Fernanda Venturini comemora bom retorno, apesar da proximidade da prometida aposentadoria

Fernanda garante que está será sua última Superliga. Seleção, nem pensar. (crédito: Alexandre Loureiro / VIPCOMM)

Apesar de inesperado, o retorno de Fernanda venturini, 41, às quadras, anunciado em maio do ano passado, foi comemorado por muitos, principalmente por aqueles que tiveram a oportunidade de ver a jogadora em ação e acompanhar o crescimento e a consolidação de sua carreira. Fernanda anunciou aposentadoria nas duas vezes em que ficou grávida, mas divulgou o retorno em 2002 e 2007. Pela seleção brasileira, foi bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996 e conquistou o quarto lugar em Barcelona (1992) e Atenas (2004). Títulos nacionais são doze, ao lado de premiações como melhor atleta da posição por vários anos.

Depois de ver seu marido Bernardinho ficar sem uma boa opção de levantadora no Unilever (RJ), equipe que disputa a Superliga feminina de vôlei, ela acabou cedendo à pressão do também treinador da seleção brasileira masculina da modalidade. “Pensei: por que não? Ele havia ficado sem a Dani Lins, que foi para o Sesi, e tinha somente a jovem Roberta na posição. Decidi ajudá-lo e jogar mais um ano”, lembrou. Antes de estrear oficialmente pela equipe carioca, Fernanda realizou treinos separados para que suas condições fosse avaliados.

Os quatro anos longe das quadras foram considerados normais para a jogadora, que ocupou seu tempo cuidando das filhas e praticamente algumas atividades como academia e natação. “A Fernanda sempre foi uma jogadora que se cuidou muito bem e nunca deixou de ter uma condição técnica apurada. Sua atitude em retornar engrandece o voleibol brasileiro e para mim não foi surpresa e sim uma grata alegria ter a oportunidade de vê-la de volta às quadras”, elogiou Carlos Castanheira, o Cebola, ex-treinador que a comandou na temporada nos anos de 1990 e 1991 em Belo Horizonte, defendendo o Minas Tênis Clube.

A inevitável saudade foi sentida por Fernanda. Deixar de lado algo que a acompanhou durante três décadas não foi fácil, mas também foi encarado com naturalidade. “Senti falta, mas nada demais. Cheguei a assistir alguns jogos decisivos em Belo Horizonte e foi bom lembrar os tempos de jogadora”, comentou.

Sem deixar toda a vitoriosa carreira e o deslumbramento subir à cabeça, Fernanda se mostra como apenas mais uma no grupo. Assim como ela, o grupo também não apresentou nenhum tipo de admiração excessiva por contar com uma referência no esporte bem ao seu lado. “Não me sinto diferente pela minha história ou pela idade. Temos uma equipe experiente que assimilou bem o meu retorno. Se tivéssemos um elenco mais jovem, até que poderia ser diferente. No começo, o pessoal falava mais, mas hoje está tudo em casa”, brincou a jogadora.

As lembranças de Fernanda são as melhores possíveis. Sua qualidade para distribuir bolas e deixar as atacantes em boas condições de ataque sempre foi sua marca registrada, que a fez ser considerada uma das melhores levantadoras de todos os tempos. “A liderança e o potencial da Fernanda nunca serão perdidos. A presença dela serve como grande motivação para muitas jogadoras, principalmente para as companheiras de grupo. No entanto, ela vai cobrar das atacantes a mesma eficiência que ela apresenta nos levantamentos “, declarou Cebola. A levantadora reserva Roberta pode ser considerada uma privilegiada por ter a oportunidade de jogar e aprender cotidianamente com Fernanda Venturini. Uma chance que poucos tiveram.

Quem não teve a oportunidade de ver Fernanda em quadra, pode tratar de se apressar. A aposentadoria definitiva está marcada para o final da Superliga feminina de vôlei. Fernanda encontra, no final da carreira, algo que nunca havia se deparado antes: as lesões. “Meu retorno, de uma forma geral, está sendo muito bom. Estou aproveitando cada momento. Mas um problema no joelho me impede de fazer tudo que eu gostaria, tanto dentro de quadra, como em alguns trabalhos na academia. Quando as limitações começam a aparecer, não considero como esporte”, lamentou a atleta sobre o inchaço e as dores constantes. Quem já viu Fernanda, aproveita para matar a saudade e sentir o gosto dos últimos instantes de uma lenda do vôlei nacional em quadra. Fernanda vai deixar saudades e seu nome promete nunca ser apagado da história do esporte brasileiro. Merecidamente, diga-se de passagem.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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Uma resposta para Fernanda Venturini comemora bom retorno, apesar da proximidade da prometida aposentadoria

  1. Fernanda é divina, já nasceu sabendo, que prazer em vê-la jogando novamente.
    Deveria ser eterna!

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