Super Bowl agita o planeta e Brasil acompanha crescimento

Tom Brady é o grande nome da final, que deve ter audiência recorde (crédito: Matt Slocum - AP Photo)

O que poderia parecer impensado para muitos brasileiros há alguns anos, hoje já é realidade, tanto para os que gostam do futebol americano como para aqueles que ainda se acostumam com a ideia de ver o esporte mais popular dos Estados Unidos invadindo redes sociais, bate-papos e vários lares, com a transmissão de vários jogos da NFL, a liga norte-americano da modalidade da bola oval. O campeonato, neste domingo, chega à grande final da edição de número 46, o chamado Super Bowl, evento que mobiliza torcedores de várias equipes e emissoras de várias partes do mundo para a transmissão de um único jogo, que mostra uma organização de primeira linha. Neste ano, o confronto acontece entre New England Patriots e New York Giants e pela primeira vez, uma TV aberta (Esporte Interativo) irá transmitir a partida, mostrando o crescimento do esporte no Brasil.

“O Super Bowl é o maior evento isolado mais badalado do planeta, tirando a Olimpíada e a Copa do Mundo. Os números de audiência e investimentos comerciais são absurdos, os mais caros do mundo”, comenta Ari Aguiar, narrador do canal ESPN Brasil, acostumado a acompanhar a transmitir partidas do campeonato. O lucro é tão certo que já se cogita a possibilidade de uma edição do Super Bowl ser realizada no estádio de Wembley, em Londres. Para ele, o jogo é apenas um pano de fundo para as diversas estratégias de mídia. Várias empresas destinam seus recursos aos investimentos para diversos momentos da partida.

“Além do fato do Super Bowl ser a final de um grande torneio esportivo, esse evento é cercado por grandes intervenções no mundo dos negócios. Grandes empresas utilizam a data para lançar e divulgar seus produtos. As quotas de patrocínio e propaganda são consideradas umas das mais caras da televisão”, argumenta Marcelo Fernandes, presidente do Minas Locomotiva, equipe de futebol americano de Belo Horizonte que já figura nas competições nacionais.

Uma das atrações mais esperadas do Super Bowl é o ‘Half-time show’, o show do intervalo, bem diferente do que o termo utilizado pelos narradores brasileiro. Por lá, acontece um verdadeiro espetáculo musical no intervalo da final.

O período entre os dois tempos, que normalmente é de 12 minutos, passa para 45, mostrando como o evento é especial. Para esta ano, a artista escolhida foi Madonna. “Nunca ouvi falar de nenhuma banda ou músico que se recusou a tocar no Super Bowl. Ser escolhido é uma verdadeira honra, ninguém nunca vai recursar”, declarou Ari. Em edições anteriores, nomes de peso do pop mundial já participaram como Bruce Springsteen, The Rolling Stones, The Who, The Black Eyed Peas, U2 e Paul McCartney. No ano passado, 162 milhões de pessoas assistiram ao show patrocinado por uma marca de pneus.

Até os anos 1980, bandas de universidade eram as responsáveis pelos intervalos. Em 1991, tudo mudou com a presença do grupo New Kids on the Block. Uma das maiores audiências do intervalo musical aconteceu em 1993 com Michael Jackson.

A grande decisão gera investimentos e mobilizações astronômicas, sendo diferente de tudo que acontece durante a temporada. Para anunciar sua marca durante 30 segundos nos intervalos da partida, cada empresa terá que desembolsar, cerca de US$ 3,5 milhões. A fortuna tem retorno garantido por toda a estrutura que envolve o evento.

A cidade escolhida para sediar o jogo agradece por toda a economia gerada. No ano passado, somente durante a partida, cerca de US$ 10 bilhões foram consumidos. Bons exemplos são os valores gastos com estacionamento e ingresso para o último Super Bowl, que chegaram a US$ 900 e US$ 2.500, respectivamente.

Os números de audiência também impressionam. De acordo com a Nielson Co., entidade reponsável pela medição de audiência televisiva, a edição do ano passado contou com 53 milhões de televisores ligados, além de ter superado a média dos 111 milhões de pessoas acompanhando o jogo. Para este ano, a expectativa é de mais quebras de recordes, em investimentos e audiência.

A cidade-sede é invadida por apaixonados pelo esporte de todo o país. “Torcedores, mesmo de outros times, fazem questão de comparecer para fazer parte deste grande evento. O Super Bowl vai muito além da questão esportiva, trata-se de algo muito mais relacionado com a tradição e com o lado comercial. O jogo serve como pando de fundo para toda a questão comercial envolvida”, declara Ari.

A greve, que deu sinais no começo de temporada mas acabou não se concretizando, deixou muita gente em Indianápolis bastante preocupada com a possibilidade de não arrecadar toda a quantia esperada. O Lucas Oil Stadium, deve receber, no próximo domingo, sua lotação máxima de 63.000 pessoas.

Dentro das quatro linhas, muitos olhos estarão voltados para tom Brady, quarter-back dos Patriots, que vem mostrando bom desempenho durante toda a temporada e que também ganha destaque por ter como esposa a modelo brasileira Gisele Bündchen. “Será uma reedição da final de 2008, vencida pelos Giants. Esse jogo é imprevisível, ficar difícil apontar um favorito. Mas o Brady é o nome mais famoso deste encontro”, mostrou Ari.

