Mediano, Luxa tem chance para manter o patamar quase perdido

Luxemburgo recebe mais uma boa oportunidade na carreira. Seria a última entre os grandes? (crédito: Edu Andrade)

Vanderlei Luxemburgo é o novo técnico do Grêmio. A chegada do treinador ao estádio Olímpico era esperada por alguns e surpreendeu outros ao mesmo tempo.

Luxemburgo não é treinador de ponta do futebol brasileiro há algum tempo. Nos últimos trabahos diante de Santos, Atlético e Flamengo fez muito pouco e não conquistou nada além de títulos estaduais. Um futebol que chamasse a atenção ficou distante. Uma preocupação com multas rescisórias parecia ser maior. Talvez elas o seguraram nos clubes mais do que deveria. No Atlético, sua saída aconteceu em um momento tardio para muitos.

Mesmo com bons elencos, o treinador não conseguiu formas equipes coesas e que merecessem elogios pelo esquema tático e por outras atribuições de um treinador diferenciado.  Conseguiu alguns resultados, mas sem demonstrar muito além de um futebol mediano.

Mediano foi o que se tornou Luxemburgo. A pompa continua. No Atlético, afirmou diversas vezes que o clube disputaria títulos nacionais em um ou dois anos. O que se viu foi algo muito longe disso.

Chegou no Grêmio já colocando a equipe na Libertadores do ano que vem. Alguns podem acreditar e isso pode até acontecer. Mas a credibilidade do treinador já não é mais a mesma. Esse filme já foi visto antes, há pouco tempo, e os resultados prometidos ficaram para contar histórias.

O projeto sempre citado em suas coletivas e apresentações até hoje não passou de meras palavras. Como se pode falar em projeto se os resultados podem fazer o trabalho não durar mais que 10 rodadas? Não se tem garantia alguma de permanência e por isso a palavra projeto parece ter perdido importância. Passa-se a impressão de ser usada para tentar mostrar segurança, que hoje já não é mais vista nem sentida.

Luxemburgo precisa focar no seu trabalho como treinador e esquecer de contratos e percentuais em transações e transferências. Os próprios resultados fizeram dele um técnico comum ao contrário do que já foi mostrado em outros tempos. Os anos passaram e
mostraram uma queda vertiginosa na carreira de Vanderlei, que tenta se reerguer. Uma oportunidade cai no seu colo mais uma vez.

No entanto, suas chances podem estar acabando, pelo menos em times grandes. No Grêmio, ele contará com um elenco qualificado, mas que precisa de reforços e com uma boa estrutura para realizar um trabalho que o coloque novamente em destaque no cenário nacional.

Antes da estreia, muito já se ouve. Luxa poderia se preocupar mais com o começo de trabalho para depois pensar em competições continentais em um ano que sua presença em Porto Alegre é colocada em dúvida e depende bastante do que for mostrado pelo tricolor gaúcho.

Enquanto o tempo passa e muita coisa muda bem em frente aos seus olhos, Luxemburgo parece ser o mesmo e não perder a arrogância. A competência parece não ser a mesma de outros tempos e o fim da linha em grande estilo pode estar próximo do fim.

Um patamar um pouco mais abaixo pode estar à espera de Luxemburgo. Um fracasso no Grêmio deixaria tudo mais difícil para que um grande clube brasileiro continuasse acreditando em sua eficácia e nos tão esperados resultados.

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Central do Sesi supera deficiência e dá exemplo dentro e fora das quadras

Natália acredita ser um exemplo para muitos atletas, principalmente os portadores de alguma deficiência (crédito: Everton Amaro - Sesi-SP)

Histórias de superação sempre marcam a vida de deficientes, independentemente da lesão e época da vida que sofreram. Apesar de todas as dificuldades que são superadas, eles preferem ser vistos como um indivíduo qualquer, sem a necessidade de chamarem atenção por tudo que aconteceu em suas vidas. No caso de atletas, a maior vontade é se destacar dentro de quadra e mostrar toda a qualidade e o potencial que se desenvolveram desde as categorias de base. A central Natália, que atua nesta temporada da Superliga feminina de vôlei pelo Sesi-SP é um desses exemplos de pessoas que tiveram que superar algumas barreiras até chegar ao alto nível dos dias de hoje.

Depois de descobrir que havia perdido 70% da audição com apenas quatro anos de idade, Natália conseguiu se adaptar rapidamente às mudanças em sua vida. “No começo, cheguei a pensar que a perda auditiva me impediria de fazer várias coisas e que limitaria a ter uma vida normal. Mas depois de começar a fazer ginástica e vôlei vi que não seria tão difícil assim”, comenta a jogadora. Com seis anos, ela começou a usar um aparelho que corrige cerca de 90% da deficiência. “Estou para ganhar um novo, ainda mais potente. Essas novas tecnologias me ajudam muito”, comemora.

Além do esporte, conviver com outras pessoas com o mesmo problema fortaleceu a atleta e a fez perceber que oportunidades não seriam perdidas e que muito poderia ser conquistado, apesar da realidade diferente de muitos. O apoio de treinadores da cidade de Lorena, onde cresceu, foi fundamental. Como a família não tinha condições de arcar com as despesas de material e transporte, quem viu na garota o grande potencial fez questão de investir no desenvolvimento de Natália, que trouxe resultados acima do esperado.

A diferença de Natália para outras atletas não é possível de ser escondida. No entanto, o tratamento recebido é o mesmo. “Ela é uma integrante do grupo do Sesi-SP como qualquer outra. Ela se dedica tanto quanto as outras e consegue mostrar uma capacidade de superação muito boa”, elogia o treinador Talmo.

