UFJF já mira Superliga após último lugar no Estadual

Depois de não conseguir a classificação no Campeonato Mineiro Masculino de Vôlei, a UFJF concentra sua atenção na Superliga, principal competição do país onde a equipe participará pela primeira vez. A história da equipe não é longa, mas já possui importantes e orgulhosos capítulos.

Ficar em último lugar em qualquer campeonato que seja normalmente é sinal de que o planejamento não foi bem feito e que mudanças, mais que necessárias, estão por vir, caso se pretenda ter um desempenho melhor nos próximos compromissos. Mas no caso da UFJF, equipe que disputa o Campeonato Mineiro Masculino de Vôlei, é sempre bom entender o contexto antes de achar que tudo está errado. A equipe foi criada há apenas três anos, com o intuito de fazer a cidade da Zona da Mata ter um representante de nível no voleibol mineiro e brasileiro. Maurício Bara é o treinador da equipe e acumula a função de professor da Faefid (Faculdade de Educação Física e Desportos). Ele foi um dos idealizadores do projeto, que vem crescendo e conseguindo evolução no trabalho. “A ideia era desenvolver um projeto dentro da universidade, aproveitando a boa estrutura que ela possui, além da qualidade na área de recursos humanos”, aponta Maurício. Poucos sabem, como ele, todas as dificuldades que foram encontradas, antes mesmo da equipe começar a entrar em quadra.

Depois de muita luta, a presença na Superliga, a maior competição do país. Para chegar à elite, uma boa campanha na Liga Nacional era fundamental. Apesar de ser considerado a ‘segunda divisão’ da Superliga, o campeonato mostra bom nível técnico e muito equilíbrio por parte das equipes. A classificação para a final do campeonato passado garantiu a equipe de Maurício Bara na Superliga, ao lado do Olympico-MartMinas, que acabou se sagrando campeão da competição.

A estreia na Liga aconteceu em 2009, quando uma equipe de Juiz de Fora foi representada no torneio pela primeira vez na história. Em 2008, foi a vez da cidade ser representada, pela primeira vez no estadual, depois de 17 anos de ausência. Depois da criação, alguns anos de experiência era fundamentais para que um nível aceitável de desenvolvimento e maturidade fosse construído e ajudasse a equipe a ter condições de disputar partidas diante de grandes nomes do voleibol nacional, como Minas, Sada e Montes Claros. O campenato regional foi apenas uma prévia das enormes barreiras que aparecerão no campeonato nacional. “Nossa meta é ficar entre os 10 e garantir presença na Superliga 2012/2013. Quem sabe conseguimos ainda uma vaga nos playoffs”, relatou.

Nos dois primeiros anos, nada de patrocínio. A maior dificuldade era convencer os atletas a aceitar jogar pela equipe sem nenhuma tipo de remuneração. Algumas poucas despesas eram financiadas pela universidade, como transporte e alimentação. “Somente com o patrocínio que conseguimos em 2010 por meio da lei de incentivo ao esporte é que começamos a ter melhores condições na estrutura, que foi toda feita passo a passo”, analisa o treinador. A empresa que foi importante para o crescimento está em negociação com a universidade para que a parceria seja mantida e resultados mais efetivos continuem sendo buscados.

Pensando alto, mesmo sabendo das dificuldades que seriam encontradas, o objetivo foi traçado: disputar a Superliga, um dos campeonatos mais disputados do mundo e que conta com grande parte do elenco da seleção brasileira, uma das potências da modalidade. “Nossa meta, desde o início, era conseguir a classificação para a temporada 2011/2012. Em alguns momentos, achei que não conseguiríamos, devido ás dificuldades que apareceram. Mas com muito trabalho o objetivo foi conquistado”, comemora Maurício. “A classificação para a Superliga foi bastante comemorada. Foi um marco para o projeto e para a cidade. A visão que a população tinha sobre o time mudou bastante e agora contamos com um apoio ainda maior dos moradores depois de vitórias significativas”, retrata.

Desde 24 de outubro, a equipe tem um grupo de 17 jogadores fechado para a disputa do maior compromisso na história da equipe. “A rotatividade nos atrapalhou muito. Nossa força está no conjunto. Todos os integrantes tem bom nível vão nos ajudar bastante. Na única vitória que tivemos no Estadual, na última quinta-feira, usei 11 dos 12 jogadores. Isso mostra a importância de um grupo forte e qualificado”, destacou. Maurício garante que as escolhas dos jogadores foram feitas a dedo, minimizando prejuízos e retrabalho. “Fomos atrás de jogadores que estavam dispostos a abraçar o projeto e com interesse em se dedicar ao máximo de acordo com a nossa realidade”, comenta.

Até hoje, a equipe continua disputando campeonatos de um nível inferior, mas que são muito importantes para o entrosamento e desenvolvimento do time. “São competições de nível diferente, mas que nos dão uma boa bagagem para conhecer o elenco. Alguns torneios se tornam uma questão de honra, como os Jogos do Interior, que foi uma competição que a equipe não ganhava há 25 anos. Temos que valorizar algumas participações até por uma questão de cultura da cidade”, afirma Maurício.

Olhar para tras e ver o nível de evolução conquistado é motivo de orgulho não só para Maurício, como para os habitantes e envolvidos no projeto. “Agora sim estamos conseguindo competir de igual para igual com equipes de alto nível, coisa que não acontecia antes. Estamos batendo na trave em algumas oportunidades, mas é questão de tempo para melhores resultados aparecerem”, garante. A desclassificação no Estadual era esperada até pelo momento de transição que a equipe vive. Neste ano, o elenco sofreu vários alterações e três conjuntos foram formados durante o campeonato mineiro, o que dificultou bastante o aparecimento de resultados.

Nenhuma evolução aparece por acaso. Uma estrutura que dê boas condições de trabalho, por meio de um ginásio com piso flutante, uma quadra coberta com piso emborrachado, academia e piscina é primordial para que os rotineiros treinamentos gerem resultados satisfatórios e melhores, com o passar dos anos. Contar com uma equipe competente e responsável, que trabalhe em conjunto com jogadores motivados e comprometidos é também um dos pilares. E tudo isso faz parte do ambiente da UFJF, que espera surpreender a muitos e, pelo menos, se manter na próxima Superliga. Para isso, uma boa campanha na temporada deste ano, que começa no início de dezembro, é obrigatória. As dificuldades já são bem conhecidas, mesmo para uma equipe que estreia na elite. O Campeonato Estadual foi um belo teste para avaliar as condições do time. Apesar de apenas uma vitória em sete partidas disputadas, o treinador vê como proveitosa a possibilidade de enfrentar equipes de alto nível, que com certeza ajudarão bastante para que o time chegue na Superliga mais bem entrosado, apesar das mudanças que estão por vir.

Para não ter dúvidas de que um trabalho sério está sendo feito, um planejamento a longo prazo é realizado. Um projeto da universidade possui dois núcles de iniciação ao voleibol com crianças carentes. Enquanto um dos núcleos é realizado no próprio campus, o outro acontece no Bairro Jardim Esperança. No momento, o projeto está parado, mas será retomado no próximo ano. 80 crianças vinham sendo beneficadas com a ideia. Destas, quatro já foram selecionadas e integram a escola do Clube Bom Pastor, que é coordenado pela universidade em uma parceria que promete gerar frutos efetivos nos próximos quatro anos.

Anúncios

Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s