Entre a quadra e a passarela

Luciane sonha em poder conciliar as duas profissões

Gaúcha, linda e alta. Três pré-requisitos para um pontapé na vida de modelo. Várias das musas brasileiras das passarelas partiram do estado do Rio Grande para o mundo. Gisele Bundchen que o diga. Mas o destino de Luciane Escouto, 24, natural de São Leopoldo, foi outro: o vôlei. Aos 11 anos ela começou no esporte e aos 14, saiu de casa para jogar em Osasco e integrar a categoria de base da equipe paulista. Um dos sonhos começava a ser realizado. Descoberta depois de integrar a seleção gaúcha de vôlei, ela decidiu deixar a cidade natal para partir em busca do objetivo de ser uma jogadora profissional.

Mas havia, ainda, espaço para que o outro sonho se realizasse: o de ser modelo. “Sempre tive esses dois sonhos muitos presentes comigo, desde pequena. Quando me perguntavam o que eu queria ser, sempre respondia modelo e jogadora de vôlei”, lembra a atleta, que está na primeira temporada defendendo o Mackenzie, depois de passar por equipes de São Paulo e Campinas.

Apesar de todo o potencial, a promessa para ser modelo não vingou quando era mais nova. O mais próximo que havia acontecido eram elogios nas ruas. Passarelas, sessão de fotos ou desfiles eram desconhecidos pela gaúcha até então. O vôlei abriu as portas para que ela desbravasse novos rumos, mas a vontade de estar em passarelas permanecia. Até que a insistente mãe Verônica não deixou escapar a oportunidade de inscrever a filha no concurso ‘A Mais Bela Gaúcha’, evento que foi transmitido pela TV Pampa, do Rio Grande do Sul e que tem limite de idade de 24 anos. “Era a minha última oportunidade. Minha mãe me ligou com a página de inscrição do concurso aberta, querendo muito que eu participasse. Relutei no começo, mas acabei cedendo”, comenta. Quanta pressão da matriarca…

Entre as cinco mil inscritas, Luciane foi a grande vencedora, levando para casa um carro, viagem para a Disney, um book completo e um contrato com uma agência, além do direito de participar do concurso Miss Mundo Brasil, que dá vaga ao Miss Mundo. “Me preparei bastante, mas realmente não esperava”, admite a central.

A representante brasileira na edição de 2011 do evento internacional é outra gaúcha, Juceila Bueno. Atualmente, Bueno está em Londres se preparando para a disputa. “Não quero pensar lá na frente, quero aproveitar tudo que está acontecendo na minha vida. Sempre tive essa vontade de participar e vou dar um passo de cada vez”, comenta a central. Para abrir mão de um dos sonhos, seria um momento difícil. Sofrer por antecipação pouco ajudaria e curtir o presente é o melhor que Luciane pode fazer. Em caso de sucesso, poder conciliar as duas carreiras seria o ideal, mas são planos para o futuro, e isso, caso tudo dê certo. “Com o primeiro lugar, preciso me preparar intensivamente para o Miss Mundo Brasil, que acontece no dia 5 de maio. Terei que cumprir uma agenda pré-definida e começar a fazer aulas de inglês para representar bem meu estado no concurso nacional”, comenta.

Para que os dois desejos pudessem se concretizar, a autorização do clube do bairro Santo Antônio era fundamental. “Havia assumido compromisso com eles no começo do ano e não poderia deixá-los na mão. Fiquei muito apreensiva quando fui pedir a autorização, mas todos da comissão e diretoria foram bastante compreensivos e me apoiaram bastante”, comemora. Os membros do clube sabiam que se tratava de uma oportunidade única na vida da atleta e não teriam interesse algum em deixar passar uma chance como esta. O clube terá que continuar ajudando para que a atleta possa cumprir a agenda de vencedora do concurso gaúcho.

A organização do concurso de beleza também foi camarada quando deixou que Luciane não participasse de atividades devido a dois jogos que seriam realizados no final de semana. “Não deixei de jogar nenhuma partida pelo clube. Tento compensar o tempo perdido treinando na academia do hotel onde as participantes do concurso ficam hospedadas e quando vou à BH, tento fazer duas sessões ao invés de uma”, conta. As companheiras de time também deram muito suporte, principalmente depois da liberação da diretoria. “Elas sempre me ligam ou mandam mensagens querendo saber das novidades. Todas mostram interesse em me ajudam muito. O treinador Picinin e o presidente Carlos também já me ligaram para desejar boa sorte”, detalha.

O novo mundo já encanta Luciane. “Caí de para-quedas, mas estou amando. Sempre fui muito vaidosa e agora estou vendo que devo estar com tudo impecável a todo momento. Cabelos, pele, unha, tudo”. A preocupação da atleta mudou um pouco. Antes o foco era defesa, bloqueio e recepção, e agora o mundo da beleza a faz se concentrar, momentaneamente, em outro universo, onde ela espera conquistar mais vitórias em breve.


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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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