Associação de vôlei pode fortalecer o esporte dentro e fora das quadras

O ex-jogador Montanaro é a favor de uma associação. Para ele, o presidente da CBV Ary Graça gostaria muito da ideia e aprovaria a iniciativa(crédito: Agência Estado - Divulgação)

Um dos principais apoios que qualquer trabalhador assalariado tem nos dias de hoje é um sindicato ou uma entidade que o represente e que defende seus direitos, principalmente em casos de maior necessidade. No entanto, no esporte, esta faceta é pouco vista, apesar de muito desejada. No vôlei, a possibilidade de formar uma associação de atletas foi comentada e sugerida, principalmente depois de William, levantador do Sada Cruzeiro, ter sido advertido pela Confederação Brasileira de Vôlei, em virtude de uma reclamação feita em sua conta pessoal do microblog Twitter. Na oportunidade, ele criticou a atuação do árbitro que comandou a partida entre sua equipe e o Vivo-Minas, que terminou com a vitória dos adversários e que foi marcada por desentendimento com a arbitragem. A manifestação foi defendida por outros colegas de quadra, como o levantador Bruno e o central Gustavo, ambos jogadores do Cimed-SKY (SC).

“Acho que seria uma grande ideia. Mas para ser sincero, não sabemos muito bem por onde começar e a quem recorrer. Seria uma preocupação a mais que teríamos que ter, além de nos concentrarmos e jogarmos bem para ajudar nossas equipes”, comentou Gustavo.

Ele acredita que a presença de um especialista seria fundamental para os primeiros passos. “Um advogado ou administrador, que entenda melhor dessa parte burocrática teria que participar, assim como algum representante da classe, que possa sugerir alguns pontos a serem melhorados. Já seria uma grande vitória apenas começar a ser ouvido”, indicou.

Quem apoia a presença de um especialista é o ex-jogador Montanaro, que fez parte da geração de prata do Brasil e que atuou profissionalmente entre 1975 e 1993. “Não se pode ter se basear somente no atleta, precisa de conteúdo e de algo bem planejado, baseado na lei. Um advogado ajudaria a traçar o caminho a ser percorrido e ter uma representatividade. Do contrário, fica somente uma ‘conversa de corredor'”, destaca.

Montanaro ainda afirma que na sua época a necessidade de uma associação era maior. “Uma ideia como esta demanda tempo e nossa maior preocupação era com o jogo. Mas a realidade era outra, o vôlei estava nascendo no país. Não existia seguro saúde e seguro de vida, por exemplo. Tenho certeza que o Ary Graça (presidente da CBV) seria a favor de uma iniciativa como esta”, garante o ex-jogador.

Mais importante que uma associação, seria válido, em um primeiro momento, a presença de um atleta experiente e com boas ideias nas reuniões da CBV, que normalmente contam com dirigentes e treinadores, somente. Essa é a visão do levantador e capitão William Arjona, do Sada Cruzeiro. “O ideal é que a distância entre confederação e jogador, árbitros e atletas, fossem diminuídas por meio da presença de algum atletas nestes encontros. Isso ajudaria para minimizar o atrito e para que opiniões fossem externadas e critérios mais bem compreendidos”, colocou o experiente camisa 7.

A ideia de uma associação pode ser o embrião de uma atitude que pode trazer bons frutos não somente para os atletas mas para toda a competição. “Realizar uma Copa Brasil, assim como acontece na Itália, seria interessante. Também já externamos nossa vontade de realizar um jogo das estrelas anualmente, com os principais atletas da competição, em uma determinada cidade, com toda a arrecadação sendo revertida para entidades carentes”, sugeriu Gustavo. Para ele, a entidade também atuaria para defender atletas que não tiveram seus contratos respeitados e chegaram a não receber parte do que foi acordado.

O companheiro de equipe Bruno também enxerga com bons olhos a iniciativa. “Não queremos nos rebelar, queremos apenas achar uma maneira de ter uma abertura com a CBV e fazer nossa classe ser ouvida. Em muitos pontos nos sentimos de mãos atadas, até porque não temos conhecimento de todas as orientações que os clubes recebem no começo da competição. O atleta é um dos principais envolvidos no campeonato e atingir seus interesses também faz parte do espetáculo”, comentou.

Bruno comentou sobre alguns tópicos que poderiam mostrar evolução. “A questão de estrutura dos ginásios, que poderia ser mais confortável para o público, é uma das sugestões. Lá fora, o calendário sofre poucas alterações, ao contrário do Brasil, quando a TV força mudanças de datas e horários com alguma frequência”, disse o levantador.

No último dia 14, a CBV divulgou a mudança de datas e horários em onze partidas das duas Superligas, mostrando como a emissora detentora dos jogos tem poder de alterar o que já estava programado de acordo com seus interessante, indo de desencontro à uma situação ideal, de manter o que foi anunciado previamente.

REALIDADE NÃO ACONTECE SOMENTE NO BRASIL 

Apesar da necessidade que se mostra presente, a ausência de uma sindicato atuante não é ‘privilégio’ do Brasil. Gustavo e Bruno atuaram na Itália por períodos bastante diferentes. Enquanto o central atuou no país da ‘Bota’ por oito anos, o jovem levantador jogou por lá por apenas 50 dias. No entanto, a realidade vivida proporcionou que a situação fosse sentida na pele.

“Lá existia uma associação, mas era muito pouco presente. Queremos fazer algo que realmente faça a diferença”, declarou o jogador. Segundo ele, via-se mais atitude da organização somente em casos de atraso de salários.

O levantador, com experiência de Liga Mundial e Jogos Olímpicos, afirma que no continente europeu a realidade esportiva parecem ser mais organizadas e que por aqui, muitas situações podem e devem sofrer alterações para o bem do esporte de uma forma geral.

William, com passagem pelo voleibol argentina, relata sobre a parecida realidade do país vizinho. “Lá também não existe nenhuma associação. No entanto, alguns encontros informais aconteciam com o chefe da arbitragem local, que servia para esclarecer algumas dúvidas e mostrar uma maneira mais tranquila abordar e conversar com o árbitro durante as partidas”, lembra.

A FORÇA DAS REDES SOCIAIS 

A necessidade de ter uma associação sempre existiu. No entanto, parece que somente depois de uma discussão por meio do Twitter é que a vontade foi realmente despertada. A força que as redes sociais possuem nos dias de hoje é indiscutível. Por meio delas, fãs, atletas e entidades podem se comunicar e começar a realizar debates e discussões sobre qualquer assunto. É também nestas redes que os jogadores aproveitam para externar algumas opiniões, como foi o caso do levantador William. “Acredito que qualquer coisa que seja usada de uma forma saudável e que vise beneficiar o esporte, é válida. Não podemos fugir dessa tendência dos dias de hoje, onde a tecnologia é usada por muitos para vários objetivos”, comentou o jogador do Sada.

Além da possibilidade de contato, as redes sociais também servem como um importante suporte para vários profissionais de imprensa e pessoas que acompanham o esporte, que já mostra evolução, mas que ainda pode crescer bastante dentro do país. Como apenas alguns jogos da Superliga são transmitidos ao vivo, o recurso que acaba sendo utilizado pelos jornalistas para se ter acesso ao placar dos jogos e aos depoimentos de quem participou ativamente dos duelos são as redes sociais.

Nelas, pode-se acompanhar o andamento das partidas e até mesmo sentir como anda o clima dos confrontos, que podem estar disputados ou mais fáceis para algum dos lados.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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