Cidade de Franca dá show no Jogo das Estrelas de Basquete

Jogo das Estrelas terminou com vitória dos brasileiros, mas o resultado foi o menos importante (crédito: Luiz Pires - Divulgação)

Para realizar uma verdadeira festa do basquete brasileiro, Franca é um ótimo lugar. A cidade ‘respira’ a modalidade há muitos anos, impulsionada pelos vários títulos conquistados pelo time da cidade como pelo envolvimento da população, que cresce a cada ano. O ginásio Pedrocão, que recebe os jogo do Vivo-Franca é considerado o ‘templo do basquete brasileiro’, como anuncia uma placa logo na entrada. Na parte interna, mais placas exaltando os vários títulos da equipe local, incluindo conquistas nacionais e internacionais. 

A quarta edição do Novo Basquete Brasil (NBB) foi interrompida por uma causa justa. Os principais atletas do campeonato se reúnem para o Jogo das Estrelas, evento de três dias conta com fortes parcerias feitas pela Liga Nacional de Basquete (LNB) e que tem na organização um referencial para se confirmar que a coisa está sendo levada a sério, apesar do inevitável ambiente de descontração. “É notória a evolução que estamos vendo. A cada ano, cresce o número de equipes e também a qualidade dos jogadores participantes. O investimento também é maior, assim como a divulgação por parte da imprensa. Tenho certeza que vamos colher frutos no futuro. O basquete é um produto bastante vendável”, comentou o armador Helinho, anfitrião da vez. Nove dos atletas (sete brasileiro e dois argentinos) participantes estiveram no Pré-Olímpico das Américas, comprovando a qualidade dos jogadores que atuam no país. 

O All Star Game, da NBA, é o grande exemplo para o Jogo das Estrelas. Incentivado pelo evento fora do país, o brasileiro também conta com mascote oficial e animador que também faz papel de narrador quando os jogadores estão em ação. Assim como nos EUA, a competição brasileira é formada por duas fortes equipes (brasileiros contra estrangeiros, que receberam votos de treinadores, capitães e da imprensa especializada) e com um evento paralelo, que acontece um dia antes. Jogadores pré-selecionados por personalidades disputam entre si concursos de habilidade, cestas de três pontos e enterradas. 

Neste último quesito, o minastenista Jordan Burger foi o campeão do ano passado e garantiu vaga para a disputa de 2012. “Desde então já venho pensando em algumas jogadas, mas admito que não treinei muito. A altura não faz tanta diferença e sim a impulsão e criatividade. Temos que fazer uma jogada para o público se divertir”, comentou o jogador, que atua no Brasil há apenas dois antes. Antes, atuou cinco anos no Sevilla, da Espanha. “De fora do país eu acompanhava, mas quando cheguei aqui vi que o basquete cresceu muito. É um dos principais esportes do Brasil e tem ainda mais para crescer”, afirmou o ala. 

O equilíbrio do campeonato ganhou uma pausa e ganhe ares de confraternização. A interação entre os jogadores mostra que o clima é diferente de quando cada rebote ou ponto pode fazer a diferença. “A prioridade é o público e vamos tentar dar a eles um verdadeiro show. O resultado fica em segundo plano. Mas posso te garantir que muito jogador vai se dedicar para vencer esta partida”, comentou o outro representante do time da capital mineira, o armador Mark Borders. O norte-americano confirma a ascensão do campeonato nacional, dando como exemplo as equipes de Uberlândia e Flamengo, que eram quase imbatíveis há dois anos. Uma realidade bastante diferente da atual, que tem uma competição mais disputada e com maior número de equipes com reais condições de conquistar o título. “Ano que vem estará ainda melhor”, garante. 

Quem prova que o resultado também vale é o pivô Guilherme Giovannoni, do Ceub-Unib-Brasília, atual bicampeão do NBB. “Temos um time de bom nível. Com certeza teremos o espetáculo, mas nesse ano faremos um jogo um pouco mais sério”, comenta.

Querendo deixar a derrota do ano passado para trás, os atletas do time nacional querem a vitória para mostrar seu valor e levar para casa o prêmio individual de R$ 1.500. Quem for o primeiro nos outros desafios recebem R$ 5.000. 

Com passagens por Assis e Araraquara, ele joga pela primeira vez a partida. Antes, havia participado da competição de três pontos. “Essa facilidade no acesso que a torcida tem com os jogadores também é muito positiva. Tanto um fanático como um cara que nunca jogou na vida pode conhecer mais do esporte e ter um contato direto com os atletas. Isso motiva muito”, comentou o jogador.

Helinho também destaca a ideia. Neste ano, pela primeira vez, a organização separou um dia para que os jogadores fossem ao ginásio para um leve bate-bola seguido de rápidos duelos com alguns torcedores, que tiveram acesso gratuito. Quem compareceu, pôde ter a sorte de ser escolhido para duelos particulares com os ídolos. Muitos venceram, com uma certa ‘ajuda’ dos gigantes e ganharam ingresso para o dia posterior. O ingresso para o esperado jogo teve preço simbólico: R$ 2. O acesso entre torcida, imprensa, jogadores, técnicos e dirigentes era livre, diminuindo a distância que, às vezes, pode parecer grande.

Anfitrião sem egoísmo

O Jogo das Estrelas acontece em Franca pela segunda vez consecutiva. Os dois primeiros anos aconteceram no Rio de Janeiro e em Uberlândia, cidades que são representadas no campeonato. Natal, que ainda não tem um time, também já se manifestou para sediar o evento, comprovando o interesse de outras sedes não tão badaladas em fazer o esporte ganhar notoriedade. “Para mim, é um prazer receber todos os atletas. Franca tem uma importância muito grande para o basquete e essa escolha vai ajudar a fortalecer o evento. O ideal realmente é que haja um revezamento. Tenho certeza que isso vai acontecer em breve”, destacou o jogador, nascido na cidade e filho do lendário técnico Hélio Rubens. 

A garantia de sucesso em Franca é sempre satisfatória, mas o grande objetivo da Liga Nacional de Basquete, presidido por Kouros Monadjemi, é que o Brasil volte a respirar o basquete, hoje já enraizado na cidade paulista e em outros locais. “É sempre bom saber que temos um porto seguro. Mas a ideia é rodar com o Jogo das Estrelas, fazer outros locais terem a mesma oportunidade. O basquete é um produto confiável e temos muita confiança neste sucesso”, afirmou o presidente, que também já esteve à frente do Minas Tênis Clube. 

Kouros ainda afirmou que um plano de gestão estratégica já foi formado para que parâmetros e metas sejam estabelecidos e alcançados. A iniciativa do começo hoje já é uma realidade e tem tudo para crescer ainda mais. E com uma novidade: em, no máximo, dois anos, teremos uma segunda divisão do basquete nacional, mostrando a boa estruturação do campeonato e o interesse de vários clubes em ter a oportunidade de fazer parte da elite. Sem o atual sucesso, um campeonato de acesso seria pouco provável. 

Além de mostrar como o esporte vem se fortalecendo no país, com a transmissão do jogo em TV aberta, o evento também têm outra importante função: a de fazer os jogadores ver, de perto, como são importantes para o atual momento do esporte. Vários atletas realizam uma visita à uma associação para motivar crianças a praticarem o basquete. “É muito importante que saibamos que também exercermos uma grande influência na vida destes jovens. Eles se espelham em nosso trabalho e durante o Jogo das Estrelas isso fica muito claro”, apontou Helinho.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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