Minas investe na base para ter bom desempenho no NBB

Bruno, Cristiano e Cauê são três das jovens apostas do Minas (crédito: Charles Duarte)

Depois de ver seu patrocinador master não ter mais interesse em continuar investindo na equipe adulta de basquete, o Minas Tênis Clube teve que contar com seus jovens talentos para montar uma equipe para a quarta edição do Novo Basquete Brasil (NBB). Sem os recursos necessários para fazer contratações que pudessem fazer o time brigar pelas primeiras posições, o jeito foi dar oportunidades aos garotos da base, cheio de vontade de mostrar serviço. “O ideal seria trazermos jogadores de mais rodagem para dar a experiência a estes jovens. Sempre procuramos valorizar a base, deixando uma parcela do elenco para os atletas mais novos. Mas neste ano, a reposição não aconteceu como esperávamos”, detalha o técnico profissional Flávio Davis, responsável pela coordenação de toda a categoria de base do clube na modalidade.

Apesar de algumas etapas que foram queimadas, o Minas sempre teve como filosofia formar jogadores e revelá-los para o time adulto. Mesmo contando com a baixa média de idade, o desempenho da equipe no campeonato vem atendendo às expectativas. “Bons jogos que foram feitos contra algumas equipes tradicionais, como Franca, São José e Limeira. Foram vitórias expressivas se for analisado o investimento realizado. No entanto, em outros jogos a inexperiência pesou. “A cobrança acontece para todos eles e é inevitável. Estamos felizes com a qualidade e o potencial mostrados e temos muita esperança na continuidade deste projeto”, declarou Davis, que também já foi técnico da equipe principal.

Neste período, seu assistente era Raul Togni, atual treinador da equipe adulta. Depois de jogar pelo próprio Minas, como armador, Raul encerrou a carreira em Bauru, onde atuou como técnico do juvenil, antes de chegar ao adulto. O contato direto com os jovens colabora para um mútuo crescimento. “Fui atleta e hoje sou pai, treinador e professor. Não existe um segredo para trabalhar com jovens, mas busco sempre um equilíbrio, que é uma forma de levar bem as coisas não só no esporte, como na vida. Tento passar um pouco da minha bagagem para eles”, comenta. “O Raul sempre nos mostra a importância da intensidade durante todo o jogo. Com ele, não tem essa de idade. Ele dá oportunidade para quem está melhor e mais confiante”, comenta o jovem ala/armador Cauê, 19, natural de Franca.

Para Raul, existem pontos positivos e negativos de se trabalhar com atletas que estão começando agora sua carreira profissional. “O bom é que eles estão com a ‘mala vazia’, sem vícios e crenças, facilitando a introdução de algumas metodologias. O lado ruim é a dificuldade que encontram para definir algumas situações por conta própria”, detalha. A irregularidade é tida pelo treinador como outro fator que não é favorável, mas que é comum nesta fase. “Em alguns jogos, eles se superam e acabam até surpreendendo. Em outros, o rendimento cai demais. Essa oscilação faz parte do início de carreira profissional, mas tentamos buscar o equilíbrio. Isso fará com que o trabalho seja bem-sucedido”, comentou Raul.

Raul admite que os jogadores foram lançados precocemente em virtude da situação que se impôs. “Os atletas tiveram que assumir uma demanda por resultados, uma vez que estamos falando de esporte de alto rendimento. A maioria deles têm condições para suportar essa pressão. Eles estão se aprimorando a cada dia, assim como eu, que aprendo bastante a cada treino, a cada jogo”, relata o treinador, que ainda comenta sobre a experiência na equipe adulta do Bauru. “Não tive problemas nenhum nesta experiência. A melhor forma é saber interagir”, indica.

Diferença de nível já é sentida 

A equipe, que deve brigar para se classificar entre as doze primeiras colocadas, conta com poucos jogadores com idade adulta, acima de 23 anos. Todo o restante é formado por jovens que têm, neste ano, a primeira oportunidade de participar da maior competição do país com regularidade. “A diferença de jogar entre atletas da nossa idade e os profissionais é muito grande. No juvenil, a gente consegue se sobressair em algumas situações e o jogo é menos pegado. Mas, no NBB, a maioria dos adversários são fortes e experientes. Estamos nos doando ao máximo para ajudar a equipe cada vez mais”, comentou o pivô de 2,05m Cristiano Felício, de apenas 19 anos. Depois de integrar as seleções sub-17, sub-18 e sub-19 do Brasil, ele teve no ano passado uma das melhores experiências da sua curta carreira: ser convocado pelo técnico Rubén Magnano para disputar o Pan-Americano de Guadalajara, quando o Brasil terminou na quinta colocação. “Foi muito gratificante. Aprendi muito e todos do grupo me incentivaram bastante”, contou.

Assim como ele, outros jogadores do elenco já tiveram a oportunidade de entrar em quadra pelo NBB. No entanto, somente nesta temporada, nomes como do ala/armador Cauê Borges e do ala Bruno Irigoyen, que também disputou o Pan, estão em quadra durante um período maior. “O Raul sempre pede intensidade, principalmente para os mais jovens. Sinto que estou evoluindo bastante. Acredito que a melhor forma de crescer é jogando. Somente os treinos não bastam”, declara Cauê, natural de Franca, no interior de São Paulo.

Já o gaúcho Bruno participa pela segunda vez do campeonato nacional e encara de forma natural o momento. “Todos passam por esse processo de amadurecimento. Estou procurando aproveitar ao máximo as oportunidades”, diz. Dentro de quadra, ele tenta fazer o que é pedido pelo treinador. “O Raul fala que precisamos correr mais que todos os outros, até porque estamos começando nossa vida no basquete. Os adversários mais experientes sabem melhor os atalhos que devem ser percorridos. O jogo no adulto é muito mais tático e aos poucos, vamos nos acostumando a essa nova realidade”, analisou o jogador, que também acumula convocações pelas seleções sub-18 e sub-19.

Potencial e um futuro promissor

Apesar de todo o potencial e qualidade mostrados, Raul Togni acredita que os atletas precisam suar muito a camisa para conseguir uma posição de destaque no cenário nacional. “É bem diferente o nível do adulto para as seleções de base, mesmo para esses atletas que se destacaram nas categorias de formação. Eles possuem totais condições de conseguir uma boa evolução na carreira, mas isso vai depender do investimento que eles farão e de como aproveitarão as oportunidades que aparecerem”,comenta.

A passagem entre juvenil e adulto não é considerada fácil no basquete. A diferença é maior se comparada com outros esportes e por isso, um período de transição, é benéfico para fazer com que os jogadores cresçam dentro do seu ritmo. “Este espaço é muito grande. No basquete, a maturidade acontece mais tarde, por volta dos 22, 23 anos. A NBA, por exemplo, possui alguns atletas de quase 40 anos. Este último degrau precisa ser bem trabalho e o projeto organizado pela Liga Nacional de Basquete, a Liga de Desenvolvimento Olímpico (LDO) veio ocupar essa lacuna. É um trabalho muito bem organizado e serve como redenção para muitos talentos que, às vezes, não receber as devidas oportunidades. É uma chance de dar continuidade na carreira e ajudar suas equipes, no NBB, de forma mais competitiva”, elogiou Flávio Davis.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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