Thiago Vinhal comemora maior visibilidade depois de programa da Rede Globo

 

 

Vinhal ainda não se acostumou com o assédio quem vem sofrendo depois de sair do programa (crédito: Cristiano Trad)

Abrir mão de um sonho não é fácil. Ainda mais do conhecido e tão falado sonho olímpico, que bate na porta de atletas de várias modalidades espalhados pelo país. No caso do triatleta Thiago Vinhal, o sonho foi somente interrompido, mas perdura. O motivo foi extremamente válido. Thiago foi convidado para participar do programa Hipertensão, da Rede Globo, bem no meio de sua caminhada rumo à Londres, no ano que vem. “Na verdade, minhas chances de ir para os Jogos Olímpicos não eram muito grandes. Eu precisava muito de um patrocinador forte para que tivesse condições de disputar as principais competições e entrar na briga por uma vaga”, esclarece. Após ter recebido o convite, Vinhal ficou receoso. Ele estava com presença confirmada no Iron Man do Havaí, considerado o campeonato mundial da modalidade. A presença foi garantida depois de vencer, em sua estreia, o Iron Man no Brasil, disputado anualmente em Jurerê, Santa Catarina. Vinhal foi o primeiro colocado na categoria 25 a 29 anos e foi essa vitória que chamou atenção dos produtores do programa. Foram 3,8 km de natação, seguidos de 180 km de ciclismo e 42 km de corrida.

Apesar de não contar pontos para os Jogos Olímpicos, ele já estava se preparando para a competição, principalmente pela visibilidade que ela proporciona no meio. E foi pensando nesta visibilidade que ele aceitou o convite global, que contou com mais de 100 mil inscritos. “É impressionante a diferença que aconteceu depois que o programa terminou. Já estou em contato com vários patrocinadores e a situação está bem encaminhada para parcerias para 2012. Além disso, o assédio na rua também é constante, coisa que nunca havia acontecido anteriormente”, comemora. O maior conhecimento do esporte por pessoas de diversas idade também é um motivo de orgulho para o atleta, que vem realizando palestras sobre sonho, desafio, motivação e superar-se em escolas e empresas de todo o país.

Para se ter uma noção da importância de um suporte financeiro de relevância para um triatleta, os gastos com viagens, inscrições e hospedagem variam entre R$ 100 mil e R$ 120 por ano. Os R$ 500 mil que ele embolsaria, no caso de vitória, no programa, seriam usados para as despesas durante todo o ciclo de quatro anos até Londres.

Apesar da boa condição e resistência física, Thiago acredita que o diferencial no programa é o psicológico. Provas como comer baratas e larvas, ficar debaixo d´água durante alguns minutos, além do confinamento, testam os participantes até o limite a todo momento. “Eu procurava não gastar energias desnecessariamente e não ficar discutindo, me envolvendo em problemas dos outros. O programa exige bastante, principalmente na parte mental. As provas são apenas 1% das dificuldades”, comenta. O fato de ser triatleta o ajudou em alguns aspectos, mas em outros não fez tanta diferença. “Algumas provas exigiam equilíbrio, agilidade e outros aspectos que não estão tão presentes no triathlon”, admite. Depois de quase ser eliminado já na primeira prova, ele saiu e retornou ao programa, por meio da repescagem. Na prova final, o desgaste era enorme e a vontade de sair da casa e voltar a rotina já dava as caras.

Depois de sair do programa com um quinto lugar e sem dinheiro de premiação (destinado somente aos três primeiros colocados), Vinhal garante que saiu da atração mais forte e preparado. “Além do maior conhecimento, estou de volta ao meu habitat. No programa, me deparava com várias situações imprevistas e incontroláveis, mas que me deram muito força, principalmente psicológica. Lidar com a pressão será muito mais fácil a partir de agora. Estou muito mais forte do que entrei e a sede por resultados é grande”, exalta o competidor.

Atualmente, Thiago se mantém como professor de treinamento esportivo para empresas. No entanto, somente esta renda não é suficiente para ele que, aos poucos, começa a voltar aos treinamentos e competições mais com o intuito de ‘desenferrujar’ do que buscar resultados imediatos. O ano quem vem será de grande importância para Thiago, que retornará ao ritmo exigido para um atleta de alto nível. O maior desafio no ano olímpico será o Ultra Man, competição de três dias que servirá como referência para analisar a preparação realizada até o momento.

O sonho de Vinhal continua mais vivo e forte do que nunca. A meta teve uma breve alteração no seu prazo, mas é bem possível que o melhor caminho seja este. Feito com mais calma e planejamento, na hora certa, com a visibilidade necessária que Thiago e o esporte merecem. Ele chegará em Londres com 31 anos e, provavelmente, no auge de sua forma. Participar das competições certeiras e conseguir regularidade por meio das primeiras posições é algo tangível, que pode muito bem acontecer com treinos intensos e um patrocínio que dê o apoio necessário. Vinhal agradece pela visibilidade que o programa lhe trouxe. Ele garante que tem tudo para crescer na hora certa, sem atrasos.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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