Mineiros fazem expedição histórica pela Patagônia

Vinícius Parizzi ficou frustrado com a negativa de empresas mineiras do ramo de aventura (crédito: arquivo pessoal)

Quem completa 30 anos acredita que está chegando em um momento crucial da vida. Pensando nisso, muitos desejam ganhar de aniversário um presente inesquecível, como um carro, uma viagem ou uma bela de uma balada com os amigos. Mas no caso do produtor de vídeo Vinícius Parizzi, a decisão foi outra: percorrer um lugar inóspito e ainda não explorado, a Patagônia.

Ele e o amigo Guilherme Lemos embarcaram para a Argentina para uma viagem de 20 dias que promete ser uma das mais especiais de suas vidas. “Iremos sair de Ushuaia, a cidade mais ao sul do continente americano. Tentaremos ir, a pé, até a última parte de terra ou gelo que encontrarmos. Queria fazer algo diferente no meu aniversário e admito que não foi fácil encontrar um companheiro”, comentou. A volta está marcada para 6 de fevereiro. A ideia inicial era fazer essa viagem pelo Alaska, mas as dificuldades com valores e vistos acabaram forçando Vinícius a pensar em uma outra opção. Ao todo, foram dois anos de planejamento.

A expectativa é pelo encontro de uma temperatura próxima de zero grau e ventos de até 150km/h. Mas isso não será o maior adversário. “Nosso psicológico será testado a todo momento. Passaremos por situações difíceis e nossa mente tentará nos enganar o tempo todo, querendo que desistamos. Essa será a maior dificuldade, ter motivação para continuar o caminho por maior que seja a vontade de abandonar tudo e voltar para casa”, pontuou.

A busca por parcerias não foi fácil. Depois de tomar a decisão de fazer esta viagem, Vinícius foi para São Paulo participar de uma feira especializada em aventura para fazer contatos e conhecer pessoas com experiência no assunto. “O mais impressionante foi não ter conseguido um apoio sequer de empresas mineiras. Fui pessoalmente em quase todas as lojas especializadas. Só consegui ter suporte de empresas de São Paulo e do Sul”, lamentou. Roupas, equipamentos de camping e alimentos das empresas de fora do Estado vão ajudar bastante a dupla no dia a dia. “Fizemos uma troca com essas parceiras. Elas nos fornecerão todo o material e terão suas marcas divulgadas no vídeo e nas fotos que produziremos tanto durante a viagem como no retorno”, esclareceu.

O companheiro Guilherme será o responsável pelo registro de tudo em duas câmeras full HD que também completam a bagagem. Ao todo, cada um vai levar 25kg nas costas. Com o passar dos dias, o peso diminui, ao contrário das dificuldades, que prometem só aumentar a cada passo dado. “Fiquei impressionado com o tipo de alimentação que teremos. Serão comidas convencionais, como strogonoff. No entanto, tudo será desidratado. Em apenas dois minutos, a refeição estará pronta depois de fervida”, exemplificou.

Um dos poucos apoios que teve em Minas Gerais foi de um chefe de resgate da Polícia Rodoviária Federal que o viu em um programa de TV. “Apesar de eu já ter o curso de resgate em ambientes inóspitos, a ajuda dele está sendo diferenciada. Ele me ajudou a conseguir um kit de primeiros socorros bem completo, além de passar todo o conhecimento em resgate de montanha”, salientou.

Depois de tomar a decisão de fazer a viagem, Vinícius teve que se esforçar para perder 21kg. “Fiz um trabalho intenso com uma nutricionista, além de ter feito corridas e subido montanhas, como a Serra do Cipó e a própria Serra do Curral”, lembrou.

Um dos diferenciais da expedição é a sua autossustentabilidade. Todo o lixo produzido não será descartado, retornando com a dupla em sua bagagem. “Queremos fazer um evento quando retornarmos. Iremos descartar tudo em local apropriado, já pensando na reciclagem. Gostaríamos de ainda de realizar o plantio de duas mil mudas de plantar para gerar créditos de carbono que seriam oferecidos a algumas empresas”, declarou o aventureiro.

Mesmo se o último metro existente não puder ser alcançado, a viagem já terá valido a pena pela experiência e pela disposição de fazer algo que muitos não teriam coragem. “Cada metro será uma vitória. É um caminho que não existe trilha nem relato de outras pessoas terem passado por ali. Queremos ter o prazer de provar para nós mesmos que fomos capazes de planejar e cumprir nossos objetivos”, esclareceu. Sorte para eles, que garantem ter tudo o que precisam para que a viagem seja lembrada para sempre como a maior aventura de suas vidas.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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