Confira cobertura do Latino-americano de Trial 2010

Rodrigo Lagoa
crédito de Rodrigo Lagoa

As enormes pedras da cidade de Catas Altas, a 120 quilômetros de BH, ganharam uma função diferente no penúltimo final de semana de julho. Acostumadas a servir de cenário para fotos, elas foram fator importante para a escolha da cidade como sede do Campeonato Latino-americano de Trial, modalidade na qual pilotos de motos superam obstáculos, como pedras, alturas e distâncias. Para a realização de competições de trial, há três pré-requisitos: terra, água e pedra. Definitivamente, um trio parada dura.

Para encará-lo, competiram pilotos do Brasil e de oito países do continente. Em destaque, Diego Ordoñez, da Guatemala, e Luis Manuel Aulestia, da Venezuela, pilotos que ocupam o 1º e 2º lugar no ranking continental, respectivamente. Além deles, Valter Fernandez, número 1 do Brasil e 3 da América Latina, Thiago Vermelho, número 2 do Brasil e 8 do continente e Sérgio Almeida, representante de Minas Gerais. Cada um deveria encarar 10 sessões (pistas). Para percorrer uma sessão, o pitolo tinha 1min30s. Erros como colocar o pé no chão, deixar a moto morrer e ultrapassar o tempo contavam pontos, que iam de um a cinco. Vencia o piloto com menor número de pontos.

Nos dois dias de prova, cada piloto deu cinco voltas em cada uma das 10 zonas. Eles tinham quatro horas para percorrer todo o trajeto. Para isso, motos de até 300 cilindradas com grande capacitação de rotação, tudo com o objetivo de dar aquele gás no momento de subir paredões de dois metros de altura. As impressões a respeito das sessões foram distintas. “Achei o nível da pista muito alto, bem diferente do que estamos acostumados a ver aqui no Brasil”, comentou Vermelho. Sérgio concordou com o companheiro e viu na falta de competições o principal motivo: “Não disputava provas de trial há um ano. Os treinos não são constantes e isso dificulta muito”. “A técnica exigida é outra. Os obstáculos são altos, trabalhosos e os espaços, curtos”, analisou Valter.

Já Diego — que, em 2009, passou um mês na Europa “para evoluir no esporte”, segundo palavras dele — avaliou: “Apesar das sessões serem longas, não têm o nível tão alto”. Atualmente, ele é o terceiro mais bem colocado no Campeonato Norte-Americano de Trial, que conta com grandes nomes da modalidade no mundo.

O brasileiro Caio Salerno é especialista em trial. Campeão brasileiro júnior em 1988, ele esteve presente na competição e analisou o nível dos brazucas. “O Valter é muito técnico e o Vermelho, atirado. O que falta a eles é participar de mais competições. Assim, numa competição como essa, dá para brigar de igual com os gringos”, acredita. Talento de sobra a turma da casa tem. O que falta é a prática em um nível mais elevado. Como já previsto, o guatemalteco foi o vencedor. Atrás dele, chegaram Aulestia e Valter.

Rodrigo Lagoa


DOMÍNIO

No trial, o equilíbrio pode ser considerado um dos fatores mais importantes. Alguns pilotos chegam a ficar entre cinco e seis segundos parados em cima das motos, à espera do melhor momento para atingir o próximo ponto. Ser racional também vale muito nessas horas. “O nível de concentração deve ser alto, já que as competições duram várias horas”, diz o especialista Caio.

A modalidade é básica para vários atletas de diversos esportes, incluindo aí a Fórmula 1. “O domínio sobre a moto, a concentração e a tranquilidade ajudam qualquer atleta. Em alguns casos, o cara gosta tanto, que se apaixona e decide investir nesse esporte.” Muitos consideram o trial como uma das modalidades mais belas e plásticas que existem. O puro domínio da motocicleta é fundamental — como bem mostrou Ordoñez em alguns trajetos.

Se depender das condições naturais, Catas Altas está mais do que aprovada. Apesar de tentador, uma das maiores belezas não entrará na disputa. Trata-se do Pico que empresta seu nome à cidade: um paredão de dois mil metros de altura, pertencente ao Parque Natural do Caraça. Aos seus pés, os melhores do mundo se reunirão no próximo ano.

A organização do Latino-americano garantiu mais dias de motociclismo para o município: “A cidade está em nosso calendário como sede do Mundial de 2011”, revela Jean Marc Crumièr, presidente do Comitê de Trial da Federação Internacional de Motociclismo (Fim). A preparação para o Mundial deve durar um ano.

“Competições de alto nível movimentam a economia local e também o turismo, nossa segunda maior fonte de renda”, comemora o prefeito Saulo Castro. E os moradores não perderam a oportunidade de marcar presença no Latino-americano, que deve servir de inspiração para os pulos e manobras dos competidores que vão movimentar de novo, no próximo ano, a pacata, mas acolhedora cidade de cinco mil habitantes.

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Sobre Daniel Ottoni

Desde 2011, repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Fale comigo no d.ottoni@gmail.com
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