O apoio da família também foi fundamental para que Natália se sentisse como qualquer outra criança. “Minha mãe teve um papel fundamental. Ela fez de tudo para que eu enfrentasse o problema numa boa e me sentisse tão normal quanto qualquer outra pessoa”, declara.

No entanto, restrições que a fizeram dar valor ao poder de superação apareceram ainda quando ela era jovem. ”Tive um problema em uma das escolas que frequentei. Os professores tinham dificuldade para me compreender e não tiveram a paciência necessária comigo como aluna. A diretora não me aceitou no colégio e chegou a afirmar que meu lugar era em uma sala especial”, lamenta.

Natália mostrou ser independente desde criança, principalmente com a ajuda da mãe, que a deu muita liberdade, apesar de alguns receios (crédito: João Pires - VIPCOMM)

Neste período, o aparelho de Natália estava quebrado e os estudos tiveram que ser interrompidos durante um ano inteiro até que um novo fosse comprado e uma nova escola a aceitasse. “Se eu a tivesse tratado como uma deficiente, ela estaria hoje encostada em um canto da casa”, declara a mãe, Dona Irani, que se orgulha da filha que tem. Apesar de até hoje o problema não ter sido identificado, ela garante que Natália teve uma criação normal. “Apesar de morrer de medo, eu sempre a deixei livre para brincar com as outras crianças. Quando ela saía de bicicleta, meu receio era grande, por causa dos carros. Mas ela sempre soube se virar muito bem. A Natália é uma benção na minha vida”, derrete-se.

O preconceito é encarado com naturalidade pela jogadora, apesar de ser considerado desnecessário. “Barreiras sempre vão existir, assim como esse pré-conceito. Muitas pessoas não sabem como me abordar, achando que a comunicação será difícil”, diz.

Depois de passar por várias situações, Natália acredita que o pior já ficou para trás. Hoje ela se sente tão normal quanto qualquer outra atleta, principalmente pelo fato de dividir espaço com grandes nomes do vôlei nacional. A jogadora chegou a ser convocada para a seleção brasileira de novas por José Roberto Guimarães. Uma conversa com o técnico Bernardinho também motivou bastante a meio-de-rede a persistir o esporte e lutar pelos seus objetivos.”Perguntei a ele se minha deficiência seria um empecilho para conquistar uma vaga na seleção. Ele disse que não, que bastava eu ter garra e determinação que eu chegaria onde quisesse”, comemorou.

Natália espera que sua presença e trajetória sirvam como motivação para muitas atletas que possuem alguma deficiência. Ter algum tipo de problema pode limitar, mas nunca impedir que um lugar mais alto seja alcançado na carreira profissional. “Principalmente para quem é deficiente, me vejo como um exemplo. Todas devem correr atrás de seus sonhos e desejos e sempre buscar quebrar as barreiras que apareceram”, aconselha.

Leitura labial é adicional a favor de Natália 

A deficiência auditiva costuma aguçar outros sentidos e obrigar o portador a se esforçar bastante para compensar a perda de um dos sentidos. No caso de Natália, a deficiência auditiva permitiu que a leitura labial fosse aperfeiçoada. Não bastante o auxílio que isso lhe traz no dia-a-dia, a jogadora conta com essa ajuda dentro de quadra.

Em muitas situações, ela consegue captar as conversar que colegas de equipe e adversárias estão tendo, colaborando bastante na previsão de algumas jogadas. “Fui beneficiada sim, de alguma forma, dentro de quadra. Fico sabendo o que as adversárias estão conversando, por exemplo. Isso é comum para mim desde crianca e foi minha mãe quem me ensinou. A leitura labial serve como auxílio para mim dentro e fora da quadra”, declarou. Sabedor da capacidade de Natália na leitura labial, o técnico Bernardo sempre tem o hábito de colocar a mão sobre a boca no momento de instruir suas atletas quando Natália está do outro lado.

Natália fez questão de desmentir um boato que chegou a correr nos bastidores da Superliga. Muitos diziam que ela desligava o aparelho em momentos de bronca dos trenadores. “Isso não cabe. Acho um desrespeito e falta de ética profissional”, declarou.

O treinador Talmo indica algumas das formas com que Natália se sobressai “Ela tem uma capacidade motora muito boa, além da sensibilidade. Claro que a audição é um componente muito importante dentro de uma partida de vôlei, mas a Natália consegue compensar com uma boa percepção visual na quadra”, comentou o ex-levantador, que tem um contato direto com um deficiente pela primeira vez durante sua vida esportiva.

Natália tem no técnico Bernardinho uma motivação para chegar à seleção (crédito: (Luiz Pires - VIPCOMM)

 Mãe se orgulha de verdadeira benção em sua vida

A deficiência de Natália, suspeita-se, veio de sua mãe biológica, que era portadora de rubéola. Com apenas um dia de vida, a jogadora foi adotada por Dona Irani. “Como a mãe dela era negra, acho que as manchas na pele em virtude da doença, não foram identificadas com facilidade, o que pode ter acarretado o problema. Mas a Natália nasceu perfeita”, comenta.

Somente depois de alguns anos de vida, a mãe percebeu que Natália não respondia aos seus chamados, além de sempre colocar a TV em um volume mais alto. Depois de a levar em um dos melhores otorrinos da cidade de Guaratinguetá, próximo à Lorena, onde reside, o diagnóstico de deficiência saiu. Como a lesão é gradativa, a perda de audição aumenta de um ano para o outro, o que obriga a jogadora a utilizar um aparelho que minimize os problemas.

Apesar do problema, Dona Irani fez questão de tentar evitar que a filha percebesse a lesão. Sempre no dia da matrícula, ela acompanha a filha e fazia questão de pedir à diretora e professores que todas as explicações fossem dadas de frente para a turma, para que Natália pudesse fazer a leitura e compreender o que era passado.

