Sonho de disputar Jogos Olímpicos permanece inabalado

Luciano Correa está entre os classificados, mas precisa conquistar bons resultados se quiser ir para Londres (crédito: Alex de Jesus)

Depois de levar três judocas a Pequim, o Minas segue seu objetivo de preparar bem seus atletas para o maior compromisso do ano: os Jogos Olímpicos de Londres. Em 2008, Luciano Corrêa, Érika Miranda e Ketleyn Quadros foram os representantes minastenistas na maior competição da modalidade. Erika, contundida, acabou não atuando. Para este ano, a meta se resume a preparar bem os atletas e deixá-los na melhor condição possível para a disputa de medalhas. “Trabalhamos com todo o grupo sem essa questão de levar um número específico de judocas. Naturalmente, os resultados aparecem e essa sempre foi a nossa metodologia de trabalho, que vem dando resultados”, comentou o treinador Floriano Almeida.

O primeiro compromisso do ano rumo à Londres aconteceu na penúltima semana, no Cazaquistão. Por lá, o Minas foi representado por Érika Miranda (categoria até 52kg), Hugo Pessanha (categoria até 90kg) e Luciano Corrêa (categoria até 100kg), que estão estão na zona de classificação para a competição que acontece em junho na capital britânica. No entanto, a saldo do trio no torneio não foi positivo: Érika e Luciano caíram na primeira rodada e não pontuaram, enquanto Hugo conquistou o bronze e somou 160 pontos no ranking mundial.

Ao contrário da Olimpíada, quando existe a possibilidade de repescagem para aqueles que perdem na primeira luta, o critério adotado pela Federação Internacional de Judô na maioria das competições não dá chance para erros. “É um critério igual para todos. No começo, muita gente achou injusto, mas hoje todos já se acostumaram”, comentou Luciano, que está em 18º no ranking que classifica 22 atletas. O Brasil tem direito a uma vaga em cada categoria e o judoca do Minas é o melhor posicionado até então.

A derrota de Luciano para o israelense Ariel Zeevi obrigará o atleta a estar no seu limite a partir de agora. Serão mais quatro chances de pontuar em competições a serem realizadas em Paris, Oberwart (Áustria), Dusseldorf (Alemanha) e Praga (República Tcheca). “A meta traçada para o Luciano era conquistar pontos, mas infelizmente não deu certo. A competição era de alto nível e qualquer erro faria a diferença”, declarou o treinador Floriano Almeida. “A partir de agora não posso errar nada”, admitiu o atleta.

Faltando apenas 20 segundos para o fim do combate, o brasileiro acabou cometendo um deslize que foi aproveitado pelo oponente. O pódio em todos os próximos compromissos é o principal objetivo para que a vaga não escape. “Essa pressão já virou rotina. Busco motivação no sonho olímpico, na chance de representar mais uma vez o Brasil. Essa vontade é alimentada todos os dias. Não posso deixar uma vitória ou derrota mudar minha atitude. Cada dia desanimado é uma chance a menos de chegar em Londres”, analisou Luciano.

Para Floriano, a capacidade de não deixar derrotas abalarem ou vitórias subirem demais à cabeça é um dos principais trunfos de Luciano. “Ele é um lutador que assimila muito bem os resultados e sempre volta aos treinos no mesmo ritmo, sem se deixar abater. O Luciano é muito disciplinado”, elogiou o treinador do clube mineiro.

Hugo Pessanha tem tarefa árdua

Uma das brigas que prometem se estender até a véspera dos jogos é entre Hugo Pessanha e Tiago Camilo. O equilíbrio entre os dois lutadores foi confirmado no Cazaquistão, quando ambos somaram 160 pontos depois de terminarem a competição com a medalha de bronze. “Ter um cara que foi campeão mundial e medalhista olímpico como adversário é uma honra para mim. Isso só me motiva cada vez mais para correr atrás desse sonho olímpico”, disse Pessanha, que está em sétimo lugar no ranking, 90 pontos atrás do compatriota, que está em terceiro.

Focado em Londres, ele já estabeleceu suas metas para 2012: Paris e Dusseldorf serão as duas competições que vão contar com sua presença. “Não é interessante eu me desgastar em todas as competições. O campeão de Paris leva 300 pontos. Mas não posso ficar preocupado com número de pontos. O que vai fazer a diferença é lutar bem. Se meu desempenho for bom, vou conquistar pontos importantes. Preciso continuar lutando de forma alegre e solta, como aconteceu no Cazaquistão”, salientou. “O Hugo não pode lutar pensando no Tiago. Ele precisa cuidar bem do seu judô e tentamos tirar essa preocupação dele. A gente sempre reforça esse detalhe e ele está ciente do que deve ser feito”, declarou Floriano Almeida.

Hugo admitiu se sentir bastante estressado depois de uma sequência de competições. No ano passado, ele conseguiu o ouro em apenas duas das oito competições disputadas e isso acabou trazendo incômodo e reflexão na sua preparação. “Comecei a pensar se minha preparação estava sendo bem feita. A saudade também pesou. Mas no final do ano, tive a oportunidade de descansar ao lado da minha família, o que serviu para renovar as energias. Não tive preocupação alguma com judô e isso me deixou mais tranquilo para este ano”.

O bom resultado conquistado serve de motivação para os próximos compromissos, além de ter confirmado a necessidade de uma descanso depois de uma temporada tão desgastante. “Parece que todo o esforço do segundo semestre do ano passado final está surtindo efeito.

Érika Miranda está perto da vaga

Quem tem uma situação mais confortável é Erika Miranda. Com 800 pontos no ranking e ocupando a quarta posição, ela está praticamente garantida em Londres, vendo suas principais adversárias dentro do país em condição bastante desfavorável. Apesar da derrota na estreia no Cazaquistão para a japonesa líder do ranking mundial Yuka Nishida, Érika não deve encontrar problemas para confirmar sua presença na capital britânica.

“Claro que era importante para ela pontuar, mas não era nosso objetivo principal. Como ela está bem no ranking, podemos fazer um trabalho mais light, diferente daquele que o Luciano vai precisar, por exemplo”, argumentou Floriano. A intensidade dos treinamentos da judoca será maior no período próximo das Olimpíadas para que sua condição na competição seja a melhor possível. Já para Luciano, o planejamento será para a cada duas semanas, uma vez que seus desafios já acontecem todos no próximo mês.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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