Red Bull Soapbox em BH

Criatividade foi o que não faltou para os integrantes dos 49 carros (Crédito: Angelo Pettinati - O Tempo)

O velho clichê que diz que ‘o que vale não é o resultado e sim competir’ é a máxima do Red Bull Soapbox, prova criada e produzida pela famosa marca de energéticos, que chega à sua primeira edição na região sudeste exatamente em Belo Horizonte. O evento aconteceu no último dia 2, na Praça do Papa, tradicional ponto turístico da cidade, foi o local escolhido para receber 49 equipes (cada uma com quatro integrantes) de dois estados brasileiros (Minas Gerais e Goiás), além do Distrito Federal.

Cerca de 1500 projetos de outros locais do Brasil, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins entraram na disputa, mas acabaram não sendo selecionados. No sábado, a Praça do Papa recebeu a concentração com todas as máquinas, que poderão ser apreciadas, de perto, pelo público.

Os veículos criados pelos participantes esbanjam criatividade e homenagens. Cores, tamanhos, peso, materiais e formato variam bastante e vão de acordo com a imaginação da equipe. Pensando em manter viva a imagem de uma das maiores cantoras de tempos mais recentes, um quarteto de Taguatinga (DF) criou o ‘Amy – Back do Black’, em homenagem à Amy Winehouse. “Apesar da ligação dela com as drogas, a gente gostaria de mostrar a alegria que ela passava para o público”, afirma o publicitário Eduardo Reis, 26 anos. Apesar do interesse na vitória, o grupo parece estar mais preocupados com a inevitável diversão. “Estou muito curioso para conhecer os modelos concorrentes”, admitiu Eduardo.

O quarteto, que trabalha em uma agência de publicidade, enviou vários projetos, como Jamaica Abaixo de Zero, mas a aprovação veio somente com o projeto, integrado pela sósia da cantora, além de dois integrantes de sua banda e da Morte. Esta poderá ser a última aparição da cantora ao lado da sua afinada banda. Uma oportunidade única para os fãs da jovem rebelde e talentosa cantora inglesa.

Enquanto alguns fazem reproduções de personagens e desenhos animados, relembrando a infância, outros já possuem um cunho mais educativo e orientador. É o caso do ‘Mosquito Race Car, inspirado nas propagandas de televisão que visam alertar a população sobre a dengue. Ao todo, foram 10 dias por conta do carro. “O mais difícil foi chegar ao peso ideal. Tivemos que usar materiais mais leves, que influenciaram no acabamento. Os testes feitos até agora foram muito bons”, coloca Márcio Wágner, o mais velho entre os integrantes.

O carro tem o formato do mosquito, enquanto alguns integrantes estarão vestidos de dederizadores. “O carro está no processo de ajustes finais. Não queremos só participar e sim ganhar”, afirma Gabriel Braga, de 19 anos, que será o co-piloto.

Diretamente de Goiânia, o carro ‘Glitter’ foi criado pela única equipe formada somente por mulheres. Todas as integrantes são estudante de engenharia mecânica, o que ajudou na elaboração do trabalho. “Qualquer um consegue construir um carro. O difícil é fazê-lo andar”, brinca a piloto Lohayne Vilela, 21 anos.

Ela afirma que o trabalho para finalizar a direção e a suspensão foi árduo.”Tudo foi feito em conjunto e cada uma contruibui bastante, de um jeito peculiar”, colocou Lohayne, que se empolgou durante os testes, deixando alguns arranhões no queixo e cotovelo. Para deixar o ‘xodó’ pronto, trê dias inteiros de trabalho, das 8h à meia noite, além de alguns complementos em finais de tarde.

Outros destaques ficam por conta do ‘Trio elétrico 100% cicleteiro’, ‘Caverna do Dragão’, ‘Banana de Pijamas’, Gamemaníacos’, ‘Flinstones’, ‘Esgoto Morro Abaixo’ e o ‘Clássico é clássico e vice versa’, uma referência ao histórico duelo entre Atlético e Cruzeiro, que será feita com um carro em formato do saudoso Mineirão. A cada carro que entrar na pista, promessa de muitas risadas, discontração e espírito de aventura. Os carros precisarão estar bem próximos ao solo para ganhar a competição, mas a imaginação ganhou asas, como bem manda o lema da marca austríaca.

Antes mesmo do carro entrar na pista, as equipes tiveram que mostrar uma boa dose de criatividade e humor para chamar atenção do público e dos jurados. Ao serem anunciados, os integrantes realizaram uma performance que representava o perfil do time, com direito a trilha sonora.

Dos quatro integrantes, dois são responsáveis pela partida do veículo. Ao final dos 450 metros, cinco jurados fizeram suas avaliações e decidiram os três ocupantes do pódio. O primeiro lugar ganhou o direito de acompanhar, in loco, o GP do Brasil de Fórmula 1. Prêmios também foram concedidos às equipes que atingiram a maior velocidade e que completarem o percurso no menor tempo.

Qualquer pessoa pôde comparecer ao local para prestigiar os corajosos participantes, que se empenharam bastante para construir um carro que fosse, ao mesmo tempo, eficiente e criativo, que pudesse chamar a atenção tanto pelo visual como pelo resultado, que não é deixado de lado em nenhum momento. Os critérios que contaram pontos foram: velocidade (tempo de descida), originalidade (projeto, funcionalidade e decoração) e performance (cada equipe realiza uma performance de 30seg antes da descida).

A primeira edição do Red Bull Soapbox aconteceu em 2000, em Bruxelas, na Bélgica. A intenção era relembrar a tradição de vários países europeus, que realizam corridas com carros feitos com caixas de sabão, algo semelhante aos carrinhos de rolimã. Outros países já receberam a competição, como Austrália, Estados Unidos, Espanha, Polônia, Irlanda, África do Sul e México. Até hoje, foram realizadas 68 edições em 34 países. A ideia, mantida até hoje, é percorrer uma ladeira, com muita criatividade e diversão.

No Brasil, a competição chegou em 2008, passando por Fortaleza e Porto Alegre. Na capital gaúcha, recorde de curiosos para acompanhar a brincadeira: 70 mil pessoas. As 1.300 inscrições também foram além do previsto pela organização, provando o sucesso da prova. Neste ano, Balneário Camboriú, em Santa Catarina, atraiu 25 mil pessoas para acompanhar a corrida maluca mais famosa do mundo. Para receber a competição, o local precisa ser íngreme, para proporcionar uma descida constante dos carros, que não possuem motor. O recorde de presença aconteceu em Los Angeles, quando 110.000 pessoas foram acompanhar a competição.

Algumas regras foram impostas como peso máximo de 80 kg, limite de dois metros de altura, dois de largura e seis de comprimento e distância máxima de 20 cm do carro até o chão. Todas as máquinas, por segurança, devem ter mecanismo de freio e buzina.

O Red Bull Soapbox recebeu público de 50 mil pessoas, segundo a organização. O caos já era esperando, diante de tantas pessoas.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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