Situações constrangedoras eram rotineiras. Natália passou por alguns casos muito difíceis, que acabaram sendo superados. “Os colegas de turma gritavam no ouvido dela, coisa de criança. Com alguns treinadores, ela também sofreu bastante. Mas somente depois que ela virou profissional, é que ela me contou tudo que tinha passado. Ela é uma guerreira, uma balhadora, que serve de exemplo para muita gente”, elogia a mãe.

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Minas investe na base para ter bom desempenho no NBB

Bruno, Cristiano e Cauê são três das jovens apostas do Minas (crédito: Charles Duarte)

Depois de ver seu patrocinador master não ter mais interesse em continuar investindo na equipe adulta de basquete, o Minas Tênis Clube teve que contar com seus jovens talentos para montar uma equipe para a quarta edição do Novo Basquete Brasil (NBB). Sem os recursos necessários para fazer contratações que pudessem fazer o time brigar pelas primeiras posições, o jeito foi dar oportunidades aos garotos da base, cheio de vontade de mostrar serviço. “O ideal seria trazermos jogadores de mais rodagem para dar a experiência a estes jovens. Sempre procuramos valorizar a base, deixando uma parcela do elenco para os atletas mais novos. Mas neste ano, a reposição não aconteceu como esperávamos”, detalha o técnico profissional Flávio Davis, responsável pela coordenação de toda a categoria de base do clube na modalidade.

Apesar de algumas etapas que foram queimadas, o Minas sempre teve como filosofia formar jogadores e revelá-los para o time adulto. Mesmo contando com a baixa média de idade, o desempenho da equipe no campeonato vem atendendo às expectativas. “Bons jogos que foram feitos contra algumas equipes tradicionais, como Franca, São José e Limeira. Foram vitórias expressivas se for analisado o investimento realizado. No entanto, em outros jogos a inexperiência pesou. “A cobrança acontece para todos eles e é inevitável. Estamos felizes com a qualidade e o potencial mostrados e temos muita esperança na continuidade deste projeto”, declarou Davis, que também já foi técnico da equipe principal.

Neste período, seu assistente era Raul Togni, atual treinador da equipe adulta. Depois de jogar pelo próprio Minas, como armador, Raul encerrou a carreira em Bauru, onde atuou como técnico do juvenil, antes de chegar ao adulto. O contato direto com os jovens colabora para um mútuo crescimento. “Fui atleta e hoje sou pai, treinador e professor. Não existe um segredo para trabalhar com jovens, mas busco sempre um equilíbrio, que é uma forma de levar bem as coisas não só no esporte, como na vida. Tento passar um pouco da minha bagagem para eles”, comenta. “O Raul sempre nos mostra a importância da intensidade durante todo o jogo. Com ele, não tem essa de idade. Ele dá oportunidade para quem está melhor e mais confiante”, comenta o jovem ala/armador Cauê, 19, natural de Franca.

Para Raul, existem pontos positivos e negativos de se trabalhar com atletas que estão começando agora sua carreira profissional. “O bom é que eles estão com a ‘mala vazia’, sem vícios e crenças, facilitando a introdução de algumas metodologias. O lado ruim é a dificuldade que encontram para definir algumas situações por conta própria”, detalha. A irregularidade é tida pelo treinador como outro fator que não é favorável, mas que é comum nesta fase. “Em alguns jogos, eles se superam e acabam até surpreendendo. Em outros, o rendimento cai demais. Essa oscilação faz parte do início de carreira profissional, mas tentamos buscar o equilíbrio. Isso fará com que o trabalho seja bem-sucedido”, comentou Raul.

Raul admite que os jogadores foram lançados precocemente em virtude da situação que se impôs. “Os atletas tiveram que assumir uma demanda por resultados, uma vez que estamos falando de esporte de alto rendimento. A maioria deles têm condições para suportar essa pressão. Eles estão se aprimorando a cada dia, assim como eu, que aprendo bastante a cada treino, a cada jogo”, relata o treinador, que ainda comenta sobre a experiência na equipe adulta do Bauru. “Não tive problemas nenhum nesta experiência. A melhor forma é saber interagir”, indica.

Diferença de nível já é sentida 

A equipe, que deve brigar para se classificar entre as doze primeiras colocadas, conta com poucos jogadores com idade adulta, acima de 23 anos. Todo o restante é formado por jovens que têm, neste ano, a primeira oportunidade de participar da maior competição do país com regularidade. “A diferença de jogar entre atletas da nossa idade e os profissionais é muito grande. No juvenil, a gente consegue se sobressair em algumas situações e o jogo é menos pegado. Mas, no NBB, a maioria dos adversários são fortes e experientes. Estamos nos doando ao máximo para ajudar a equipe cada vez mais”, comentou o pivô de 2,05m Cristiano Felício, de apenas 19 anos. Depois de integrar as seleções sub-17, sub-18 e sub-19 do Brasil, ele teve no ano passado uma das melhores experiências da sua curta carreira: ser convocado pelo técnico Rubén Magnano para disputar o Pan-Americano de Guadalajara, quando o Brasil terminou na quinta colocação. “Foi muito gratificante. Aprendi muito e todos do grupo me incentivaram bastante”, contou.

Assim como ele, outros jogadores do elenco já tiveram a oportunidade de entrar em quadra pelo NBB. No entanto, somente nesta temporada, nomes como do ala/armador Cauê Borges e do ala Bruno Irigoyen, que também disputou o Pan, estão em quadra durante um período maior. “O Raul sempre pede intensidade, principalmente para os mais jovens. Sinto que estou evoluindo bastante. Acredito que a melhor forma de crescer é jogando. Somente os treinos não bastam”, declara Cauê, natural de Franca, no interior de São Paulo.

