Unificar é preciso?

Tostão se sente como um legítimo campeão brasileiro de 1966. Digno de homenagens e merecido. Mas cada coisa no seu lugar.

A CBF deve oficializar, nos próximos dias, a equiparação de títulos nacionais de antes de 1971 como títulos brasileiros.

Apesar dos torneios que aconteceram antes de 1971 contarem com grandes clubes do futebol brasileiro, a realidade era outra, assim como a fórmula de disputa.

Concordo plenamente com Mauro Cézar Pereira, comentarista da ESPN Brasil, quando ele afirma ser demais reconhecer como título brasileiro a Taça Brasil, um campeonato que foi vencido por determinada equipe depois de quatro ou cinco jogos. Era uma espécie de Copa do Brasil.

O Santo André, então, deve ser reconhecido como legítimo campeão brasileiro? Se for mantida a coerência…

Apesar de contar com um time recheado de estrelas e merecedor de conquistas, o Santos de Pelé, foi campeão da Taça Brasil em 1963 e 1965 jogando apenas quatro jogos.

Acho que cada campeonato tem seu lugar e deve ter seu devido merecimento.

O Robertão, que também deve ser reconhecido pela CBF como Campeonato Brasileiro, já tinha outro formato e a participação de grandes clubes brasileiros, que conquistaram a competição depois de um número maior de jogos.

O Palmeiras foi campeão em 1967 jogando 20 partidas, mas com a participação de times de apenas cinco estados.

Os jogadores e envolvidos nos títulos merecem se sentir como campeões brasileiros. Lutaram para conquistar o título e fizeram por onde levantar a taça.

Mas o Campeonato Brasileiro começou em 1971 e na minha opinião, somente a partir deste ano pode-se dizer que temos campeões brasileiros.

Os outros são campeões de outros campeonatos, de outros nomes e com outras fórmulas de disputa.

Acredito que cada título deve ser reconhecido separadamente, apesar dos méritos serem parecidos e merecedores de homenagens.

Mas transformar um time, depois de tantos anos, em campeão brasileiro é demais.

O campeão do Robertão é campeão do Robertão e pronto. Pode-se dizer que era uma espécie de campeonato brasileiro ou uma competição que se equipara ao atual campeonato nacional. E só.

Cada coisa no seu devido lugar, por favor.

Anúncios

Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Unificar é preciso?

  1. Dedé Villela disse:

    Eu concordo que o Robertão possa ser equiparado ao Brasileirão, e a Taça Brasil seria a Copa do Brasil. Bom senso.

    A minha teoria é a seguinte: essa jogada da CBF – leia-se Ricardo Teixeira – foi feita para desviar o foco das atenções sobre as investigações das tretas dele na entidade, com a coroação do Brasil com a próxima Copa do Mundo. Poderia ter feito essa unificação a vários anos, mas deixou guardado na gaveta para num momento oportuno usar como coringa político e favorecer sua imagem junto ao Clube dos Treze. Assim como os imperadores romanos, quer deixar seu legado, como Ricardo – “O Unificador”. Não passa de um déspota que manda no futebol brasileiro a tanto tempo que ninguém ousa contrariá-lo. Resumindo, é uma vergonha.

    Cabe lembrar que não se trata de “choro” ou mágoa daqueles que não foram favorecidos pela unificação, mas sim um apelo a racionalidade. O jogo político está só começando, e até 2014 muita água vai passar debaixo da ponte… caixa 2 da Copa à vista!

    Abçs

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s