargo, justamente pelo bom trabalho prestado. Assumi um compromisso com o Carlos Nuzman (presidente do COB) de deixar o comando após a Olimpíada de 2016. Infelizmente, uma hora a idade chega e é preciso passar o bastão. Espero que as federações escolhem bem meu substituto”, destacou o dirigente, que admite ser a favor de uma troca somente quando o comandante se mostra incapaz ou desonesto mesmo tendo em suas mãos uma boa oportunidade de melhor o nível e o nome da modalidade brasileira no quadro internacional. “Minha consciência está muito tranquila com tudo que fiz até aqui. Não reconhecer o avanço dos esportes aquáticos brasileiros é uma ignorância. Trata-se de um trabalho eficiente não somente meu, mas de uma equipe de cerca de 40 pessoas”, argumentou.

A substituição dos cargos é constantemente debatida e sempre leva-se em conta os resultados e a qualidade do trabalho. Se benefícios estão sobressaindo diante dos fatores negativos e a modalidade ganha ascensão com o passar dos anos, a discussão se limita à oportunidade para outras pessoas, que entrariam com o compromisso de manter a evolução. “O embate das ideias é fundamental. Se existem pessoas mais qualificadas para exercer a função de dirigente que elas se apresentem. As mudanças são inevitáveis e irão refletir as tendências dos novos dirigentes. No entanto, as conquistas do passado devem ser avaliadas e, se possível mantidas, com os naturais ajustes que a passagem do tempo passa a exigir”, declarou Gesta.

Coincidência ou não, a situação se repete no campo da política, outra área bastante presente no cotidiano brasileiro e que ganha bom espaço na mídia diariamente. Apesar do esporte não ter o poder de modificar a realidade nacional como acontece com a política, os dois setores mostram a presença de membros que ocupam cargos durante anos seguidos.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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