Jovem promessa do taekwondo mineiro

Raianne deseja integrar a seleção adulta em 2013 (crédito: Léo Fontes)

Apenas três anos foram necessários para que Raianne Karoline, 16, fosse introduzida no taekwondo, milenar arte macial, e confirmasse presença na seleção brasileira júnior da modalidade, que embarca hoje para Las Vegas, nos Estados Unidos, para a disputa do Pan-Americano da categoria, que acontece entre 6 e 9 de outubro. A mineira foi introduzida nos esportesm, aos 12 anos de idade, pelo pai, ex-jogador profissional de futebol. O primeiro contato foi o kung fu, aliado ao boxe chinês e ao futebol. “Por favor, essa parte do futebol você pula. Não gosto nem de lembrar”, comentou a garota, tricampeão mineira, atual campeão da Copa do Brasil e vice do Brasileiro de taekwondo.

A intenção do pai era que a filha fosse uma esportista assídua. Depois de fazer a vontade do pai por meio da bola, a garota decidiu investir pesado nas lutas. Foram 10 meses de kung fu, antes de mudar de modalidade. “Depois que cansei do kung fu, meu pai me levou para ver um treino de taekwondo. Gostei muito e decidi começar as aulas”, lembra a garota, que aponta a disciplina do esporte como uma das maiores vantagens. Antes de integrar a equipe de competições da academia, Raianne admirava os competidores que recebiam homenagens e a vontade de estar ali, começava a ser despertada. “Meu pai sempre comentava comigo que eu poderia ser uma daquelas pessoas recebendo medalhas, que bastava eu me dedicar para também estar ali”, esclarece.

Hoje, ela é a única representante da academia na seleção brasileira de taekwondo (categoria júnior). Um orgulho para a adolescente, que alcança um posto antes impensado. “Sempre treinei e me dediquei bastante, mas nunca imaginei que integraria a seleção brasileira. Acho que a ficha ainda não caiu, estou super tranquila para a competição”, afirma a garota. A tranquilidade é uma das armas para os atletas deste esporte. “O mestre Kildare, que é o responsável pelos meus treinos, sempre fala comigo para ter a mente relaxada e, ao mesmo tempo, estar concentrada para fazer o meu melhor. Nervosismo não ajuda em nada. Depois da competição, posso pensar em curtir a cidade e me divertir”, analisa.

Na casa da atleta, troféus e medalhas. “Aqui já não cabe mais nada. Vamos ter que criar um cantinho só para as conquistas da Raianne”, derrete a mãe coruja, Aldina Matos. “Foi uma surpresa os títulos que ela teve. Não imaginava que ela chegaria tão longe”, admite. A esposa dá todos os créditos ao esposo, que até hoje continua dando aquela força para que voos mais altos sejam alçados. “Ele acompanha a Raianne nos treinamentos que simulam lutar e também nas corridas. Ao mesmo tempo em que ele cobra bastante, ele a deixa super a vontade para fazer o seu melhor, sem pressão pelas primeiras colocações”, diz a mãe.

Para o Pan-Americano, a preparação sofreu algumas alterações. “Realizei exercícios de resistência, flexibilidade, além de explosão. Também controlei melhor minha alimentação”, contou Raianne, que terá as mexicanas, americanas e argentinas como maiores adversárias.

Aqui a preparação começa com uma semana de antecedência somente, enquanto em outros países esse período pode chegar aos três anos. Mais uma barreira que terá que ser superada pela jovem, que mostra muita confiança na sua capacidade para realizar um desempenho que a credencie a chegar ao último ano de júnior, em 2012, com bastante gás. “Em 2013, já passo a integrar a categoria adulta”, vislumbra a faixa preta.

Para já saber um pouco do que a espera, Raianne assistiu lutas do campeonato júnior de dois anos atrás. Toda ajuda é válida em um momento decisivo como este. A presença na competição foi confirmada na seletiva, que aconteceu em Itabira, em maio. O primeiro lugar garantiu a vaga de Raianne. Uma viagem para Londrina, no Paraná, com todo o elenco da seleção, foi feito há pouco meses, como uma das etapas de preparação.

Minas Gerais terá o maior número de representantes na seleção júnior ao lado de Sâo Paulo, com quatro atletas. “Temos por aqui muita gente boa e que ainda não é conhecida. Nosso nível pode melhorar bastante, principalmente nas categorias de base. Já na categoria adulta o Brasil tem uma equipe mais qualificada”, comenta.

O modelo de atleta não poderia faltar. Alguém que alcançou uma projeção dentro do esporte por merecimento. A brasileira Natália Falavigna, que chegou às semifinais nas Olimpíadas de Atenas e conquistou o bronze em Pequim é um dos maiores exemplos que Raianne que seguir. “Ela é super tranquila e organizada. Além de ser atleta, ela treina e ajuda outras pessoas dando aulas”, justifica a jovem.

Toda a sorte do mundo para Raianne, que garante que fará o seu melhor na cidade dos cassinos. “Evoluí muito nestes três anos. Quero continuar treinando e chegando mais longe. Agradeço a insistência dos meus pais, que sempre cobraram para que eu fizesse meu melhor a todo momento”, esclarece.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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