Já o gaúcho Bruno participa pela segunda vez do campeonato nacional e encara de forma natural o momento. “Todos passam por esse processo de amadurecimento. Estou procurando aproveitar ao máximo as oportunidades”, diz. Dentro de quadra, ele tenta fazer o que é pedido pelo treinador. “O Raul fala que precisamos correr mais que todos os outros, até porque estamos começando nossa vida no basquete. Os adversários mais experientes sabem melhor os atalhos que devem ser percorridos. O jogo no adulto é muito mais tático e aos poucos, vamos nos acostumando a essa nova realidade”, analisou o jogador, que também acumula convocações pelas seleções sub-18 e sub-19.

Potencial e um futuro promissor

Apesar de todo o potencial e qualidade mostrados, Raul Togni acredita que os atletas precisam suar muito a camisa para conseguir uma posição de destaque no cenário nacional. “É bem diferente o nível do adulto para as seleções de base, mesmo para esses atletas que se destacaram nas categorias de formação. Eles possuem totais condições de conseguir uma boa evolução na carreira, mas isso vai depender do investimento que eles farão e de como aproveitarão as oportunidades que aparecerem”,comenta.

A passagem entre juvenil e adulto não é considerada fácil no basquete. A diferença é maior se comparada com outros esportes e por isso, um período de transição, é benéfico para fazer com que os jogadores cresçam dentro do seu ritmo. “Este espaço é muito grande. No basquete, a maturidade acontece mais tarde, por volta dos 22, 23 anos. A NBA, por exemplo, possui alguns atletas de quase 40 anos. Este último degrau precisa ser bem trabalho e o projeto organizado pela Liga Nacional de Basquete, a Liga de Desenvolvimento Olímpico (LDO) veio ocupar essa lacuna. É um trabalho muito bem organizado e serve como redenção para muitos talentos que, às vezes, não receber as devidas oportunidades. É uma chance de dar continuidade na carreira e ajudar suas equipes, no NBB, de forma mais competitiva”, elogiou Flávio Davis.

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Super Bowl agita o planeta e Brasil acompanha crescimento

Tom Brady é o grande nome da final, que deve ter audiência recorde (crédito: Matt Slocum - AP Photo)

O que poderia parecer impensado para muitos brasileiros há alguns anos, hoje já é realidade, tanto para os que gostam do futebol americano como para aqueles que ainda se acostumam com a ideia de ver o esporte mais popular dos Estados Unidos invadindo redes sociais, bate-papos e vários lares, com a transmissão de vários jogos da NFL, a liga norte-americano da modalidade da bola oval. O campeonato, neste domingo, chega à grande final da edição de número 46, o chamado Super Bowl, evento que mobiliza torcedores de várias equipes e emissoras de várias partes do mundo para a transmissão de um único jogo, que mostra uma organização de primeira linha. Neste ano, o confronto acontece entre New England Patriots e New York Giants e pela primeira vez, uma TV aberta (Esporte Interativo) irá transmitir a partida, mostrando o crescimento do esporte no Brasil.

“O Super Bowl é o maior evento isolado mais badalado do planeta, tirando a Olimpíada e a Copa do Mundo. Os números de audiência e investimentos comerciais são absurdos, os mais caros do mundo”, comenta Ari Aguiar, narrador do canal ESPN Brasil, acostumado a acompanhar a transmitir partidas do campeonato. O lucro é tão certo que já se cogita a possibilidade de uma edição do Super Bowl ser realizada no estádio de Wembley, em Londres. Para ele, o jogo é apenas um pano de fundo para as diversas estratégias de mídia. Várias empresas destinam seus recursos aos investimentos para diversos momentos da partida.

“Além do fato do Super Bowl ser a final de um grande torneio esportivo, esse evento é cercado por grandes intervenções no mundo dos negócios. Grandes empresas utilizam a data para lançar e divulgar seus produtos. As quotas de patrocínio e propaganda são consideradas umas das mais caras da televisão”, argumenta Marcelo Fernandes, presidente do Minas Locomotiva, equipe de futebol americano de Belo Horizonte que já figura nas competições nacionais.

Uma das atrações mais esperadas do Super Bowl é o ‘Half-time show’, o show do intervalo, bem diferente do que o termo utilizado pelos narradores brasileiro. Por lá, acontece um verdadeiro espetáculo musical no intervalo da final.

O período entre os dois tempos, que normalmente é de 12 minutos, passa para 45, mostrando como o evento é especial. Para esta ano, a artista escolhida foi Madonna. “Nunca ouvi falar de nenhuma banda ou músico que se recusou a tocar no Super Bowl. Ser escolhido é uma verdadeira honra, ninguém nunca vai recursar”, declarou Ari. Em edições anteriores, nomes de peso do pop mundial já participaram como Bruce Springsteen, The Rolling Stones, The Who, The Black Eyed Peas, U2 e Paul McCartney. No ano passado, 162 milhões de pessoas assistiram ao show patrocinado por uma marca de pneus.

Até os anos 1980, bandas de universidade eram as responsáveis pelos intervalos. Em 1991, tudo mudou com a presença do grupo New Kids on the Block. Uma das maiores audiências do intervalo musical aconteceu em 1993 com Michael Jackson.

A grande decisão gera investimentos e mobilizações astronômicas, sendo diferente de tudo que acontece durante a temporada. Para anunciar sua marca durante 30 segundos nos intervalos da partida, cada empresa terá que desembolsar, cerca de US$ 3,5 milhões. A fortuna tem retorno garantido por toda a estrutura que envolve o evento.