Tradição faz a diferença 

Os exemplos que o Brasil pode tirar com o Super Bowl são diversos. No entanto, apesar da grandes paixão que os dois países alimentam pelo esporte de maior preferência, mudanças e aprendizados são pouco possíveis, tendo a cultura como referência para este caminho. Ao contrário dos brasileiros, os americanos gostam de ficar várias horas seguidas dentro de um estádio, acompanhando um jogo que tem diversas paralisações.

Antes mesmo das partidas, os torcedores têm o hábito de estacionar o carro próximo ao local da partida e começar ali o ‘aquecimento’, acompanhando pelos amigos, carne e muita cerveja. Depois do jogo, a rotina se repete. “O americano vai como passa tempo. Aqui isso não faz parte da nossa tradição. Depois de muito tempo em um estádio, o brasileiro já começa a ficar entediado”, lamenta Ari. No entanto, tudo que é oferecido aos torcedores nos Estados Unidos os motiva a serem parte da festa durante um maior tempo.

As diferenças culturais não param por aí. “Lá não existem brigas. A rivalidade como acontece por aqui não é comum dos americanos. O conforto e a estrutura são muito bem planejados para que o torcedor gaste. Se você não oferece um ambiente de qualidade ao torcedor, ele simplesmente não vai ao estádio. Não existe prejuízo no Super Bowl.”, analisa Ari. “Torcedores de equipes rivais ficam lado a lado sem muita possibilidade de confusão. A questão cultura faz o jogo ser mais lucrativo. A paixão lá parece ser maior, independentemente da posição do time os caras apóiam”, comenta Ítalo Mingoni, diretor de comunicação e marketing do Minas Locomotiva, equipe de futebol americano de Belo Horizonte que chega neste ano á sua terceira participação no Campeonato Brasileiro da modalidade.

Brasil mostra crescimento no esporte

Apesar de toda a distância, o número de tupiniquins praticando e se envolvendo com o futebol americano é cada vez maior. Torneios regionais e em nível nacional já acontecem com frequência, assim como processos de seleção para algumas equipes. O já citado Minas Locomotiva, atualmente, reúne uma equipe infantil, além da adulta, que já participa de competições com regularidade. “É um esporte que ainda engatinha por aqui. Mas a maior visibilidade que o esporte vem ganhando com transmissões de qualidade ao vivo ajudam bastante. Quem conhece o esporte e gosta, acaba se apaixonando e isso acaba influenciando, até mesmo, em ações fora do campo, como ser mais disciplinado”, indica Ítalo.

Entre 2007 e 2011, o número de equipes de futebol americano no Brasil saltou de zero para 35, mostrando uma verdadeira revolução do esporte no país. “O futebol americano no Brasil tem crescido muito ao longo dos anos. Mas é necessário um maior apoio da mídia e de patrocinadores, públicos ou privados, para que o esporte avance muito mais. A maioria das equipes do país é custeada pelos próprios jogadores”, detalha Marcelo Fernandes.

Apesar de todo o crescimento do esporte norte-americano por aqui, a diferença entre um país que criou a modalidade e outro que dá seus primeiros passos é alarmante. “O Brasil pode batalhar o quanto quiser, mas nunca vai chegar no nível de profissionalismo, organização e envolvimento que o futebol americano tem nos Estados Unidos. Simplesmente não faz parte da nossa tradição”, destacou o narrador. Para ele, é como se quiséssemos que o nosso futebol fosse praticado lá como aqui. “Isso é cultural. Da mesma forma que os primeiros toques em uma bola de futebol no Brasil acontece aos quatro ou cinco anos, lá as crianças praticam o futebol americano nessa faixa de idade”, comparou.

Mesmo assim, o patamar atingido no Brasil é comemorado. “Por aqui virou uma febre, uma grande onde. Os canais de TV começaram a transmitir e divulgar e muitas pessoas gostaram. O boca a boca teve um grande peso sobre isso. Hoje já vemos times montados e muita gente jogando em parques. Temos, inclusive, a seleção brasileira de futebol americano tendo suas primeiras vitórias”, comentou Ari, se referindo ao amistoso entre Brasil e Chile, disputado no último dia 21 em Foz do Iguaçu. Os donos da casa terminaram com a vitória em sua segunda apresentação oficial.

Mais que um jogo

Quem quiser comparecer ao Super Bowl, terá que desembolar uma boa quantia com deslocamento até a cidade-sede, alimentação, estacionamento, ingressos e outros apetrechos. No entanto, a magia que envolve o Super Bowl e toda a organização que se vê faz com que o sentimento de que cada dólar foi bem utilizado em um momento único. Os torcedores comuns tem acesso direto aos jogadores por meio de um espaço designado especialmente para isso.

A atenção dos profissionais com aqueles que pagam ingressos é diferenciada. Além disso, um tour pelo estádio também é planejado para que os torcedores conhecem áreas do local do jogo que não costumam ser visitadas no calor de uma partida. Outra ideia interessante é o parque temática, com diversas opções de interação e entretenimento entre os fãs e bonecos, brinquedos e outros tipos de diversões que fazem cada um se sentir um profissional, mesmo que por pouco tempo.

O Media Day é outro evento que mostra o nível de preparação nos Estados Unidos. Jogadores são convocados, em data pré-combinada, a comparecer em um local para entrevistas para diversos meios de comunicação. “Pelo que sei, os jogadores não podem se dar ao luxo de falar ‘hoje eu não quero falar com ninguém’. Eles são obrigados a comparecer, isso faz parte da agenda. Imagino que a estrutura para a imprensa seja fenomenal”, elogia Ari Aguiar.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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