A cidade escolhida para sediar o jogo agradece por toda a economia gerada. No ano passado, somente durante a partida, cerca de US$ 10 bilhões foram consumidos. Bons exemplos são os valores gastos com estacionamento e ingresso para o último Super Bowl, que chegaram a US$ 900 e US$ 2.500, respectivamente.

Os números de audiência também impressionam. De acordo com a Nielson Co., entidade reponsável pela medição de audiência televisiva, a edição do ano passado contou com 53 milhões de televisores ligados, além de ter superado a média dos 111 milhões de pessoas acompanhando o jogo. Para este ano, a expectativa é de mais quebras de recordes, em investimentos e audiência.

A cidade-sede é invadida por apaixonados pelo esporte de todo o país. “Torcedores, mesmo de outros times, fazem questão de comparecer para fazer parte deste grande evento. O Super Bowl vai muito além da questão esportiva, trata-se de algo muito mais relacionado com a tradição e com o lado comercial. O jogo serve como pando de fundo para toda a questão comercial envolvida”, declara Ari.

A greve, que deu sinais no começo de temporada mas acabou não se concretizando, deixou muita gente em Indianápolis bastante preocupada com a possibilidade de não arrecadar toda a quantia esperada. O Lucas Oil Stadium, deve receber, no próximo domingo, sua lotação máxima de 63.000 pessoas.

Dentro das quatro linhas, muitos olhos estarão voltados para tom Brady, quarter-back dos Patriots, que vem mostrando bom desempenho durante toda a temporada e que também ganha destaque por ter como esposa a modelo brasileira Gisele Bündchen. “Será uma reedição da final de 2008, vencida pelos Giants. Esse jogo é imprevisível, ficar difícil apontar um favorito. Mas o Brady é o nome mais famoso deste encontro”, mostrou Ari.

Tradição faz a diferença 

Os exemplos que o Brasil pode tirar com o Super Bowl são diversos. No entanto, apesar da grandes paixão que os dois países alimentam pelo esporte de maior preferência, mudanças e aprendizados são pouco possíveis, tendo a cultura como referência para este caminho. Ao contrário dos brasileiros, os americanos gostam de ficar várias horas seguidas dentro de um estádio, acompanhando um jogo que tem diversas paralisações.

Antes mesmo das partidas, os torcedores têm o hábito de estacionar o carro próximo ao local da partida e começar ali o ‘aquecimento’, acompanhando pelos amigos, carne e muita cerveja. Depois do jogo, a rotina se repete. “O americano vai como passa tempo. Aqui isso não faz parte da nossa tradição. Depois de muito tempo em um estádio, o brasileiro já começa a ficar entediado”, lamenta Ari. No entanto, tudo que é oferecido aos torcedores nos Estados Unidos os motiva a serem parte da festa durante um maior tempo.

As diferenças culturais não param por aí. “Lá não existem brigas. A rivalidade como acontece por aqui não é comum dos americanos. O conforto e a estrutura são muito bem planejados para que o torcedor gaste. Se você não oferece um ambiente de qualidade ao torcedor, ele simplesmente não vai ao estádio. Não existe prejuízo no Super Bowl.”, analisa Ari. “Torcedores de equipes rivais ficam lado a lado sem muita possibilidade de confusão. A questão cultura faz o jogo ser mais lucrativo. A paixão lá parece ser maior, independentemente da posição do time os caras apóiam”, comenta Ítalo Mingoni, diretor de comunicação e marketing do Minas Locomotiva, equipe de futebol americano de Belo Horizonte que chega neste ano á sua terceira participação no Campeonato Brasileiro da modalidade.

Brasil mostra crescimento no esporte

Apesar de toda a distância, o número de tupiniquins praticando e se envolvendo com o futebol americano é cada vez maior. Torneios regionais e em nível nacional já acontecem com frequência, assim como processos de seleção para algumas equipes. O já citado Minas Locomotiva, atualmente, reúne uma equipe infantil, além da adulta, que já participa de competições com regularidade. “É um esporte que ainda engatinha por aqui. Mas a maior visibilidade que o esporte vem ganhando com transmissões de qualidade ao vivo ajudam bastante. Quem conhece o esporte e gosta, acaba se apaixonando e isso acaba influenciando, até mesmo, em ações fora do campo, como ser mais disciplinado”, indica Ítalo.

Entre 2007 e 2011, o número de equipes de futebol americano no Brasil saltou de zero para 35, mostrando uma verdadeira revolução do esporte no país. “O futebol americano no Brasil tem crescido muito ao longo dos anos. Mas é necessário um maior apoio da mídia e de patrocinadores, públicos ou privados, para que o esporte avance muito mais. A maioria das equipes do país é custeada pelos próprios jogadores”, detalha Marcelo Fernandes.

Apesar de todo o crescimento do esporte norte-americano por aqui, a diferença entre um país que criou a modalidade e outro que dá seus primeiros passos é alarmante. “O Brasil pode batalhar o quanto quiser, mas nunca vai chegar no nível de profissionalismo, organização e envolvimento que o futebol americano tem nos Estados Unidos. Simplesmente não faz parte da nossa tradição”, destacou o narrador. Para ele, é como se quiséssemos que o nosso futebol fosse praticado lá como aqui. “Isso é cultural. Da mesma forma que os primeiros toques em uma bola de futebol no Brasil acontece aos quatro ou cinco anos, lá as crianças praticam o futebol americano nessa faixa de idade”, comparou.

Mesmo assim, o patamar atingido no Brasil é comemorado. “Por aqui virou uma febre, uma grande onde. Os canais de TV começaram a transmitir e divulgar e muitas pessoas gostaram. O boca a boca teve um grande peso sobre isso. Hoje já vemos times montados e muita gente jogando em parques. Temos, inclusive, a seleção brasileira de futebol americano tendo suas primeiras vitórias”, comentou Ari, se referindo ao amistoso entre Brasil e Chile, disputado no último dia 21 em Foz do Iguaçu. Os donos da casa terminaram com a vitória em sua segunda apresentação oficial.

Mais que um jogo

Quem quiser comparecer ao Super Bowl, terá que desembolar uma boa quantia com deslocamento até a cidade-sede, alimentação, estacionamento, ingressos e outros apetrechos. No entanto, a magia que envolve o Super Bowl e toda a organização que se vê faz com que o sentimento de que cada dólar foi bem utilizado em um momento único. Os torcedores comuns tem acesso direto aos jogadores por meio de um espaço designado especialmente para isso.

A atenção dos profissionais com aqueles que pagam ingressos é diferenciada. Além disso, um tour pelo estádio também é planejado para que os torcedores conhecem áreas do local do jogo que não costumam ser visitadas no calor de uma partida. Outra ideia interessante é o parque temática, com diversas opções de interação e entretenimento entre os fãs e bonecos, brinquedos e outros tipos de diversões que fazem cada um se sentir um profissional, mesmo que por pouco tempo.

O Media Day é outro evento que mostra o nível de preparação nos Estados Unidos. Jogadores são convocados, em data pré-combinada, a comparecer em um local para entrevistas para diversos meios de comunicação. “Pelo que sei, os jogadores não podem se dar ao luxo de falar ‘hoje eu não quero falar com ninguém’. Eles são obrigados a comparecer, isso faz parte da agenda. Imagino que a estrutura para a imprensa seja fenomenal”, elogia Ari Aguiar.

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Mineiros fazem expedição histórica pela Patagônia

Vinícius Parizzi ficou frustrado com a negativa de empresas mineiras do ramo de aventura (crédito: arquivo pessoal)

Quem completa 30 anos acredita que está chegando em um momento crucial da vida. Pensando nisso, muitos desejam ganhar de aniversário um presente inesquecível, como um carro, uma viagem ou uma bela de uma balada com os amigos. Mas no caso do produtor de vídeo Vinícius Parizzi, a decisão foi outra: percorrer um lugar inóspito e ainda não explorado, a Patagônia.

Ele e o amigo Guilherme Lemos embarcaram para a Argentina para uma viagem de 20 dias que promete ser uma das mais especiais de suas vidas. “Iremos sair de Ushuaia, a cidade mais ao sul do continente americano. Tentaremos ir, a pé, até a última parte de terra ou gelo que encontrarmos. Queria fazer algo diferente no meu aniversário e admito que não foi fácil encontrar um companheiro”, comentou. A volta está marcada para 6 de fevereiro. A ideia inicial era fazer essa viagem pelo Alaska, mas as dificuldades com valores e vistos acabaram forçando Vinícius a pensar em uma outra opção. Ao todo, foram dois anos de planejamento.

A expectativa é pelo encontro de uma temperatura próxima de zero grau e ventos de até 150km/h. Mas isso não será o maior adversário. “Nosso psicológico será testado a todo momento. Passaremos por situações difíceis e nossa mente tentará nos enganar o tempo todo, querendo que desistamos. Essa será a maior dificuldade, ter motivação para continuar o caminho por maior que seja a vontade de abandonar tudo e voltar para casa”, pontuou.

A busca por parcerias não foi fácil. Depois de tomar a decisão de fazer esta viagem, Vinícius foi para São Paulo participar de uma feira especializada em aventura para fazer contatos e conhecer pessoas com experiência no assunto. “O mais impressionante foi não ter conseguido um apoio sequer de empresas mineiras. Fui pessoalmente em quase todas as lojas especializadas. Só consegui ter suporte de empresas de São Paulo e do Sul”, lamentou. Roupas, equipamentos de camping e alimentos das empresas de fora do Estado vão ajudar bastante a dupla no dia a dia. “Fizemos uma troca com essas parceiras. Elas nos fornecerão todo o material e terão suas marcas divulgadas no vídeo e nas fotos que produziremos tanto durante a viagem como no retorno”, esclareceu.

O companheiro Guilherme será o responsável pelo registro de tudo em duas câmeras full HD que também completam a bagagem. Ao todo, cada um vai levar 25kg nas costas. Com o passar dos dias, o peso diminui, ao contrário das dificuldades, que prometem só aumentar a cada passo dado. “Fiquei impressionado com o tipo de alimentação que teremos. Serão comidas convencionais, como strogonoff. No entanto, tudo será desidratado. Em apenas dois minutos, a refeição estará pronta depois de fervida”, exemplificou.

Um dos poucos apoios que teve em Minas Gerais foi de um chefe de resgate da Polícia Rodoviária Federal que o viu em um programa de TV. “Apesar de eu já ter o curso de resgate em ambientes inóspitos, a ajuda dele está sendo diferenciada. Ele me ajudou a conseguir um kit de primeiros socorros bem completo, além de passar todo o conhecimento em resgate de montanha”, salientou.

Depois de tomar a decisão de fazer a viagem, Vinícius teve que se esforçar para perder 21kg. “Fiz um trabalho intenso com uma nutricionista, além de ter feito corridas e subido montanhas, como a Serra do Cipó e a própria Serra do Curral”, lembrou.

Um dos diferenciais da expedição é a sua autossustentabilidade. Todo o lixo produzido não será descartado, retornando com a dupla em sua bagagem. “Queremos fazer um evento quando retornarmos. Iremos descartar tudo em local apropriado, já pensando na reciclagem. Gostaríamos de ainda de realizar o plantio de duas mil mudas de plantar para gerar créditos de carbono que seriam oferecidos a algumas empresas”, declarou o aventureiro.

Mesmo se o último metro existente não puder ser alcançado, a viagem já terá valido a pena pela experiência e pela disposição de fazer algo que muitos não teriam coragem. “Cada metro será uma vitória. É um caminho que não existe trilha nem relato de outras pessoas terem passado por ali. Queremos ter o prazer de provar para nós mesmos que fomos capazes de planejar e cumprir nossos objetivos”, esclareceu. Sorte para eles, que garantem ter tudo o que precisam para que a viagem seja lembrada para sempre como a maior aventura de suas vidas.

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Fernanda Venturini comemora bom retorno, apesar da proximidade da prometida aposentadoria

Fernanda garante que está será sua última Superliga. Seleção, nem pensar. (crédito: Alexandre Loureiro / VIPCOMM)

Apesar de inesperado, o retorno de Fernanda venturini, 41, às quadras, anunciado em maio do ano passado, foi comemorado por muitos, principalmente por aqueles que tiveram a oportunidade de ver a jogadora em ação e acompanhar o crescimento e a consolidação de sua carreira. Fernanda anunciou aposentadoria nas duas vezes em que ficou grávida, mas divulgou o retorno em 2002 e 2007. Pela seleção brasileira, foi bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996 e conquistou o quarto lugar em Barcelona (1992) e Atenas (2004). Títulos nacionais são doze, ao lado de premiações como melhor atleta da posição por vários anos.

Depois de ver seu marido Bernardinho ficar sem uma boa opção de levantadora no Unilever (RJ), equipe que disputa a Superliga feminina de vôlei, ela acabou cedendo à pressão do também treinador da seleção brasileira masculina da modalidade. “Pensei: por que não? Ele havia ficado sem a Dani Lins, que foi para o Sesi, e tinha somente a jovem Roberta na posição. Decidi ajudá-lo e jogar mais um ano”, lembrou. Antes de estrear oficialmente pela equipe carioca, Fernanda realizou treinos separados para que suas condições fosse avaliados.

Os quatro anos longe das quadras foram considerados normais para a jogadora, que ocupou seu tempo cuidando das filhas e praticamente algumas atividades como academia e natação. “A Fernanda sempre foi uma jogadora que se cuidou muito bem e nunca deixou de ter uma condição técnica apurada. Sua atitude em retornar engrandece o voleibol brasileiro e para mim não foi surpresa e sim uma grata alegria ter a oportunidade de vê-la de volta às quadras”, elogiou Carlos Castanheira, o Cebola, ex-treinador que a comandou na temporada nos anos de 1990 e 1991 em Belo Horizonte, defendendo o Minas Tênis Clube.

A inevitável saudade foi sentida por Fernanda. Deixar de lado algo que a acompanhou durante três décadas não foi fácil, mas também foi encarado com naturalidade. “Senti falta, mas nada demais. Cheguei a assistir alguns jogos decisivos em Belo Horizonte e foi bom lembrar os tempos de jogadora”, comentou.

Sem deixar toda a vitoriosa carreira e o deslumbramento subir à cabeça, Fernanda se mostra como apenas mais uma no grupo. Assim como ela, o grupo também não apresentou nenhum tipo de admiração excessiva por contar com uma referência no esporte bem ao seu lado. “Não me sinto diferente pela minha história ou pela idade. Temos uma equipe experiente que assimilou bem o meu retorno. Se tivéssemos um elenco mais jovem, até que poderia ser diferente. No começo, o pessoal falava mais, mas hoje está tudo em casa”, brincou a jogadora.

As lembranças de Fernanda são as melhores possíveis. Sua qualidade para distribuir bolas e deixar as atacantes em boas condições de ataque sempre foi sua marca registrada, que a fez ser considerada uma das melhores levantadoras de todos os tempos. “A liderança e o potencial da Fernanda nunca serão perdidos. A presença dela serve como grande motivação para muitas jogadoras, principalmente para as companheiras de grupo. No entanto, ela vai cobrar das atacantes a mesma eficiência que ela apresenta nos levantamentos “, declarou Cebola. A levantadora reserva Roberta pode ser considerada uma privilegiada por ter a oportunidade de jogar e aprender cotidianamente com Fernanda Venturini. Uma chance que poucos tiveram.

Quem não teve a oportunidade de ver Fernanda em quadra, pode tratar de se apressar. A aposentadoria definitiva está marcada para o final da Superliga feminina de vôlei. Fernanda encontra, no final da carreira, algo que nunca havia se deparado antes: as lesões. “Meu retorno, de uma forma geral, está sendo muito bom. Estou aproveitando cada momento. Mas um problema no joelho me impede de fazer tudo que eu gostaria, tanto dentro de quadra, como em alguns trabalhos na academia. Quando as limitações começam a aparecer, não considero como esporte”, lamentou a atleta sobre o inchaço e as dores constantes. Quem já viu Fernanda, aproveita para matar a saudade e sentir o gosto dos últimos instantes de uma lenda do vôlei nacional em quadra. Fernanda vai deixar saudades e seu nome promete nunca ser apagado da história do esporte brasileiro. Merecidamente, diga-se de passagem.

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Sonho de disputar Jogos Olímpicos permanece inabalado

Luciano Correa está entre os classificados, mas precisa conquistar bons resultados se quiser ir para Londres (crédito: Alex de Jesus)

Depois de levar três judocas a Pequim, o Minas segue seu objetivo de preparar bem seus atletas para o maior compromisso do ano: os Jogos Olímpicos de Londres. Em 2008, Luciano Corrêa, Érika Miranda e Ketleyn Quadros foram os representantes minastenistas na maior competição da modalidade. Erika, contundida, acabou não atuando. Para este ano, a meta se resume a preparar bem os atletas e deixá-los na melhor condição possível para a disputa de medalhas. “Trabalhamos com todo o grupo sem essa questão de levar um número específico de judocas. Naturalmente, os resultados aparecem e essa sempre foi a nossa metodologia de trabalho, que vem dando resultados”, comentou o treinador Floriano Almeida.

O primeiro compromisso do ano rumo à Londres aconteceu na penúltima semana, no Cazaquistão. Por lá, o Minas foi representado por Érika Miranda (categoria até 52kg), Hugo Pessanha (categoria até 90kg) e Luciano Corrêa (categoria até 100kg), que estão estão na zona de classificação para a competição que acontece em junho na capital britânica. No entanto, a saldo do trio no torneio não foi positivo: Érika e Luciano caíram na primeira rodada e não pontuaram, enquanto Hugo conquistou o bronze e somou 160 pontos no ranking mundial.

Ao contrário da Olimpíada, quando existe a possibilidade de repescagem para aqueles que perdem na primeira luta, o critério adotado pela Federação Internacional de Judô na maioria das competições não dá chance para erros. “É um critério igual para todos. No começo, muita gente achou injusto, mas hoje todos já se acostumaram”, comentou Luciano, que está em 18º no ranking que classifica 22 atletas. O Brasil tem direito a uma vaga em cada categoria e o judoca do Minas é o melhor posicionado até então.

A derrota de Luciano para o israelense Ariel Zeevi obrigará o atleta a estar no seu limite a partir de agora. Serão mais quatro chances de pontuar em competições a serem realizadas em Paris, Oberwart (Áustria), Dusseldorf (Alemanha) e Praga (República Tcheca). “A meta traçada para o Luciano era conquistar pontos, mas infelizmente não deu certo. A competição era de alto nível e qualquer erro faria a diferença”, declarou o treinador Floriano Almeida. “A partir de agora não posso errar nada”, admitiu o atleta.

Faltando apenas 20 segundos para o fim do combate, o brasileiro acabou cometendo um deslize que foi aproveitado pelo oponente. O pódio em todos os próximos compromissos é o principal objetivo para que a vaga não escape. “Essa pressão já virou rotina. Busco motivação no sonho olímpico, na chance de representar mais uma vez o Brasil. Essa vontade é alimentada todos os dias. Não posso deixar uma vitória ou derrota mudar minha atitude. Cada dia desanimado é uma chance a menos de chegar em Londres”, analisou Luciano.

Para Floriano, a capacidade de não deixar derrotas abalarem ou vitórias subirem demais à cabeça é um dos principais trunfos de Luciano. “Ele é um lutador que assimila muito bem os resultados e sempre volta aos treinos no mesmo ritmo, sem se deixar abater. O Luciano é muito disciplinado”, elogiou o treinador do clube mineiro.

Hugo Pessanha tem tarefa árdua

Uma das brigas que prometem se estender até a véspera dos jogos é entre Hugo Pessanha e Tiago Camilo. O equilíbrio entre os dois lutadores foi confirmado no Cazaquistão, quando ambos somaram 160 pontos depois de terminarem a competição com a medalha de bronze. “Ter um cara que foi campeão mundial e medalhista olímpico como adversário é uma honra para mim. Isso só me motiva cada vez mais para correr atrás desse sonho olímpico”, disse Pessanha, que está em sétimo lugar no ranking, 90 pontos atrás do compatriota, que está em terceiro.

Focado em Londres, ele já estabeleceu suas metas para 2012: Paris e Dusseldorf serão as duas competições que vão contar com sua presença. “Não é interessante eu me desgastar em todas as competições. O campeão de Paris leva 300 pontos. Mas não posso ficar preocupado com número de pontos. O que vai fazer a diferença é lutar bem. Se meu desempenho for bom, vou conquistar pontos importantes. Preciso continuar lutando de forma alegre e solta, como aconteceu no Cazaquistão”, salientou. “O Hugo não pode lutar pensando no Tiago. Ele precisa cuidar bem do seu judô e tentamos tirar essa preocupação dele. A gente sempre reforça esse detalhe e ele está ciente do que deve ser feito”, declarou Floriano Almeida.

Hugo admitiu se sentir bastante estressado depois de uma sequência de competições. No ano passado, ele conseguiu o ouro em apenas duas das oito competições disputadas e isso acabou trazendo incômodo e reflexão na sua preparação. “Comecei a pensar se minha preparação estava sendo bem feita. A saudade também pesou. Mas no final do ano, tive a oportunidade de descansar ao lado da minha família, o que serviu para renovar as energias. Não tive preocupação alguma com judô e isso me deixou mais tranquilo para este ano”.

O bom resultado conquistado serve de motivação para os próximos compromissos, além de ter confirmado a necessidade de uma descanso depois de uma temporada tão desgastante. “Parece que todo o esforço do segundo semestre do ano passado final está surtindo efeito.

Érika Miranda está perto da vaga

Quem tem uma situação mais confortável é Erika Miranda. Com 800 pontos no ranking e ocupando a quarta posição, ela está praticamente garantida em Londres, vendo suas principais adversárias dentro do país em condição bastante desfavorável. Apesar da derrota na estreia no Cazaquistão para a japonesa líder do ranking mundial Yuka Nishida, Érika não deve encontrar problemas para confirmar sua presença na capital britânica.

“Claro que era importante para ela pontuar, mas não era nosso objetivo principal. Como ela está bem no ranking, podemos fazer um trabalho mais light, diferente daquele que o Luciano vai precisar, por exemplo”, argumentou Floriano. A intensidade dos treinamentos da judoca será maior no período próximo das Olimpíadas para que sua condição na competição seja a melhor possível. Já para Luciano, o planejamento será para a cada duas semanas, uma vez que seus desafios já acontecem todos no próximo mês.

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